Suspeito de ataque em jantar com Trump em Washington é acusado por três crimes e pode ser condenado à prisão perpétua

 

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Cole Tomas Allen, acusado de tentar invadir um jantar onde estava o alto escalão do governo dos EUA, incluindo o presidente, Donald Trump, no sábado, compareceu pela primeira vez diante de um juiz federal e foi formalmente acusado por três crimes, e se for considerado culpado pode ser condenado à prisão perpétua. O Departamento de Justiça busca a condenação de Allen por um ato que pôs em xeque o aparato de segurança presidencial e já provoca movimentos políticos dentro do governo e aliados em Washington.

Na audiência, o magistrado disse que Allen, de 31 anos, se tornou réu em três acusações: transportar uma arma de fogo e munição com a intenção de cometer um delito; disparar uma arma de fogo durante um crime violento; e o mais grave, a tentativa de assassinar o presidente dos Estados Unidos.

Segundo a promotora designada para o processo, Jocelyn Valentine, Allen, que mora na Califórnia, viajou à capital americana munido de uma escopeta, uma pistola e três facas, "com a intenção de realizar um assassinato polítco". Ele não se declarou culpado ou inocente, e na quinta-feira o tribunal federal decidirá se ele continuará preso. Sua advogada, Tezira Abe, relatou que o suspeito não tem antecedentes criminais.

Na noite de sábado, Trump, o vice-presidente, JD Vance, e vários membros do Gabinete, além da primeira-dama, Melania, participavam do jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca, que reúne jornalistas que cobrem o cotidiano presidencial e que é marcado pelo tom relativamente descontraído, em comparação a outros eventos na capital americana. Mas o salão do hotel Washington Hilton, onde ocorria o jantar, ganhou tons de caos quando tiros foram ouvidos do lado de fora: Trump, Vance e seus secretários foram arrastados pelos agentes do Serviço Secreto, enquanto os convidados ouviam ordens para que se jogassem para baixo das mesas.

Imagens do sistema de segurança do hotel — o mesmo onde, em 1981, o então presidente Ronald Reagan foi vítima de um atentado que quase lhe custou a vida — mostram um homem identificado como Allen correndo em direção ao bloqueio montado pelo Serviço Secreto, quando os tiros foram efetuados. Um agente federal foi baleado, mas o projétil parou em seu colete balístico, sem deixar ferimentos sérios. O atirador, que estava hospedado no hotel, foi jogado no chão e algemado, e as armas citadas por Valentine apreendidas.

Allen, que pode ser condenado à prisão perpétua, é um engenheiro mecânico residente na Califórnia e conhecido mais invenções, como o protótipo de um freio de emergência para cadeiras de rodas, por seu histórico como professor, quando chegou a receber um prêmio em 2024, do que por sua atuação política. Ouvidos pela imprensa americana, seus colegas demonstraram espanto com as notícias de Washington, e o classificaram como uma pessoas gentil e inteligente. Também trabalhava como desenvolvedor de jogos, de acordo com seu perfil em uma rede social.

Mas as investigações mostraram que o suspeito de tentar matar Trump e boa parte de seu Gabinete comprou as armas levadas no sábado sem que sua família, com quem vivia na Califórnia, soubesse. Sua irmã declarou aos agentes que ele frequentava um clube de tiro regularmente.

Um ponto focal no inquérito é um manifesto de cerca de mil palavras no qual Allen expressa suas críticas ao meio político americano, especialmente ao presidente, e sugere que membros do alto escalão do governo seriam seus alvos, com exceção do chefe do FBI, Kash Patel — em determinado trecho, quando elenca feitos questionáveis de Trump, como a política migratória, chama o presidente de "traidor". Por fim, pediu desculpas a parentes e amigos por sua decisão.

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