Tatiana Weston-Webb fala sobre potência feminina no surfe: 'Não é preciso mais escolher entre o esporte e a maternidade'

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Com mãe brasileira e pai inglês, Tatiana Weston-Webb ela nasceu em Porto Alegre e se mudou com apenas um mês de vida para o Havaí, onde cresceu. No paraíso dos surfistas, arriscou as primeiras manobras com 8 anos. Tornou-se medalhista olímpica, em 2024, e, em fevereiro, deste ano mãe de Bia Rose, do casamento com o surfista Jessé Mendes.

Em entrevista exclusiva à ELA, a atleta fala sobre a pausa que fez no circuito em 2025 e o retorno à elite do surfe.

Quais foram as principais mudanças e reflexões que a maternidade te trouxe? Ser mãe sempre foi um sonho muito grande. Está sendo um momento muito especial. A maternidade transforma você de uma maneira muito profunda. Muda as prioridades, a relação com o tempo, com o amor e até com você mesma. E eu sou muito grata por estar vivendo tudo isso. Ao mesmo tempo, acho que a maternidade trouxe uma leveza nova para a minha relação com o surfe. Durante muitos anos, minha vida girou muito em torno de buscar sempre o meu melhor resultado. Quero estar presente para a Bia, viver esse momento com a minha família e, ao mesmo tempo, continuar fazendo aquilo que amo. Para mim, poder conciliar as duas coisas é muito especial. Como identificou que precisava cuidar da sua saúde mental? A Tatiana Weston-Webb Tauana Sofia conteceu aos poucos. Eu estava competindo no nível mais alto, vinha de anos muito intensos e, por fora, talvez parecesse que estava tudo bem, mas comecei a perceber que alguma coisa dentro de mim tinha mudado. Eu chegava à praia, olhava para as ondas e não sentia aquela animação que sempre senti. Era um sinal de que eu precisava parar e cuidar de mim. Foi difícil reconhecer isso porque eu sempre me considerei uma pessoa muito forte mentalmente, mas entendi que força também é conseguir perceber quando você precisa de ajuda e respeitar o seu próprio limite.

Você chegou a ter um burnout. O que passou pela sua cabeça naquela fase? Foi um momento muito difícil porque eu cheguei a ter medo de não querer mais competir. Tinha passado praticamente dez anos vivendo para o surfe, sempre buscando um título. Então, de repente, perceber que eu não estava mais sentindo aquela felicidade foi assustador. Por isso, a decisão de parar não foi fácil, mas foi necessária. Foi um momento em que eu precisei me reencontrar como pessoa, não só como atleta. Como é estar de volta à elite do surfe? É muito especial. Depois de tudo que aconteceu nos últimos anos, poder voltar a competir e sentir aquela energia de novo é uma sensação muito boa. Quero respeitar cada etapa e chegar em 2027 preparada, mas também aproveitando esse caminho. Quais são seus projetos como atleta? Meu principal objetivo agora é voltar ao Championship Tour em 2027 e conseguir competir bem, com consistência. Estou reconstruindo minha preparação física aos poucos, entendendo meu corpo depois da gravidez e fazendo tudo com bastante calma e consciência. Também tenho o sonho de estar novamente nas Olimpíadas, em Los Angeles 2028. Seria muito especial viver esse momento como mãe, mas estou tentando não colocar uma pressão enorme em cima de mim.

Como avalia o machismo no surfe? O surfe mudou bastante e continua mudando. Ainda existem pensamentos antigos que precisam ser desconstruídos, mas vejo uma evolução. Atualmente as mulheres têm muito mais espaço, visibilidade e respeito dentro do esporte. A maternidade está trazendo uma conversa nova para o esporte. Durante muito tempo, parecia que, quando uma mulher escolhia ser mãe, precisava abrir mão da carreira. A criação do Maternity Wildcard pela WSL este ano mostra que estamos começando a enxergar isso de outra forma. Espero qoutras mulheres se inspirem e percebam que não precisam escolher entre a maternidade e os seus sonhos dentro do esporte de alto rendimento.

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