Taxas de longo prazo pagas pelo Tesouro são ‘inaceitáveis’ e precisam ser resolvidas, diz Durigan - QTU Questões do Universo

Taxas de longo prazo pagas pelo Tesouro são ‘inaceitáveis’ e precisam ser resolvidas, diz Durigan

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse, nesta quarta-feira (19), que as taxas de juros de longo prazo pagas pelo Tesouro Nacional são muito altas e que o tema precisa ser solucionado "na próxima gestão".
Segundo ele, o patamar é inaceitável, e o nível de juros tem pressionado empresas e famílias.
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Durigan citou avanços econômicos no governo Lula (PT) durante palestra no evento da Esfera, mas defendeu que não é possível "abaixar a guarda" e achar que o trabalho está resolvido.

"Nós temos uma única grande milha para ser cumprida daqui para frente, no futuro, e isso vai ser cumprido, necessariamente", disse Durigan, em referência ao compromisso com a trajetória estrutural das contas públicas para reduzir os juros.

Ele afirmou que o tema "aflige" o Ministério da Fazenda e citou que o Tesouro Nacional tem taxas muito altas para serem pagas.
"É inaceitável, e devemos endereçar essa questão", disse Durigan.

O ministro afirmou que é preciso, "prontamente", resolver o nível das taxas de juros na próxima gestão presidencial, porque tem prejudicado as empresas, o Tesouro Nacional, o agronegócio, as famílias e outros setores.

Durigan disse ser necessário criar as condições para a "milha final" de ajuste econômico, mas enfatizou que o mundo também sofre com taxas altas.
O ministro afirmou que o cenário cria um "desafio maior", mas o Estado brasileiro deve seguir avançando, "sem achar que tem bala de prata" para corrigir esse ambiente econômico.

"Os Estados Unidos estão, hoje, com títulos de 30 anos, pagando a taxa de juros mais alta dos últimos 20 anos.
Desde 2007, a taxa de juros de um título norte-americano não é tão alta", afirmou o ministro.

"Isso tem se espalhado para a economia.
O Banco Central do Japão tem hoje uma taxa de juros que não se via há muito tempo, um país que estava acostumado a ter uma taxa de juro zero", acrescentou.
Queda do dólar e alta do Ibovespa
Depois da palestra, Durigan comentou sobre a queda do dólar e alta do Ibovespa na Bolsa de Valores de São Paulo, nesta quarta-feira.
Ele afirmou aos jornalistas que o mercado financeiro reage positivamente no Brasil depois de o Tesouro dos Estados Unidos aumentar o volume de operações de recompra de títulos públicos americanos.
Durigan declarou que é uma situação que "pressiona o mundo todo" em termos de política monetária, e que o Brasil segue "no seu foco" de melhorar as questões econômicas, com espaço de liberdade para o governo e a iniciativa privada.
Ele afirmou que o governo federal tem foco em esforços para reduzir as taxas de juros no Brasil.
"O que a gente está vendo nos Estados Unidos é uma intervenção do Tesouro norte-americano na compra de títulos públicos nos Estados Unidos, em razão de esse tipo de situação estar pressionando a rolagem da dívida lá.
O que nós estamos vendo hoje é o mercado reagindo positivamente aqui no Brasil", disse Durigan, em entrevista a jornalistas.
Interferência do governo Trump nas eleições do Brasil
O ministro também respondeu sobre a interferência do governo norte-americano nas eleições do Brasil.
"A gente já está vendo alguma interferência [dos EUA nas eleições], que não tem razão de ser.
Quando a gente olha para o que tem acontecido, nós temos nos dedicado.
Nós fizemos um esforço grande de diplomacia, de conversas, de apresentar proposta", disse Durigan.
Segundo o ministro, a posição do governo norte-americano é por uma rendição do Brasil para ceder "completamente" aos pleitos do país governado pelo presidente Donald Trump.
Durigan criticou penalidades contra o Brasil que também prejudicam as empresas norte-americanas.
Ele ponderou que questões "pontuais e setoriais" devem ser tratadas com respeito e debate.
"Nós não concordamos com esse tipo de postura [dos EUA].
O que a gente acha é que, dentro deste conjunto de nações soberanas, a gente precisa ter um diálogo respeitoso, ainda que haja controvérsias", disse Durigan.
"Eu tenho a esperança de que, passadas as eleições, o argumento de interferência eleitoral diminui, e a gente possa, de novo, trazer a racionalidade para o debate, e poder avançar", acrescentou.