Tarifas retaliatórias do Canadá contra EUA entram em vigor; negociações seguem paralisadas

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Fonte da notícia: Valor Valor

As tarifas retaliatórias do Canadá sobre produtos dos Estados Unidos entraram em vigor pouco depois da meia-noite desta terça-feira, aumentando a pressão econômica do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, sobre o maior parceiro comercial do país após o colapso das negociações no mês passado e intensificando uma guerra comercial que já dura 18 meses.

As contra-tarifas abrangem US$ 20 bilhões em produtos americanos, com alíquotas que variam de 15% a 50% sobre itens que vão de aço e móveis a roupas e eletrônicos.

A retaliação, no mesmo valor das tarifas americanas, representa uma escalada na disputa entre os países vizinhos. Autoridades dos EUA e do Canadá trocaram acusações pela frustração de um acordo que parecia próximo de ser concluído há duas semanas. O aumento das tensões gera incerteza sobre o pacto mais amplo de livre comércio entre Estados Unidos, México e Canadá, que passará por revisões anuais depois que o presidente americano, Donald Trump, se recusou a prorrogá-lo por mais uma década.

“O que nos preocupa é uma espiral de escalada”, disse Michael Harvey, diretor-executivo da Aliança Canadense de Comércio Agroalimentar e integrante do comitê consultivo de Carney sobre as relações econômicas bilaterais com os Estados Unidos.

“Mas, ao mesmo tempo, entendemos perfeitamente que o primeiro-ministro precisa encontrar áreas que lhe deem poder de pressão”, afirmou Harvey. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, fala com jornalistas ao chegar ao gabinete do primeiro-ministro e do Conselho Privado, em Ottawa, na terça-feira, 1º de setembro de 2026 Justin Tang/The Canadian Press via AP

Tarifas dos EUA atingem vinho, móveis e laticínios canadenses As tarifas de Trump implementadas no mês passado atingiram setores como vinho, móveis, laticínios, cimento, roupas, varas de pesca e equipamentos de hóquei, abrangendo US$ 20 bilhões, ou 5%, das exportações canadenses para os EUA.

Segundo dados dos governos canadense e americano, o Canadá enviou quase 68% do total de suas exportações ao território americano neste ano, das quais cerca de 80% entraram sem tarifas devido às isenções previstas no acordo USMCA. As proteções previstas pelo acordo deram alguma resiliência à economia canadense.

As novas tarifas, impostas com base em uma lei americana da época da Grande Depressão, não permitem que Ottawa aplique as isenções previstas no USMCA.

As preocupações sobre o futuro do USMCA aumentaram as incertezas em relação aos investimentos e ao crescimento, enquanto o Canadá trava uma guerra comercial contra uma economia 13 vezes maior que a sua.

Pesquisas mostram que Carney conta com amplo apoio entre os canadenses, mas esse apoio pode desaparecer em questão de meses à medida que as consequências da guerra comercial se tornem mais evidentes, segundo analistas políticos.

Apenas 20% dos americanos aprovam as tarifas de Trump sobre produtos canadenses, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos.

Carney afirmou na semana passada que seu governo estava pronto para assinar um acordo comercial que beneficiasse os dois países.

Trump ameaçou no mês passado elevar para 50%, a partir de 1º de janeiro, as tarifas americanas sobre todos os carros, caminhões e autopeças provenientes do Canadá e assinou uma ordem executiva rebatizando o Lago Ontário como “Lago América”. Placa com a frase “Tornando os Grandes Lagos ainda maiores” durante a assinatura de uma ordem executiva no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, em 27 de agosto de 2026 Al Drago/The Washington Post/Bloomberg

Uma fonte do governo afirmou que atualmente não há negociações entre os dois lados, seja no nível ministerial ou entre outras autoridades governamentais.

“O governo canadense precisa manter abertos os canais com os Estados Unidos e não exagerar na retórica nem nas reações à retórica do lado americano, enquanto espera que o processo decisório americano volte a se pautar pela economia”, disse Harvey.

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