Telefones minimalistas valem a pena ou você está perdendo dinheiro? Entenda

 

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A moda dos “telefones minimalistas” promete a cura para o vício digital, mas cobra caro por isso. Esses celulares podem custar o preço de um topo de linha para oferecer menos recursos, com o pretexto de resolver um problema dos tempos atuais, mas podem se tornar uma armadilha de luxo com utilidade questionável. O que é um dumbphone; os chamados "telefones burros" 4 celulares impressionantes que floparam em 2025 A taxa "Hipster" do minimalismo 📱 Veja as melhores promoções de smartphones no WhatsApp do CT Ofertas O movimento dos telefones minimalistas cresceu impulsionado por uma estética "hipster" muito específica. A lógica de mercado é cobrar valores altos por um item básico, mas com visual e design diferenciados. É possível fazer uma analogia similar a comprar um creme de barbear hipster por 4 vezes mais caro que um creme de babear comum. Os produtos podem ter composição semelhante. No entanto, a pessoa não compra paga mais caro pelo "estilo de vida" promovido pelo produto. -Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.- Aparelhos como o Light Phone 3 chegam a custar US$ 699 na pré-venda. O valor rivaliza com smartphones premium recentes, como um iPhone 17, mas entrega hardware inferior e telas em preto e branco sob o pretexto de focar na "vida real". Ó Light Phone 3 custa quase o preço de um topo de linha (Imagem: Divulgação/Light Phone) Seguindo essa tendência, surgem dispositivos como o Punkt. MP02, focado em design suíço e teclas físicas, e o Minimal Phone, que aposta em um teclado QWERTY físico com tela e-ink.  Os aparelhos atraem pelo visual diferenciado e sua proposta, mas cobram centenas de dólares por funcionalidades básicas. O Punkt. MP02 usa design com destaque para botões físicos (Imagem: Divulgação/Punkt.) O problema dos sistemas proprietários A maioria desses dispositivos utiliza sistemas operacionais proprietários e personalizados que não apresentam compatibilidade com o sistema Android. Sem uma loja de aplicativos funcional, o usuário fica impedido de instalar ferramentas necessárias para o cotidiano. Desta maneira, a utilidade desses aparelhos no dia a dia se torna questionável. Sem apps, você perde o acesso imediato a funções importantes, como o aplicativo do seu banco, pois pode não conseguir baixar tokens para autenticar o aparelho, também pode não conseguir chamar um transporte por aplicativo ou ficar sem mapas em tempo real. A falta de suporte a aplicativos de autenticação (2FA/Tokens) impede que você valide logins em outros dispositivos. O resultado, o usuário acaba precisando de dois celulares. O "celular minimalista" para fugir dos vícios digitais, e o smartphone normal escondido para resolver problemas que exigem praticidade. Visual retrô e o custo da nostalgia Outra vertente dessa moda aposta na nostalgia pura. Marcas como a Sunbeam Wireless resgatam a estética dos antigos celulares "flip" no formato de concha e teclados físicos T9, que remetem à simplicidade dos anos 2000. Embora o design nostálgico e a sensação tátil das teclas ajudem a reduzir o tempo de tela, o preço cobrado por essa experiência limitada continua desproporcional ao que a tecnologia interna oferece. Muitos consumidores buscam esses aparelhos acreditando que uma barreira física impedirá o uso de apps como Instagram e outras redes sociais. Contudo, os próprios apps apresentam ferramentas que regulam seu uso. O F1 Pro Aspen da Sunbeam Wireless lembra um aparelho dos anos 200 (Imagem: Divulgação / Sunbeam Wireless Transforme seu celular em minimalista Você não precisa gastar uma fortuna em celulares minimalistas. Seu smartphone atual tem ferramentas nativas como "Bem-Estar Digital" e "configurações de acessibilidade" que podem ser usadas para reduzir distrações. No Android ou iOS, é possível ativar a "escala de cinza" nas configurações de acessibilidade. Ao deixar a tela preto e branco, o cérebro recebe menos estímulos, tornando as redes sociais visualmente desinteressantes. Para completar a transformação, é possível usar interfaces gratuitas como o "Niagara Launcher" que simplificam a tela inicial, ao esconder ícones coloridos e deixar apenas uma lista de textos sóbria. Para reduzir o uso de redes sociais e outros apps que consomem muito tempo, você pode acessar “Configurações” e limitar o tempo de uso de cada aplicativo tanto no Android com Bem-Estar Digital, quanto no iPhone. Em alguns casos pessoas não conseguem configurar o aparelho, pois não conseguem se afastar das redes. Nestes casos, pedir a ajuda de um amigo para configurar e estabelecer limite de tempo que vai acessar um aplicativo pode ser uma alternativa. Com um pouco de pesquisa para configurar, é possível replicar a experiência visual e funcional de um celular minimalista de US$ 700, mas sem gastar nada e ainda ter que lutar contra incompatibilidades de sistemas proprietários. Leia mais no Canaltech Quer usar menos redes sociais em 2026? 6 truques que vão te ajudar no detox Celular com câmera boa: 5 modelos até R$ 3 mil que tiram fotos bonitas IA pode tornar smartphones ultrapassados — 4 previsões de substitutos à altura Assista: O que são "dumbphones" e por que estão se tornando populares    Leia a matéria no Canaltech.