Taylor Swift, Stevie Wonder, Jay-Z, Lana Del Rey... 'New York Times' elege os 30 melhores compositores americanos vivos; veja lista

 

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Levou um ano e meio para que o “New York Times” elaborasse uma lista dos 30 maiores compositores vivos dos Estados Unidos. O resultado, publicado pelo jornal americano na Ășltima semana, tem provocado reaçÔes desafinadas. Afinal, grandes figurĂ”es da mĂșsica — como Madonna, Jackson Browne, Billy Joel, Lady Gaga, Patti Smith e Stevie Nicks, entre outros — ficaram de fora da seleção.

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O levantamento gerou discĂłrdia atĂ© mesmo entre os seis crĂ­ticos do “New York Times” que deram a palavra final. “Houve grandes debates”, como revela a editora Sasha Weiss. Exemplo: o medalhĂŁo Randy Newman, mĂșsico com mais de 20 indicaçÔes ao Oscar, foi um “grande ponto de discussĂŁo”. Acabou excluĂ­do, sem dĂł. A lista foi formada com base em mais de 700 indicaçÔes de especialistas, incluindo historiadores e profissionais da indĂșstria musical. A partir daĂ­, os seis crĂ­ticos foram enxugando o nĂșmero — e, tcharan!, chegaram, enfim, aos 30 melhores.

O compilado reĂșne nomes de diferentes geraçÔes — do mais novo, o rapper Bad Bunny, de 32 anos, nascido em Porto Rico (considerado territĂłrio dos EUA), ao veteranĂ­ssimo Ă­cone do country Willie Nelson, de 93. A seguir, confira os compositores escolhidos na lista em que “todos sĂŁo considerados nĂșmero 1”, como explica o editor Nitsuh Abebe.

Nile Rodgers

O guitarrista Nile Rodgers, com o grupo Chic, no Rock in Rio de 2019

Pablo Jacob

As composiçÔes do nova-iorquino de 73 anos — entre as quais “Good times” e “I want your love” — condensam o espĂ­rito do auge da era disco, segundo os crĂ­ticos.

Lucinda Williams

A compositora americana Lucinda Williams

Reprodução/Instagram

“Seja o que for que alguĂ©m queira dizer sobre a ‘textura’ de uma mĂșsica, isso ganha um carĂĄter quase tĂĄtil com a americana de Louisiana”, destaca o jornal acerca da artista de 73 anos, que transita entre o country e o blues.

Stevie Wonder

Stevie Wonder no Rock in Rio de 2011

Leo Aversa

Maior bardo vivo do coração humano, como definem os crĂ­ticos, ele escreveu “algumas das mĂșsicas mais harmonicamente e cromaticamente complexas jĂĄ criadas”. Exemplos, para citar sĂł alguns: “Part-time lover”, “Girl blue” e “That girl”.

Jay-Z

O rapper Jay-Z

Chris Delmas/AFP

Os crĂ­ticos consideram que “Reasonable doubt” (1996) Ă© um dos maiores ĂĄlbuns de estreia de qualquer gĂȘnero, “prova de habilidades deslumbrantes do rapper como contador de histĂłrias”.

Paul Simon

Cantor e compositor Paul Simon em apresentação no Central Park, em NY, em 2021

Angela Weiss / AFP

Voz para o “terremoto jovem” que abalou os anos 1960, este “artesĂŁo das palavras”, hoje com 84 anos, escreveu pĂ©rolas logo no ĂĄlbum de estreia. EstĂŁo lĂĄ “The sound of silence”, “The times they are a-changin” e “I want to hold your hand”. Os crĂ­ticos consideram que ele gravou duas das maiores cançÔes sobre divĂłrcio (“Hearts and bones” e “Graceland”).

Taylor Swift

Taylor Swift

Bloomberg

A longevidade de um dos maiores sĂ­mbolos da mĂșsica pop atual — com 12 ĂĄlbuns de estĂșdio e centenas de cançÔes ao longo de duas dĂ©cadas — dĂĄ ao pĂșblico, segundo o jornal, “uma combinação inĂ©dita de autoria artĂ­stica e sucesso comercial”.

