Tarifas propostas de 25% contra o Brasil são 'diferenciadas', afirma representante comercial dos EUA
Em entrevista à emissora de TV americana CNBC, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que as tarifas de 25% que foram propostas contra o Brasil são 'bastante diferenciadas'.
Ele explicou que a investigação começou a pedido do presidente dos EUA, Donald Trump. Ainda destacou que tiveram reuniões 'construtivas' com Lula, porém que ainda ocorrem 'divergências substanciais'.
Greer comentou que pelas muitas exclusões, as taxas seriam diferentes do que havia sido pensado anteriormente, com o tarifaço de 50% do ano passado.
Para o representante, as novas taxas eram precisas por conta de práticas consideradas desleais pelo governo Trump e o déficit comercial americano chamado de 'gigantesco'.
Os Estados Unidos propõem um novo tarifaço de 25% sobre todas as mercadorias brasileiras por práticas de comércio consideradas “irrazoáveis”. A nova sobretaxa foi anunciada pelo Escritório de Representante Comercial americano após concluir a investigação contra o Brasil respaldada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O documento preliminar aponta que políticas brasileiras sobre comércio digital, desmatamento ilegal e propriedade intelectual restringem ou oneram o comércio norte-americano.
O anúncio de Washington estipula o prazo legal de 15 de julho para que o Brasil adote medidas corretivas antes da aplicação definitiva das taxas. A proposta norte-americana abre um período de consulta pública para receber comentários do setor privado a partir do dia 22 de junho.
Presidentes Donald Trump e Lula em encontro na Casa Branca, em maio de 2026
Divulgação/Lula
O documento do governo americano exclui do novo tarifaço bens considerados estratégicos para o abastecimento da economia dos Estados Unidos. Ficam isentos do imposto produtos agropecuários como carne bovina, café, frutas tropicais, além de petróleo, minérios, terras raras, aviões, fertilizantes e produtos farmacêuticos
O relatório norte-americano acusa o Brasil de prejudicar a concorrência ao punir plataformas de tecnologia dos Estados Unidos que descumprem ordens de remoção de conteúdo. Washington também alega que o Banco Central concede tratamento preferencial ao Pix em detrimento de empresas de cartão de crédito.
O governo americano contesta os acordos comerciais do Brasil com México e Índia e aponta falhas históricas na fiscalização contra o desmatamento ilegal. Washington critica ainda a falta de reciprocidade tarifária na importação do etanol e a lentidão excessiva no exame de patentes industriais no mercado brasileiro.
A investigação havia sido iniciada em 15 de julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump.
De acordo com o embaixador e Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, o governo americano mantém um diálogo intenso com o governo do presidente Lula, mas ainda há divergências substanciais nas questões identificadas na investigação.
O Palácio do Planalto já aguardava a divulgação de sanções, mas esperava que a recomendação não trouxesse uma aplicação de taxas imediata.
Flávio Bolsonaro afirma ter pedido a Trump que não taxasse empresas brasileiras
Senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Reprodução
O pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, disse que pediu ao presidente norte-americano, Donald Trump, que não taxasse as empresas brasileiras, durante a reunião que teve na Casa Branca na semana passada.
Flávio deu entrevista à Rádio Itatiaia nesta terça-feira (2) e afirmou que atuou em defesa das empresas brasileiras, prometendo negociar com os norte-americanos "quando sentasse na cadeira do Planalto".
Segundo Flávio, o governo Trump vê Lula com desconfiança e por isso mantém as taxas e sanções contra o Brasil. No entanto, ele negou que haja problemas com o Pix e disse que é terrorismo do governo Lula a informação de que os Estados Unidos querem acabar com o Pix. Segundo Flávio, houve um pedido direto dele a Trump para que não taxasse as empresas brasileiras.
"Nas três reuniões que nós tivemos com o presidente Trump, o vice-presidente Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. É um pedido que eu fiz expresso a eles, porque eu disse o seguinte: a partir de 2027, vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês e vai negociar de igual para igual, porque o nosso agro alimenta o mundo. Não é justo taxar as nossas empresas. A gente tem que valorizar a nossa tecnologia, a gente tem que valorizar o nosso Pix, a gente tem que valorizar o nosso etanol."
Flávio apoiou ainda a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas pelo governo Trump, disse que a medida é necessária e que durante as reuniões na Casa Branca pediu que essas facções fossem declaradas terroristas. Segundo Flávio, "precisamos da ajuda não apenas dos EUA, mas de outros países da américa latina e até de Israel".
