O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) adiou a entrega das estações Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado, que formam o segundo trecho da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo. As duas paradas foram prometidas para outubro, mas a concessionária Linha Uni e a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) não cravaram uma nova data para a abertura, segundo o Brasil de Fato.
Inauguração no limite do calendário eleitoral O primeiro trecho foi aberto em 2 de julho.
A data caiu no limite do prazo da legislação eleitoral, que veda a participação de candidatos à reeleição em inaugurações de obras públicas nos três meses anteriores ao pleito. Ao abrir a linha antes desse bloqueio, o governo garantiu a propaganda com antecedência.
O restante da obra ficou para depois da votação, sem que o passageiro tenha recebido uma linha completa. Na abertura, seis das 15 estações previstas entraram em operação assistida.
O regime funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, sem cobrança de tarifa e sem integração com o restante da rede. O horário reduzido e a falta de integração tornam o trecho pouco útil no deslocamento diário.
A linha roda fora dos picos de entrada e saída do trabalho, quando o passageiro mais precisa. A promessa de outubro que não se cumpriu
Durante a inauguração, o governo estadual prometeu entregar Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado até outubro. Outubro passou, as estações não abriram e o tema saiu do discurso oficial.
Em nota, a Artesp informou que a conclusão do trecho tem ‘previsão de operação até o final deste ano’. O órgão regulador afirmou que alterações no cronograma são permitidas desde que passem por análise regulatória.
A concessionária Linha Uni disse não ter acréscimos ao posicionamento da Artesp. O gargalo transferido para depois da eleição
Dirigentes sindicais ligam o adiamento ao calendário eleitoral. Para Junior Luiz Barbosa Neto, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, o prazo de outubro nunca teve base técnica.
“Ao invés de esperar a conclusão de um trecho funcional para a população, optou-se por abrir algumas estações justamente para usar isso na eleição”, disse Junior. Segundo ele, a gestão criou um fato político consumado antes do período eleitoral e transferiu o gargalo real para a conclusão das obras.
“O governo Tarcísio assumiu um adicional bilionário somente para acelerar o cronograma e entregar o primeiro trecho antes da eleição”, afirmou. “A ação política fala mais alto e a população é quem sempre sofre.”
O secretário-geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Bernardo Figueiredo de Lima, cobra explicação técnica para o adiamento. “O governo Tarcísio, assim como o governo anterior, tem o costume de anunciar expansões na linha metroviária nos anos eleitorais, e a maioria delas não se confirma”, disse.
“Provavelmente essa é mais uma promessa frustrada do governo Tarcísio com a motivação de ganhar as eleições”, completou Bernardo. O sindicato já havia criticado a aceleração artificial dos prazos em julho, quando a linha abriu de forma parcial.
A Linha 6-Laranja foi anunciada em 2008, no governo José Serra (PSDB), e as obras começaram em 2015, na gestão Geraldo Alckmin (PSB). O empreendimento acumulou paralisações ligadas às investigações da Operação Lava Jato sobre as antigas empreiteiras responsáveis.
Em julho, o especialista em mobilidade urbana Rafael Calabria afirmou que a abertura parcial funcionou como estratégia eleitoral. “Na prática, a linha não está inaugurada ainda.
Ela está em uma operação controlada que eles chamam operação assistida”, disse. A Linha 6-Laranja tem 15,3 quilômetros e 15 estações, ligando a Brasilândia ao centro da capital.
Quem mora na zona norte segue dependente de ônibus e lotações nos horários de pico, e a operação assistida não atende aos fins de semana. O impasse segue sem resposta oficial sobre os motivos técnicos do atraso.
Nem a Artesp nem a Linha Uni explicaram o que impede a abertura das duas estações. Os sucessivos aditamentos de cronograma têm custo, e a conta recai sobre quem usa o transporte público.
“Esse prazo de outubro já era artificial, já se sabia que não se conseguiria entregar Brasilândia e Itaberaba nesse período”, disse Junior. O gasto extra citado pelo dirigente saiu do dinheiro público para encurtar o cronograma antes do pleito.
Esse custo não levou a linha completa para quem mora na zona norte. A Artesp mantém a previsão de operação do trecho até o fim do ano, sem data.
A promessa de outubro virou mais um prazo perdido da Linha 6-Laranja, e as estações seguem fechadas.
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