SUS vai oferecer teste genético para câncer de mama; entenda
O Ministério da Saúde publicou, nesta quarta-feira, uma portaria no Diário Oficial da União incorporando o teste genético para identificação de mutação nos genes BRCA1 e BRCA2, ligadas ao câncer de mama, no Sistema Único de Saúde (SUS). As áreas técnicas terão o prazo máximo de 180 dias para efetivar a oferta na rede pública.
Entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), que solicitou a incorporação, e a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) celebraram a medida como um importante avanço no combate à doença.
A tecnologia permite identificar as duas mutações, que são associadas ao risco hereditário do câncer de mama. Os genes ganharam repercussão com o caso da atriz Angelina Jolie, que fez um teste do tipo, descobriu uma mutação BRCA1 e decidiu fazer uma mastectomia (remoção total ou parcial da mama) para reduzir o risco de desenvolver o câncer.
Segundo a SBM, estudos populacionais recentes indicam que os casos do câncer de mama associados a causas hereditárias, ou seja, caracterizados por uma predisposição familiar e que podem passar de geração para geração, representam cerca de 5% a 10% do total, e que aproximadamente metade desses casos são causados por alterações nos genes BRCA1 e BRCA2.
Além disso, os estudos indicam que pessoas com mutação nos genes BRCA1 e BRCA2 têm mais chances de desenvolver não só câncer de mama, cujo risco chega a ser de 60% a 80% maior, como de ovário, cujo risco aumenta de 20% a 40%, entre outros.
A presidente do Departamento de Oncogenética da SBM, Alessandra Borba, destaca que “há mais de dez anos o acesso ao teste genético existe nos planos de saúde, mas ainda não é plenamente disponibilizado na rede pública”, apenas em alguns estados que têm medidas locais.
Para o mastologista Henrique Lima Couto, presidente da SBM-Regional Minas Gerais que conduziu um estudo de avaliação econômica e impacto orçamentário da incorporação do teste no SUS, “este é um momento histórico”.
De acordo com a entidade médica, a partir da identificação da mutação genética, medidas redutoras de risco, como mastectomia e salpingo-ooforectomia (retirada das trompas e dos ovários), podem reduzir significativamente o desenvolvimento da doença, diminuindo custos de novos tratamento no SUS e salvando vidas.
“Em termos de custo-efetividade da testagem, há otimização dessa efetividade quando são incluídos familiares assintomáticos por caso alterado e a viabilização de cirurgias redutoras de risco de câncer de mama, trompas e ovários, além de exames de imagem personalizados para detecção precoce de outros cânceres, mitigando custos futuros com tratamentos de doenças avançadas”, diz Alessandra, em nota.
Agora, a incorporação deve ser planejada de forma escalonada pela área técnica do ministério, começando com a definição de uma população-alvo inicialmente restrita, mas que se amplie gradualmente.
