Tarcísio defende acionamento manual da câmera em farda de PMs:

Tarcísio defende acionamento manual da câmera em farda de PMs: 'É a mesma que está em uso em Paris'

Fonte: Bandeira da fonte

O governador de São Paulo e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas(Republicanos) defendeu o aumento do efetivo policial, o uso de tecnologia e mais presença territorial para combater o crime organizado em São Paulo em sabatina hoje feita por O GLOBO, CBN e Valor Econômico.
Lembrando já ter feito um "mea culpa" sobre o uso de câmeras nas fardas de policiais, ele defendeu, porém, a configuração dos dispostiviso acionamento manual da câmera em farda de policiais, que não tem a atividade registrada o tempo todo.
— Lá atrás você, você tinha queixa com acionamento contínuo, porque muitas vezes a câmera estava desligada, tinha reclamação de falta de bateria, e quando há intenção, a pessoa burla — afirmou.
— Agora, a gente está diminuindo a possibilidade de isso acontecer porque nós desenvolvemos uma série de funcionalidades.
A Câmera que está em uso em São Paulo é a mesma que está em uso em Paris, com as mesmas funcionalidades, e com o mesmo fornecedor.
A declaraçao foi dada na manhã desta quinta-feira (20) no encontro ao vivo com os jornalistas Vera Magalhães (O GLOBO), Marcello Corrêa (Valor) e Guilherme Muniz (CBN).
Na entrevista, Tarcísio disse ser contrário a ações policiciais que busquem a morte dos abordados como resultado, mas disse que "os policiais precisam se proteger".
— A gente não quer abuso, excesso em hipótese alguma, e uma coisa que a gente tem batido muito nas escolas de formação é adesão irrestrita aos procedimentos — disse.
— A gente não quer confronto, a gente não quer pessoas morrendo, a gente não quer nada disso.
Mas a gente não pode deixar que o policial fique em risco.
E ele tem procedimento.
Letalidade policial
O governador reconheceu que os índices de letalidade policial seguem altos, apesar de terem diminuído, mas diz acreditar que confrontos com morte são inevitáveis em algumas situações.
— Uma parte dessas demandas acabam tendo confronto na hora que os policiais vão fazer esse enfrentamento e infelizmente a gente acaba tendo às vezes a questão da letalidade, que a gente não quer.
Agora, o policial precisa se defender.
— afirmou.
O programa de câmeras corporais da Polícia Militar de São Paulo, pioneiro no país ao demonstrar redução na letalidade policial e na proteção aos próprios agentes, tornou-se objeto de intensa disputa política e mudanças operacionais na gestão estadual.
Durante a campanha eleitoral de 2022, Tarcísio de Freitas chegou a defender a retirada das câmeras corporais dos uniformes dos PMs, sob o argumento de que os equipamentos limitavam a ação das forças de segurança.
Mais adiante, já perto do segundo turno, abrandou o discurso inicial, ao dizer que chamaria as forças de segurança para avaliar a real efetividade do programa antes de tomar uma decisão definitiva.
Sob o governo Tarcísio de Freitas, a diretriz do programa foi reformulada com novos editais de licitação que substituíram o modelo de gravação ininterrupta por dispositivos com acionamento - remoto ou manual.
'Atitude' bukelista
Tarcísio foi questionado na sabatina sobre declarações passadas dele e de políticos de direita elogiando Nayib Bukele, presidente de El Salvador.
O país tem gerado controvérsia pelo aumento do número de casos de execução sumária aumentaram e por sua política de encarceramento em massa, questionada por organizações de direitos humanos.
Na reposta, o governador não negou aproximação com o modelo, e disse que sua admiração a Bukele se deve à "atitude" do lider salvadorenho na segurança.
— Quando a gente traz essa questão do Bukele, a gente está falando da atitude que o estado tem que ter de enfrentamento ao crime.
Quando o Estado quer resolver, ele resolve — disse, citando outros países como inspiração.
— Estudamos muito a experiência internacional, o que foi feito em Frankfurt, em Lisboa, em NY, para trazer esse modelo e adaptá-lo à nossa realidade.
Saída de Derrite
Tarcísio trocou seu secretário de Segurança neste ano.
Guilherme Derrite, que deixou o posto, é candidato a senador, abriu lugar para Osvaldo Nico.
Questionado sobre a razão da mudança, Tarcísio evitou criticar o desempenho do titular anterior.
— O calendário eleitoral precipitou alteração.
Ele queria, tinha intenção de ser candidato ao Senado, e precisava se desincompatibilizar, e ele entendeu que precisava voltar para o Congresso antes até para participar de algumas discussões que estavam em voga no Congresso naquele momento — disse.
