Suspeito de tentar desviar espólio do fundador da Unip, biomédico diz que acusações são 'falsas' e que não era sócio de empresa

 

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O biomédico e empresário Luiz Teixeira da Silva Junior, envolvido na divulgação de um laudo falso contra o deputado Guilherme Boulos nas eleições de 2024, publicou na noite desta segunda-feira uma nota na qual se defende da suspeita de participação em um esquema que teria tentado desviar R$ 845 milhões do espólio do empresário João Carlos Di Genio, fundador da Unip/Objetivo. A defesa do biomédico afirma que as acusações são falsas.

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Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Polícia Civil, Teixeira e seus associados teriam criado uma “história fantasiosa” para cobrar uma dívida inexistente da família Di Genio. O grupo apresentou um contrato de compra e venda de 448 imóveis em Piraju (SP), datado de novembro de 2021, cujas assinaturas do empresário — já falecido — e de seu procurador foram classificadas por peritos como “falsificações grosseiras”, produzidas por decalque e montagem.

Na nota, a defesa de Teixeira afirma que as acusações são falsas e acrescenta que ele não tinha vínculo com as empresas envolvidas no momento em que o crime teria acontecido.

"O contrato de compra e venda apontado como falso foi assinado em 2021. O Dr. Luiz só passou a fzer parte da empresa Colonizadora Planalto Paulista em 2023. Por isso é impossível, tanto no tempo quanto nos fatos, atribuir a ele qualquer participação na suposta falsificação desse documento", diz a nota. Leia o texto abaixo na íntegra:

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A fraude, de acordo com os investigadores, avançou com a criação de um simulacro de processo arbitral em uma câmara de fachada — o Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação Ltda (FONAMSP) — que resultou em uma sentença de R$ 845,8 milhões.

Ainda conforme o MP, Teixeira teria aderido conscientemente ao esquema, oferecendo sustentação financeira e jurídica ao ingressar com ações de execução judicial baseadas nos documentos falsificados.

O empresário ganhou notoriedade durante as eleições municipais de 2024. À época, ele foi acusado de falsificar a assinatura em um laudo médico divulgado pelo então candidato a prefeitura de São Paulo Pablo Marçal, que atribuía falsamente o uso de drogas a Boulos. Em nota sobre o caso de 2024, a defesa do biomédico afirmou que ele “nunca prestou atendimento” ao deputado e que seu nome e o de suas empresas teriam sido utilizados sem consentimento.

O documento do Ministério Público aponta ainda que Teixeira responde a processos por falsificação de assinaturas de representantes da empresa Planova Planejamento e Construções, em negociações de venda de lotes sem autorização da companhia. Ele também manteria relação próxima com Rubens Maurício Bolorino, condenado por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, que atuou como “testemunha” nos contratos apresentados pelo grupo.

O juiz Paulo Fernando Deroma De Mello decretou a prisão temporária de Teixeira por cinco dias, em decisão assinada em 23 de março de 2026. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados a ele em Jandira e Carapicuíba, com o objetivo de recolher dispositivos eletrônicos e documentos que possam detalhar a estrutura da organização criminosa.

A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros até o limite de R$ 85 milhões e a suspensão imediata das atividades da Colonizadora Planalto Paulista, empresa da qual o investigado detém 95% do capital social. Para as autoridades, as medidas são necessárias para evitar a destruição de provas digitais e interromper o uso do Judiciário para obtenção de vantagens ilícitas. Até a última atualização, não havia a informação de presos na operação