TCE determina investigação de investimentos da Cedae no Master; Companhia aportou R$ 218 milhões em CDBs
O Tribunal de Contas do Estado aprovou, de forma unânime, uma investigação sobre os investimentos de R$ 218 milhões da Cedae no Banco Master, feitos em 2023. Segundo o relator do processo, conselheiro Rodrigo Nascimento, há indícios de irregularidades nos negócios da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro com o banco de Daniel Vorcaro.
No voto, o conselheiro cobrou esclarecimentos da Cedae sobre a ausência de acompanhamento das aplicações da companhia no Master. Ele disse entender que "há fortes indícios da prática de graves irregularidades nas aplicações financeiras realizadas pela Cedae no Banco Master".
"Estou relatando um processo, uma denúncia formulada por deputado estadual em face da CEDAE para apuração de eventuais riscos na política de investimento junto ao Banco Master. Tendo em vista os substanciosos indícios de regularidade, divirjo da sugestão do corpo técnico e formulo notificações aos responsáveis para apresentação de razões de defesa, sem prejuízo da apresentação de documentos aptos, eventualmente, a justificar as aplicações financeiras realizadas", declarou.
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A denúncia que levou à decisão pela investigação foi enviada ao TCE pelo deputado estadual Luiz Paulo (do PSD). À CBN, o deputado disse que os investimentos foram feitos quando o Master já apresentava indícios de irregularidades.
"Quando a CEDAE o fez [o investimento], o Banco Master já era classificado como um banco de terceira linha, com problemas muito grandes. Então, não se colocava como prioridade fazer investimentos em CDBs desse banco. Aliás, tudo é muito estranho, porque o Banco Master também teve investimentos do Rioprevidência, tem a sua empresa operando os empréstimos consignados, então tudo tem que ser investigado profundamente", disse.
Em nota, a Cedae informou que vai prestar todos os esclarecimentos e que as aplicações seguiram rigorosamente as normas.
Quem primeiro chamou a atenção do governo do RJ com o Master foram investimentos feitos do Rioprevidência no banco de Daniel Vorcaro.
O Rioprevidência afirmou ter feito nos últimos anos aportes de quase R$ 1 bilhão em fundos do conglomerado de Vorcaro. No entendimento da PF, essas operações financeiras, supostamente irregulares, “expuseram o patrimônio da autarquia a risco elevado e incompatível com sua finalidade”.
O fundo estadual é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões a servidores do Rio.
O Master está em liquidação extrajudicial desde novembro. A Polícia Federal apura suspeitas de fraude, créditos falsos e lavagem de dinheiro.
Na terça-feira (3), a PF e a PRF prenderam o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, além de outros dois colegas dele que estariam o ajudando a ocultar e destruir provas possivelmente relacionadas ao caso Master.
