Tarcísio e Michelle buscam ministros do STF para pedir prisão domiciliar a Bolsonaro

 

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro procuraram ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos dias para defender a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Três interlocutores próximos a Tarcísio confirmaram ao GLOBO que o governador conversou por telefone com ao menos quatro ministros da Corte nesta quarta-feira para tratar do pedido apresentado na última terça-feira pela defesa do ex-presidente.

Além da movimentação de Tarcísio, fontes próximas à família Bolsonaro relataram que Michelle também atuou nos bastidores. Esta informação foi inicialmente veiculada pelo portal g1. A ex-primeira-dama participou de uma audiência com o ministro Gilmar Mendes e chegou a pedir que ele falasse diretamente com o relator do caso, Alexandre de Moraes, numa tentativa de sensibilizá-lo sobre o pleito.

Michelle também teria dito ao magistrado que deseja cuidar pessoalmente de seu marido e que suas condições de saúde não o permitem cumprir regime fechado. Procurados, Michelle e Tarcísio não se manifestaram.

Segundo relatos feitos sob reserva, Tarcísio reforçou a piora no quadro clínico de Bolsonaro, exemplificada pela queda sofrida na semana passada. O governador citou laudos médicos reunidos pela defesa e a suposta limitação estrutural da cela na superintendência da Polícia Federal, sustentando que o ex-presidente estaria em condição de vulnerabilidade. Esses mesmos argumentos foram usados pelos advogados na peça protocolada no STF.

A queda da semana passada foi classificada como traumatismo craniano leve. Exames feitos no DF Star apontaram apenas lesões em partes moles, sem comprometimento intracraniano. Por este motivo, o médico Brasil Ramos Caiado afirmou que a lesão não era preocupante e o ex-presidente foi reconduzido à PF.

A articulação ocorre num momento em que o bolsonarismo opera em duas frentes: tentar aliviar o ambiente jurídico do ex-presidente e, ao mesmo tempo, administrar a disputa interna pela reorganização do campo da direita em 2026.

Tarcísio segue afirmando publicamente que será candidato à reeleição em São Paulo, mas aliados reconhecem que ele ainda é tratado como peça central do tabuleiro nacional e que qualquer gesto seu passa a ser lido sob filtro eleitoral, sobretudo desde que o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) se lançou como pré-candidato e ampliou a disputa pela herança política do ex-presidente.

Nos bastidores, o movimento junto ao STF foi interpretado por interlocutores bolsonaristas como gesto para preservar vínculo com Bolsonaro e manter canal direto com o núcleo que hoje influencia decisões do grupo. O governador ainda não mergulhou na campanha de Flávio, tampouco fez movimentos públicos de engajamento, e continua sendo visto como “candidato natural” por segmentos da direita.

Os telefonemas aos ministros acontecem também sob o impacto de um ruído recente dentro do bolsonarismo, após uma postagem da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro com vídeo de Tarcísio nas redes sociais. O gesto foi interpretado por uma ala bolsonarista como combustível para especulações sobre o papel do governador em 2026 e gerou incômodo no entorno de Flávio, que trabalha para se afirmar como herdeiro político natural.

A tensão aumentou após a mulher de Tarcísio, Cristiane Freitas, comentar em uma postagem do governador que “o Brasil precisa de um novo CEO”, em referência a ele. O comentário foi curtido por Michelle e recebido por setores bolsonaristas como sinalização eleitoral. A reação foi imediata no entorno do ex-presidente e em grupos ligados a Flávio, que viram no episódio um estímulo ao nome de Tarcísio no momento em que o senador tenta consolidar sua pré-candidatura.

Diante do desgaste, Michelle atuou para conter a crise e defender Cristiane. A ex-primeira-dama argumentou que a postagem não representaria uma indicação de Tarcísio como candidato presidencial e sustentou que a preferência do grupo seguiria sendo pelo próprio Jair Bolsonaro.

Nesta quinta-feira, após visitar o pai, Flávio adotou discurso de unidade e disse que não pretende cobrar publicamente adesões mais firmes à sua campanha. Segundo o senador, o esforço do momento deve ser manter o campo conservador unido contra a esquerda.

— Eu pratico aquilo que eu falo, que é a união. Tenho certeza que em algum momento todos estarão mais efusivamente na campanha. Não vou ficar cobrando ninguém. Estou fazendo minha parte, que é pregar união. Nosso adversário não está dentro da direita, está na esquerda. Neste governo que faz o povo sofrer com a segurança pública — afirmou.

Nos bastidores, porém, aliados admitem que a unidade ainda está longe de ser uma realidade. O grupo segue dividido sobre quem ocupará o espaço político em 2026. Além de Tarcísio e Flávio, estão colocados os governadores Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Romeu Zema.