Tecnologia e planejamento: por que os robôs humanoides devem liderar a próxima fase de exportações da China
A liderança inicial da China em robôs humanoides ajudará a impulsionar a próxima fase de sua dominância global na fabricação e exportação, segundo uma nova pesquisa do Morgan Stanley.
Assim como a identificação precoce dos veículos elétricos como um motor de crescimento há uma década, os investimentos da China e sua liderança inicial em robótica humanoide farão com que a participação do país na produção global aumente para 16,5% até 2030, ante os 15% atuais, segundo economistas liderados por Chetan Ahya em nota.
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Nos últimos dois anos, a robótica saiu dos laboratórios e chegou ao mundo real, com parques tecnológicos, fábricas e universidades chinesas entre os que já utilizam robôs humanoides. As compras governamentais também estão entrando em cena, observam os economistas do Morgan Stanley, abrindo caminho para uma adoção mais ampla.
Um expositor aperta a mão de um robô humanoide na Conferência de Desenvolvedores de Robôs Humanoides da China 2024, que acontece em Xangai
AFP
— A China tem um histórico de identificar precocemente as próximas grandes áreas de crescimento e de planejar com antecedência — escreveu Ahya, economista-chefe do banco para a Ásia, no relatório, citando as indústrias de veículos elétricos e de baterias, que agora dominam o mercado chinês. — A indústria da robótica seguiu um caminho semelhante.
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Assim como aconteceu com os veículos elétricos, a China está construindo capacidade em toda a cadeia de suprimentos humanoide. Isso lhe confere uma vantagem sobre concorrentes como os Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, que frequentemente dependem de insumos e componentes chineses.
Quase todas as semanas, a mídia chinesa noticia o próximo grande avanço na robótica humanoide. Um humanoide vermelho concluiu recentemente uma meia maratona em 50 minutos e 26 segundos — cerca de sete minutos mais rápido que o recorde mundial masculino. As ações de robótica dispararam com a notícia.
Mais uma corrida das potências
Com empresas americanas como a Tesla também investindo fortemente, a corrida para dominar o mercado de robôs humanoides faz parte da competição estratégica mais ampla entre as duas maiores economias do mundo.
China investe pesadamente robôs humanoides
Divulgação / UBTech Robotics
A abordagem americana tem sido focar em protótipos de alto custo e alta especificação, com ênfase em testes antes de ampliar a produção, escreveram os economistas do Morgan Stanley. As empresas chinesas têm sido mais rápidas em lançar modelos, com o mercado local atuando como campo de testes.
Protecionismo está entre os riscos
O protecionismo será uma ameaça. Os veículos elétricos chineses já enfrentaram tarifas e outras restrições em todo o mundo. Embora a robótica humanoide seja uma indústria nova, o que significa que há menos necessidade de proteger os produtores e trabalhadores existentes, as preocupações com a segurança e a dependência tecnológica podem aumentar, segundo os economistas.
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Investimento excessivo e concorrência acirrada que reduzem os lucros e resultam em excesso de produção são outros riscos para o setor.
“Um rápido aumento na oferta de robôs provavelmente manterá os preços dos equipamentos de automação em uma trajetória descendente, o que é uma faca de dois gumes”, escreveram os economistas. “Robôs mais baratos possibilitam uma adoção global mais rápida – potencialmente impulsionando a produtividade e contendo a inflação dos produtos finais. Mas a expansão excessiva da oferta pode criar o problema do poder de precificação e dos retornos para o setor.”
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