Brian & Eddie Holland

Arquitetos de hits de grupos como The Supremes (com Diana Ross como vocalista) e Four Tops, os irmãos transformaram o cancioneiro americano ao tornar o amor algo físico e pulsante, traduzido em batidas e arranjos que convidam o corpo a sentir, como realçam os críticos.

Missy Elliott

A compositora Missy Elliott

Divulgação

A obra da rapper de 54 anos parte de um exercĂ­cio elaborado de inverter e subverter, “esticando palavras como chiclete e fazendo sĂ­labas ricochetearem”. SĂŁo obras-primas, de acordo com crĂ­ticos, cançÔes como “Get ur freak on”, “Work it” e “On & on”.

Lionel Richie

Lionel Richie no The Town

Divulgação The Town

A sequĂȘncia de sucessos açucarados, com o dedo do artista de 76 anos, foi a trilha sonora das dĂ©cadas de 1970 e 1980. Letras como “Easy”, “Endless love” e “Hello” sĂŁo aulas de formas minimalistas da soul music sensual, como apontam os crĂ­ticos.

Dolly Parton

Dolly Parton

Reprodução/Youtube

Ícone cultural de vĂĄrias geraçÔes, a artista de 80 anos escreveu dois de seus maiores clĂĄssicos — “Jolene” e “I will always love you” — na mesma noite. O jornal destaca a “pureza sincera em sua obra e visĂŁo de mundo” entre hits country, incursĂ”es no pop e resgates do gĂȘnero bluegrass.

Young Thug

O rapper Young Thug

AFP

“Dissidente pĂłs-estrutural” do rap e do hip-hop, como definem os crĂ­ticos, o mĂșsico de 34 anos desmontou normas e tornou o gĂȘnero novamente selvagem a partir de um mĂ©todo calcado no... improviso radical.

Diane Warren

Compositora Diane Warren

Isabella Costa

EstĂĄ aĂ­ uma das compositoras mais prolĂ­ficas e populares dos EUA — e que escreve obras para gente diversa, de Taylor Dayne a Taylor Swift, de Patti LaBelle a Heart, de Chicago a Shanice. De “Rhythm of the night”, do DeBarge, a “There you’ll be”, do Faith Hill, Ă© praticamente impossĂ­vel nĂŁo ter ouvido uma canção da artista nas rĂĄdios.

JoshOsborne, Brandy Clark e Shane McAnally

Numa era dominada por clichĂȘs, o trio de compositores traz temas mais variados — com maior nuance emocional e um olhar mais cosmopolita — ao country.

Fiona Apple

Fiona Apple

Divulgação

As cançÔes da artista de 48 anos “nos devolvem Ă  euforia da atração e ao enjoo da repulsa” e fazem o coração “parecer um lugar habitado”, como sublinham os crĂ­ticos.

Babyface

O autor redefiniu a canção romĂąntica no pop, com baladas de enorme impacto emocional. Hits como “End of the road” e “I’ll make love to you”, do Boyz II Men, bateram recordes e ajudaram a reposicionar o R&B no centro da mĂșsica americana.

Stephin Merritt

Autor de “69 love songs”, o mestre dos desafios criativos combina sofisticação com humor e experimentalismo

Romeo Santos

À frente do grupo Aventura, o nova-iorquino modernizou a bachata — ritmo latino originĂĄrio da RepĂșblica Dominicana — ao misturĂĄ-la com pop, R&B e hip-hop.

Carole King

A compositora de 84 anos transforma emoçÔes complexas em cançÔes universais. Hits como “Way over yonder” e “Tapestry” moldaram diferentes geraçÔes — de Alicia Keys a Taylor Swift.

Outkast

A dupla revolucionou o hip-hop ao levar o sul dos EUA ao centro do gĂȘnero nos anos 1990. Com hits como “Player’s ball” e “Ms. Jackson”, os artistas misturam experimentação e apelo pop.

