Suspeito de atirar em general russo de alto escalão em Moscou é preso em Dubai, afirma Rússia

 

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Um russo suspeito de ter atirado e ferido o general russo foi preso em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, informou o Serviço Federal de Segurança (FSB, na sigla em russo) da Rússia, segundo a AFP. O alto oficial de inteligência militar russo Vladimir Alekseyev foi baleado várias vezes na última sexta-feira (6) quando estava em um prédio residencial na rodovia Volokolamskoye, em Moscou.

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O general de alta patente precisou ser hospitalizado imediatamente após o ataque, segundo autoridades. O caso está sendo investigado como “tentativa de homicídio”. O Comitê de Investigação da Rússia informou que “um desconhecido disparou várias vezes” contra o general de alto escalão e fugiu do local.

O suspeito, um homem na casa dos 60 anos, foi "preso e entregue à Rússia" após fugir para Dubai. Segundo investigações da Rússia, ao menos outros dois homens estão envolvidos no ataque. Um desses suspeitos foi preso ainda em Moscou e outro fugiu para a Ucrânia, segundo a mídia russa citou o FSB.

No sábado, foram divulgadas informações atualizadas sobre a saúde do militar, que foi levado às pressas em estado grave após ser baleado. Alexeyev recuperou a consciência após passar por uma cirurgia bem-sucedida, segundo reportagens da mídia russa.

"Depois, Alexeyev foi colocado em coma induzido medicamente. Agora ele recuperou a consciência. Neste momento, pode-se afirmar cautelosamente que a ameaça à sua vida passou", disseram fontes médicas, segundo a agência estatal de notícias russa Tass.

Segundo uma fonte disse ao jornal econômico Kommersant, o militar foi ferido três vezes, na região do peito ou do abdômen, após sofrer uma emboscada.

Ainda de acordo com o jornal Kommersant, o agressor fingiu ser um entregador e atirou duas vezes contra o general na escadaria do prédio onde ele morava, ferindo-o no pé e no braço. Segundo a reportagem, publicada na sexta-feira, Alexeyev tentou tomar a arma dele e acabou sendo baleado novamente no peito, antes de o agressor fugir.

“A vítima foi hospitalizada em um dos hospitais da cidade”, disse o Comitê, sem detalhar informações sobre o agressor. A porta-voz Svetlana Petrenko afirmou que “estão sendo realizadas ações investigativas e medidas operacionais de registro para identificar a pessoa ou pessoas envolvidas”.

Segundo a BBC, estão sendo analisadas imagens de câmeras de segurança em busca de pistas e testemunhas também estão sendo ouvidas pelos investigadores.

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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, responsabilizou a Ucrânia pelo ataque a tiros contra o general, acusando Kiev de tentar sabotar as negociações sobre a guerra entre os dois países.

Em declarações transmitidas pela televisão, Lavrov afirmou que a Ucrânia está por trás do “ato terrorista” e disse que Kiev teria como objetivo “interromper o processo de negociação”.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, estava sendo informado sobre o ataque.

— Desejamos, antes de tudo, que o general sobreviva e se recupere. Esperamos que esse seja o caso — disse ele a jornalistas.

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Quem é o general baleado?

De acordo com relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso dos Estados Unidos, Alexeyev ocupa o cargo de primeiro vice-chefe da Diretoria Principal de Inteligência da Rússia (GRU), órgão responsável por operações de inteligência militar.

Oficial de carreira, ele foi condecorado com a medalha de Herói da Rússia por comandar operações de inteligência durante a intervenção russa na Síria, em apoio ao então líder Bashar al-Assad. Alexeyev também foi enviado para negociar com o chefe do grupo Wagner, Yevgeny Prigojin, durante a tentativa de motim contra a cúpula militar russa em 2023.

O general foi incluído em sanções da União Europeia e do Reino Unido depois que o GRU foi acusado de estar por trás do ataque com agente neurotóxico ocorrido em 2018 em Salisbury, no Reino Unido.

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Alexeyev também teve um papel significativo durante a guerra na Ucrânia, participando de negociações com autoridades ucranianas durante o cerco russo a Mariupol, em 2022.

O superior de Alexeyev no GRU, Igor Kostyukov, lidera a equipe russa que participa de negociações sobre questões de segurança com os Estados Unidos e a Ucrânia em Abu Dhabi.

Vários comandantes militares russos morreram desde que a Rússia lançou sua ofensiva em grande escala contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022, e a Ucrânia reivindicou a responsabilidade por alguns desses ataques.

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Recentemente, um tribunal russo condenou à prisão perpétua um homem uzbeque pelo assassinato, em 2024, do general Igor Kirilov, chefe das forças de defesa radiológica, química e biológica do exército russo, morto em Moscou em um ataque com um patinete armado, que a Ucrânia reconheceu ter organizado.

Em dezembro de 2025, outro oficial de alto escalão do GRU, o tenente-general Fanil Sarvarov, foi morto quando um artefato explosivo detonou sob um carro em Moscou. Segundo o Comitê de Investigação da Rússia, ele chefiava o departamento de treinamento operacional das Forças Armadas.