Tarcísio exonera Delegado Da Cunha, deputado federal que forjou vídeo de sequestro para conseguir seguidores nas redes - QTU Questões do Universo

Tarcísio exonera Delegado Da Cunha, deputado federal que forjou vídeo de sequestro para conseguir seguidores nas redes

Fonte: Bandeira da fonte

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), demitiu da Polícia Civil, nesta quinta-feira (3), o deputado federal Carlos Alberto da Cunha (União Brasil), conhecido como Delegado Da Cunha.
Membro da Polícia Civil há 23 anos, o parlamentar respondia na Corregedoria do órgão paulista a um processo disciplinar desde 2020.
Na ocasião, ele forjou a gravação de um vídeo com uma suposta vítima de sequestro, com o objetivo de ganhar seguidores nas redes socais.

A demissão de Da Cunha, que já estava afastado do cargo devido ao mandato em Brasília, foi publicada no Diário Oficial do estado, após seu processo ter sido entregue ao gabinete do governador na gestão de Rodrigo Garcia, em 2022.
Pela lei, um delegado de polícia só pode ser demitido por decisão do governador, o que ocorreu agora com Tarcísio.
No caso do falso sequestro, Da Cunha foi acusado de utilizar a estrutura da Polícia Civil para gravar vídeos de operações que eram exibidos em suas redes sociais particulares, como no YouTube.
Segundo as investigações, havia operações reais e também falsas, como a que o levou à perda do cargo.
Na época, ele pagava até R$ 14 mil por mês para uma equipe de filmagem gravar suas rotinas.

Como mostrou O GLOBO em 2024, a postura de Da Cunha como "policial youtuber" passou a incomodar colegas e comandados, e a irritação chegou até o então delegado-geral Ruy Ferraz, morto no ano passado, sobretudo após críticas à sua gestão e xingamentos endereçados a outros agentes, chamados de "ratos".
Os relatos apontavam que Da Cunha transformava a delegacia que comandava numa verdadeira "ilha de edição" para seus vídeos, usando a estrutura e os próprios policiais para ganhar dinheiro nas redes e promover sua imagem.

Acusação de violência doméstica
No ano anterior, o deputado federal foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo pelos crimes de lesão corporal decorrente de violência doméstica, ameaça e dano qualificado.
Ele foi acusado de agressão pela então namorada, a nutricionista Betina Grusiecki.
Aos policiais que registraram a ocorrência, ela disse ter recebido ameaças de morte do parlamentar e ter ficado inconsciente por causa das agressões que sofria.

Segundo o MP, Da Cunha agarrou Betina com violência, bateu a cabeça dela contra uma das paredes do imóvel em que ambos estavam.
Além disso, ele teria apertado o pescoço da nutricionista, fazendo com que ela desmaiasse, antes de bater a cabeça dela mais uma vez contra a parede.
O caso ainda segue em tramitação, sem sentença proferida.
Procurado, o deputado não respondeu.