TAP Air Portugal avança em privatização com ofertas da Air France e Lufthansa; entenda disputa
O governo de Portugal convidou a Air France e a Lufthansa para avançarem na compra de uma parte da TAP Air Portugal. As empresas já tinham apresentado suas ofertas iniciais para adquirir uma participação minoritária na TAP, mas agora foram convidadas a apresentar propostas vinculantes. O passo formaliza a disputa por uma das últimas aéreas ainda controladas pelo Estado na Europa.
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Segundo o governo, as duas candidatas cumpriram todos os critérios exigidos até agora. Por isso, a estatal Parpública, que gere a fatia pública na TAP, recomendou que ambas seguissem para a próxima fase, decisão que foi aceita pelo ministro da Infraestrutura, Miguel Pinto Luz, segundo coletiva em Lisboa.
Independentemente de quem vença a disputa, o ministro destacou que a TAP terá de manter seu principal centro de operações em Portugal.
“As duas propostas são muito semelhantes em termos de dimensão estratégica, plano industrial e oferta financeira”, afirmou Pinto Luz, recusando-se a comentar a avaliação proposta por cada grupo aéreo. O governo espera chegar a uma decisão final em agosto ou no início de setembro, acrescentou.
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Portugal planeja vender até 49,9% da TAP, sendo que uma fatia inicial de 5% será reservada aos funcionários. Os dois grupos agora realizarão due diligence e devem apresentar propostas vinculantes em cerca de três meses, em linha com o cronograma de privatização previamente anunciado pelo governo.
Pessoas familiarizadas com o assunto já haviam dito no início da semana que as autoridades provavelmente levariam Air France-KLM e Lufthansa à próxima fase.
Ativo atraente
A empresa aérea portuguesa é valorizada por sua rede que conecta a Europa ao Brasil, à América do Norte e a partes da África, o que a torna um alvo atraente para grandes grupos aéreos que buscam expandir suas operações de longa distância.
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Na coletiva desta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Joaquim Miranda Sarmento, afirmou que a guerra no Irã criou incertezas no setor de aviação, mas não espera que isso afete a avaliação da TAP.
Sarmento também reiterou que a companhia precisa fazer parte de um grupo aéreo europeu maior para permanecer sustentável.