Mariah Carey

Mariah Carey no MTV Video Music Awards, em setembro de 2025

Angela Weiss / AFP

Ao surgir nos 1990, adiva pop foi visionĂĄria, segundo os crĂ­ticos, ao fundir a intensidade do gospel com a força do R&B. Autora de 18 hits nÂș 1, redefiniu o gĂȘnero com mĂșsicas como “Fantasy” e “We belong together”.

Willie Nelson

Autor de clássicos como “Crazy”, “Night life” e “Funny how time slips away”, o veterano do country construiu uma obra vasta e fora de rótulos, na visão dos críticos.

Kendrick Lamar

Kendrick Lamar no Grammy 2026

Reprodução/Instagram

As mĂșsicas do autor — tido como “dos rappers mais ideolĂłgicos em atividade” — sĂŁo “verdadeiros monĂłlogos de autoconfronto, mas tambĂ©m de confronto com o mundo”.

Valerie Simpson

“Rastrear a influĂȘncia de Ashford & Simpson — dupla formada por Valerie Simpson e Nickolas Ashford — Ă© como mapear o cĂłdigo genĂ©tico da canção popular americana”, dizem os crĂ­ticos. SĂŁo clĂĄssicos “Ain’t no mountain high enough” (1967), “Solid”, “I’m every woman” e “California soul”.

Bob Dylan

Bob Dylan

Hector Mata / AFP

Agraciado com o PrĂȘmio Nobel de Literatura em 2016, Bob Dylan reinventou o que uma canção pode dizer e como pode soar, “expandindo os horizontes da mĂșsica popular”. Transitou por mĂșltiplas fases e estilos, da canção de protesto ao rock, sempre desafiando rĂłtulos.

Lana Del Rey

Apresentação da cantora Lana Del Rey no palco Corcovado, na primeira noite do festival MITA 2023

Lucas Tavares/AgĂȘncia O Globo

O jornal destaca a “gramĂĄtica sonora particular e inconfundĂ­vel” da artista, que inventou um estilo indie-pop difĂ­cil de imitar. Entre sexo, morte e amor, as letras contrĂłem uma estĂ©tica de resignação sofisticada e autoral.

The-Dream

“Basta pensar num sucesso de R&B pĂłs-anos 2000, e provavelmente hĂĄ sua marca ali: ‘Umbrella’, de Rihanna; ‘Ride’, de Ciara; ‘Baby’, de Justin Bieber; e ‘Touch my body’ e ‘Obsessed’, de Mariah Carey” e ‘Single ladies (put a ring on it)’, de BeyoncĂ©â€, como lembram os crĂ­ticos.

Jimmy Jam e Terry Lewis

Jimmy Jam e Terry Lewis são “mestres camaleînicos” que ajudaram a reinventar a carreira de Janet Jackson ao longo de diferentes fases. Misturam soul, funk e pop com inovação, moldando o som do R&B moderno.

Bad Bunny

Bad Bunny conquista o pĂșblico com simpatia e emoção durante show no Allianz Park, em SĂŁo Paulo

@irisalvesc/Live Nation Brasil

O vencedor do Grammy de ĂĄlbum do ano com “DebĂ­ tirar mais fotos” remodelou a mĂșsica latina “com seu flow melancĂłlico e letras ĂĄgeis”.

Bruce Springsteen

Bruce Springsteen canta do lado de fora do Capitólio do Estado de Minnesota durante o dia nacional de protesto "No Kings" em Saint Paul, Minnesota, em 28 de março de 2026

Kerem Yucel / AFP

Para a crĂ­tica Lindsay Zoladz, o autor de “Born in the U.S.A.” aprendeu a usar os silĂȘncios ao evoluir das “epopeias da juventude descarada e arrogante” a um papel “autoproclamado de consciĂȘncia da AmĂ©rica”.

Smokey Robinson

O jornal classifica o cantor que foi vice-presidente da Motown como um inspirador de “compositores mais bem-sucedidos e emocionalmente complexos que surgiram depois dele”, como Babyface e Anderson. Paak. “Stevie Wonder pode ser o maior inovador. Lionel Richie pode ter dominado o pop global. Nenhum deles se compara à precisão lírica consistente de Robinson”, dizem os críticos.