— O balanço que a gente pode fazer é que na gestão dele a gente viu a continuidade na diminuição dos indicadores.
Tarcísio não comentou casos de má conduta que marcaram a passagem de Derrite pela secretaria.
O coronel José Augusto Coutinho deixou o comando-geral da PM de São Paulo após ser citado em um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar que apura a atuação de policiais militares na escolta de uma empresa de ônibus ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo depoimento à Corregedoria, Coutinho tentou convencer um policial suspeito de prestar serviço de segurança para a Transwolff, empresa de ônibus investigada por elo com a facção na capital paulista, a permanecer na Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), a tropa de elite da instituição.
Cinco dos sete policiais suspeitos de fazer segurança privada para diretores da Transwolff eram da Rota.
O bico, ou escolta privada prestada fora do horário de expediente, é ilegal e proibido pela PM.
Segundo a Corregedoria, os PMs ainda aderiram de forma "consciente e voluntária" ao esquema criminoso e contribuíram para a "continuidade operacional das atividades empresariais utilizadas para a lavagem de capitais”.
Feminicídio em alta
Tarcísio citou na entrevista dados de alguns crimes que estão apresentando queda na taxa média, mas reconheceu que o aumento das taxas de feminicídio no estado apresenta um desafio.
— É um crime super difícil de combater, e ter a equação para isso é algo que a gente se debate o tempo todo — disse.
— A gente está procurando aumentar os nossos canais de comunicação, mostrar para as mulheres que estamos aqui.
A gente criou aqui o São Paulo para Todas, que é um grande guarda-chuvas de ações, o Abrigo Amigo, o protocolo Não se Cale, o SP Mulher Segura.
Tem o tornozelamento e monitoramento dos agressores de mulheres, São Paulo foi pioneiro nisso, e outros estados começaram a copiar.
O governador minimizou, porém o impacto que a redução de verbas para a Secretaria da Mulher neste ano pode ter tido.
— Quando a gente fala de Política para Mulher, qual a missão da secretaria? Ela executa a política? Não, ela é uma secretaria de coordenação — afirma.
— De onde sai o orçamento do auxílio-aluguel para mulheres que são vítimas de violência? Da onde sai o recurso das Salas DDM, do SP Mulher Segura? Da Secretaria de Segurança.
O Brasil teve 1.571 casos de feminicídio registrados em 2025, o maior número da série histórica do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado por uma organização independente.
A alta geral foi de 4% de um ano para o outro e contrasta com a redução das mortes violentas como um todo.
Em São Paulo, a incidência do crime aumentou 6,4% ante 2024, pouco acima da média, passando de 253 para 270 ocorrências no ano passado.
Campanha sem Bolsonaro
Tarcísio é o segundo entrevistado das sabatinas com os candidatos ao governo do estado.
Ontem, foi a vez de Fernando Haddad (PT).
O programa teve início às 10h30 e vai até o meio-dia.
Os convites foram baseados no desempenho dos candidatos na pesquisa Quaest divulgada em 29 de julho.
Sabatina GLOBO/CBN/Valor: Haddad defende investigações contra Lulinha e diz que Flávio é 'risco institucional'
Na corrida à reeleição, Tarcísio, ao contrário de quatro anos atrás, depende cada vez menos do chamado "bolsonarismo raiz".
No discurso de sua convenção, realizada no início do mês, no Ginásio do Ibirapuera, na Zona Sul, o candidato evitou temas polêmicos (citou Jair Bolsonaro apenas uma vez, ao dizer que o ama) e focou em suas realizações, como a privatização da Sabesp e a entrega de obras que estavam prometidas havia anos, como o Rodoanel Norte e a ampliação do Metrô.
Outra diferença em relação à campanha de 2022 é o número de partidos que o apoiam.
Serão 12 legendas: PL, PSD, Novo, PRD, PSDB, Cidadania, Avante, Podemos, PP, União Brasil e MDB, além do próprio Republicanos.
Com uma ampla frente partidária, o governador conseguir diminuir o rol de concorrentes, o que pode facilitar sua busca pela reeleição.

Segundo o último levantamento da Quaest, divulgado no fim do mês passado, o governador lidera as intenções de votos com 15 pontos a mais que Haddad.
São 41% para Tarcísio, ante 26% para o petista.
Os outros três candidatos, juntos, somam cinco pontos, o que aponta para a possibilidade de resolução em primeiro turno, uma vez que a diferença entre a dupla supera a expectativa de votos dos demais.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.