Surto de dengue avança em Santa Teresa e já soma dezenas de casos em área crítica
Um trecho específico de Santa Teresa, na Zona Sul do Rio, tem concentrado um número crescente de casos de dengue e chikungunya e preocupado moradores. A área que engloba as ruas Laurindo Santos Lobo, Monte Alegre e Áurea já registra ao menos 52 pessoas infectadas, segundo a Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast).
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O avanço da doença foi tema de uma reunião realizada nesta quarta-feira (1°) pelo conselho de saúde do bairro. Durante o encontro, moradores e entidades locais discutiram a concentração de casos em pontos específicos e a expansão para outras regiões.
— Já são pelo menos 52 moradores infectados nesse trecho. É um grande foco e ele está se expandindo — afirma o presidente da Amast, Orlando Lemos.
“Zona de alto risco”: faixas expõem preocupação de moradores com avanço da dengue em Santa Teresa
Divulgação
Diferente de áreas mais verticalizadas da cidade, Santa Teresa mantém características históricas, com muitas casas antigas e quintais amplos, herança de um passado marcado por chácaras. Esse cenário, segundo moradores, favorece o acúmulo de água parada e cria condições ideais para a proliferação do mosquito transmissor, o Aedes aegypti.
— Você encontra muitos quintais com água parada, objetos abandonados; situações que facilitam o surgimento de focos — explica Lemos.
Outro fator que preocupa são imóveis fechados ou abandonados, que acabam funcionando como criadouros sem controle. A dificuldade de acesso a esses locais é apontada como um dos principais entraves para conter o avanço da doença.
Mapa apresentado em reunião do conselho de saúde de Santa Teresa nesta quarta-feira revela a distribuição dos casos: vermelho indica dengue, e azul, chikungunya
Divulgação
A partir dos mapas apresentados na reunião, moradores identificaram que o foco inicial já começa a se espalhar para outras áreas do bairro. Há registros recentes de casos avançando em direção ao Fallet, ao entorno do Largo dos Guimarães e também à Rua do Oriente.
— Esse foco agora está se estendendo. A gente já vê um avanço da circulação da doença para outras áreas — diz Lemos.
Apesar da presença de um posto de saúde nas proximidades, moradores avaliam que as ações de combate ainda não são suficientes diante das características do bairro, onde grande parte dos focos está dentro de propriedades privadas.
Faixas de alerta
Em um pequeno trecho de Santa Teresa, ao menos quatro faixas com a mesma mensagem foram instaladas por moradores para chamar atenção sobre o avanço da dengue e da chikungunya na região.
Os avisos classificam o local como uma “zona de alto risco”, alertando tanto quem vive quanto quem circula pelo bairro sobre o número crescente de casos.
As imagens das faixas também se espalharam por grupos de redes sociais, reforçando o apelo da comunidade. Na mensagem, moradores relatam que diversas pessoas já foram infectadas e apontam a existência de focos em casas abandonadas.
“Atenção! Moradores de Santa Teresa, as ruas Monte Alegre, Laurinda Santos Lobo e Áurea, se uniram para chamar a atenção da mídia e pedir ajuda. Muitas pessoas já estão infectadas, em meio a um surto de dengue e chikungunya, com diversos focos em casas abandonadas. Pedimos que as autoridades competentes, como a Secretaria de Saúde e a Prefeitura, tomem providências urgentes. Vamos combater esse perigo!”, diz o texto divulgado.
Procurada, a prefeitura não respondeu sobre os casos das doenças em Santa Teresa até a publicação desta reportagem, que será atualizada caso haja posicionamento.
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