Suspeito matar modelo no Rio enganava namorada e até advogados com nome falso
Endreo Lincon Ferreira da Cunha, suspeito de matar a modelo Ana Luiza Mateus, com quem mantinha um relacionamento, enganava até pessoas próximas, como a namorada e os advogados, usando identidade do próprio irmão. A farsa só foi descoberta pela polÃcia no fim da tarde desta quarta-feira (22), poucas horas antes de ele ser encontrado morto na cela da Delegacia de HomicÃdios.
Segundo a PolÃcia Civil, Endreo cometeu suicÃdio durante a noite, em um momento em que não havia agentes monitorando diretamente a carceragem. Ele estava preso desde a manhã, após ser detido em flagrante pela morte de Ana Luiza.
O casal vivia um relacionamento conturbado e estava junto no apartamento alugado pela vÃtima, no 13º andar de um prédio na Barra da Tijuca. Ana Luiza caiu do imóvel e o corpo foi encontrado por volta das 5h30. As circunstâncias da queda ainda são investigadas.
De acordo com a polÃcia, momentos antes da morte, os dois chegaram ao condomÃnio discutindo. O delegado responsável pelo caso, Renato Martins, afirmou que Endreo teria se irritado ao saber que a modelo voltaria para a Bahia naquele mesmo dia.
Após a primeira discussão, o suspeito deixou o local e retornou pouco depois, quando o conflito se intensificou.
"Começa uma discussão, certamente pela decisão dela de ir embora, de tomar o seu rumo. Ele não aceita, sai do condomÃnio extremamente alterado. Quando retorna, há uma nova discussão acalorada. Vizinhos ligam para a portaria e, nisso, ocorre a queda", afirma o delegado.
Ainda segundo o delegado, Endreo chegou a afirmar que era "culpado" pela morte, mas não deu detalhes.
Depois da prisão, os investigadores descobriram que ele vinha usando o nome do irmão. Nem mesmo pessoas próximas sabiam sua verdadeira identidade.
Horas após a revelação, Endreo foi encontrado morto na cela. A carceragem da Delegacia de HomicÃdios, localizada nos fundos da unidade, recebe presos em flagrante antes da transferência ao sistema prisional e não conta com vigilância contÃnua — os agentes fazem inspeções periódicas.
Suspeito de feminicÃdio no Rio não estava sendo monitorado quando se matou em cela
Os detidos costumam permanecer apenas com roupas Ãntimas, mas, como ele vestia uma bermuda, foi mantido com a peça. Em um momento sem supervisão direta, utilizou o próprio short para se enforcar.
A Delegacia da Barra da Tijuca instaurou procedimento para apurar as circunstâncias da morte do suspeito.
Paralelamente, a investigação sobre a morte de Ana Luiza segue em andamento. Testemunhas, incluindo amigos e funcionários do condomÃnio Alfapark, já foram ouvidas, e imagens de câmeras de segurança estão sendo analisadas pela perÃcia.
Endreo é natural de Mato Grosso do Sul e possuÃa mais de 20 anotações criminais. Em um dos casos, foi condenado a três anos em regime aberto por atropelar um policial civil.
Ana Luiza Mateus era natural de Teixeira de Freitas, no sul da Bahia. Modelo, maquiadora e psicóloga, ela participou neste ano do concurso Miss Cosmo Bahia. Nas redes sociais, a organização do evento lamentou a morte e destacou que o caso reforça a necessidade de debate sobre a violência contra a mulher no Brasil.
