Tai Chi Chuan e TCC: no Dia de Conscientização da Fibromialgia, especialistas reforçam importância do tratamento integrado

 

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Neste dia 12 de maio é celebrado o Dia Nacional de Conscientização à Fibromialgia, que ressalta também o Maio Roxo, mês dedicado à visibilidade da síndrome, que afeta cerca de 2,5% a 3% da população brasileira. É a segunda doença reumatológica mais comum, atrás apenas da osteoartrite.

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Com maior incidência em mulheres do que em homens, sobretudo entre 30 a 50 anos de idade, a fibromialgia se caracteriza por dores musculares generalizadas e crônicas, que podem durar mais de três meses, sem apresentar, no entanto, evidências de inflamação nos locais doloridos.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), os principais sintomas são:

Dor generalizada, que pode estar presente em diversos pontos do corpo;

Fadiga como falta de energia e cansaço excessivos, mesmo após dormir muitas horas;

Distúrbios do sono;

Sensação de formigamento em mãos e pés;

Dificuldades cognitivas, como problemas para se concentrar por longos períodos de tempo;

Ansiedade e ou depressão podem estar associados.

Em alguns casos, a doença pode causar incapacidade de trabalhar. Segundo o ortopedista Maurício Leite, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Americana de Cirurgiões Ortopedistas (AAOS), a incapacidade ocorre porque esses sintomas comprometem diretamente funções essenciais como atenção sustentada, produtividade, resistência física, tomada de decisão e regularidade funcional.

— Muitos pacientes conseguem executar uma tarefa isoladamente, mas têm extrema dificuldade em manter constância, desempenho e tolerância à jornada de trabalho prolongada. É como se o corpo estivesse permanentemente operando com a bateria crítica, e sem carregador por perto — explica o médico, acrescentando que profissões que exigem esforço físico contínuo, alta precisão, concentração prolongada ou intensa demanda emocional tendem a ser mais impactadas.

Novas diretrizes

Em maio deste ano, a SBR atualizou as diretrizes brasileiras para o tratamento da doença. O documento reforça a importância de abordagens não farmacológicas como educação do paciente, exercícios físicos, terapias psicológicas e tratamento interdisciplinar, além do uso racional de medicamentos. O relatório atualiza as recomendações de 2010, incluindo estudos científicos recentes.

De acordo com o presidente da SBR, o médico reumatologista José Eduardo Martinez, a síndrome está relacionada a alterações no processamento central da dor e costuma coexistir com quadros como ansiedade e depressão. Por isso, a abordagem deve ser centrada nas individualidades do paciente. Ele também destaca a importância da conscientização acerca da doença:

— A fibromialgia é uma doença com sintomas bastantes subjetivos, sem alteração no exame físico, que causa impacto negativo na qualidade de vida. Assim, toda iniciativa no sentido de esclarecer a população, os pacientes, seus familiares, e mesmo os profissionais de saúde, pode facilitar a abordagem e melhorar o grau de atendimento — afirma o especialista.

Após o diagnóstico da síndrome, é comum que os pacientes desenvolvam ou descubram outros quadros clínicos. É o caso da esteticista Ailana Torres Yassutake, de 40 anos, que foi diagnosticada com depressão, ansiedade, insônia, TDAH e síndrome do intestino irritável após a fibromialgia.

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— No dia a dia, convivo com dores constantes, fadiga crônica, distúrbios do sono, rigidez muscular, névoa mental e grande dificuldade de concentração — relata a mulher, que recebeu o diagnóstico há dez anos.

Terapias em foco

As novas diretrizes recomendam o uso de instrumentos validados para avaliar a gravidade da doença e a resposta ao tratamento, como questionários amplamente utilizados na prática clínica. Elas também apontam a importância do tratamento disciplinar, com foco em terapias que visam mitigar a dor, a fadiga e distúrbios do sono, além de aspectos emocionais, cognitivos, funcionais e metabólicos, como a obesidade.

O incentivo à prática de exercícios físicos, especialmente programas que combinam atividade aeróbica e treinamento de força, e à realização de tratamentos psicológicos como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), também se encontram nas novas diretrizes de abordagem clínica, ambos relacionados à melhora nas dores, na qualidade do sono e sintomas emocionais.

Entre práticas complementares sugeridas pela SBR, estão o Tai Chi Chuan, exergames (videogames que integram atividade física e exercício corporal) e práticas religiosas como apoio emocional.

Medicamentos

As novas diretrizes afirmam que os medicamentos para fibromialgia devem aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida, mas nenhum é capaz de controlar sozinho a doença. Amitriptilina, duloxetina e pregabalina são os remédios com melhores evidências científicas. Já os antidepressivos Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS), gabapentina, opioides, anti-inflamatórios, canabinoides, benzodiazepínicos e terapias intravenosas não são recomendados de forma rotineira por falta de eficácia comprovada e risco de efeitos adversos.