Tecnologia ganha espaço na Expo Favela com soluções em segurança digital e mobilidade

 

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A Expo Favela Rio Innovation 2026 mostra, em sua quarta edição, o papel das periferias como espaços de produção tecnológica e inovação. Realizado no Museu do Amanhã, o evento reuniu iniciativas que aproximam moradores de favelas de ferramentas digitais, formação técnica e soluções criadas a partir das próprias demandas dos territórios.

Entre os destaques, tecnologias como óculos de realidade virtual, impressoras 3D e sistemas automatizados dividem espaço com projetos educacionais e experimentos desenvolvidos por estudantes e empreendedores periféricos. Além da exposição das peças, o evento funciona como um ambiente de troca, aprendizado e acesso a um universo historicamente restrito.

Uma das iniciativas presentes é a CyberMind, edtech criada pela engenheira de software Midian Brandão, 34, que atua na formação em segurança digital voltada para moradores de favelas.

— A nossa missão é tornar a proteção online acessível para todo brasileiro. A gente usa gamificação, palestras e workshops para levar esse conhecimento de forma simples, promovendo inclusão digital — explica.

A ideia surgiu a partir da análise de dados sobre crimes virtuais no país. Segundo Midian, grande parte da demanda vem de vítimas de golpes, especialmente em redes sociais e aplicativos de mensagem.

— O Brasil é um dos países que mais sofre ataques cibernéticos no mundo. São cerca de 20 mil ataques por segundo. Muita gente chega até mim depois de já ter sofrido golpes, principalmente pelo WhatsApp. Hoje, com inteligência artificial, já existem casos em que golpistas imitam a voz de familiares para enganar as pessoas — diz.

A proposta da CyberMind é adaptar o conteúdo de acordo com o público, oferecendo desde workshops presenciais até cursos online, com lançamento previsto para ampliar o acesso à formação em todo o país.

Estudantes desenvolvem tecnologia para segurança ferroviária

Outro exemplo de inovação vem de estudantes da Escola Técnica Estadual Visconde de Mauá, em Marechal Hermes, que apresentaram um sistema de frenagem autônoma para trens.

A tecnologia utiliza visão computacional e sensores para identificar obstáculos nos trilhos e acionar automaticamente a parada do trem em situações de risco. A proposta busca equilibrar automação e controle humano, criando um modelo híbrido de operação.

Estudantes da Faetec apresentaram um sistema automático de freio para trens

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— O sistema consegue reconhecer pessoas e animais, como gatos e cachorros, e calcular a distância para determinar o momento certo de frear — explicam os estudantes.

O projeto também prevê integração entre composições ferroviárias, permitindo que um trem comunique ao outro a necessidade de reduzir a velocidade, aumentando a segurança em toda a linha.

Desenvolvido como trabalho de conclusão de curso, o sistema ainda passa por ajustes, mas já foi apresentado em outras feiras e tem potencial de aplicação em trajetos reais.

Ao reunir iniciativas que vão da educação digital à engenharia aplicada, a Expo Favela 2026 reforça que as periferias se mostram como espaços de criação tecnológica, capazes de responder a desafios concretos do cotidiano.