Tomar um suplemento antes do treino, outro durante a atividade e mais alguns depois deixou de ser apenas uma estratégia pontual para parte dos frequentadores de academia. Nas redes sociais, a combinação de creatina, pré-treino, cafeína, eletrólitos, proteínas e carboidratos aparece cada vez mais como parte de uma rotina cuidadosamente montada. A prática, conhecida como supplement stacking, transforma a suplementação em uma espécie de ritual que acompanha diferentes momentos do exercício. Ube: o roxo virou a nova aposta do universo wellness? Saiba o que está por trás da febre Do sono à disposição: por que suplementos viraram febre no TikTok Do 'proteinmaxxing' à dieta: por que Virginia Fonseca e outras famosas colocaram a proteína no centro da alimentação? A ideia é reunir produtos com funções distintas e organizá-los de acordo com o horário ou a finalidade pretendida. Vídeos com potes, cápsulas, pós e bebidas preparados em sequência ajudam a popularizar o hábito e podem passar a impressão de que uma rotina esportiva mais completa depende de uma lista extensa de fórmulas. Para a farmacêutica Unna Abrantes, combinar diferentes suplementos não é, por si só, um problema. A questão está em adotar protocolos prontos sem considerar as características e necessidades de cada pessoa. "Não existe um número de suplementos que determine se uma estratégia é boa ou ruim. O que precisamos entender é por que cada produto está sendo utilizado, em qual dose e se existe realmente necessidade. Quando a pessoa simplesmente copia um ‘stack’ que viu nas redes sociais, ela pode estar consumindo substâncias desnecessárias ou até repetidas em diferentes fórmulas", explica. Creatina e pré-treino: combinação popular Entre os pares mais comuns está a associação entre creatina e pré-treino. Os produtos, no entanto, têm propostas diferentes e a presença dos dois na mesma rotina não significa necessariamente um efeito maior. "A creatina está relacionada principalmente à disponibilidade energética para esforços de alta intensidade e pode contribuir para força e desempenho em determinados contextos. Já muitos pré-treinos utilizam estimulantes, como a cafeína, para aumentar disposição e percepção de energia. Colocar os dois na mesma rotina não significa automaticamente potencializar resultados", afirma. Atenção à soma de cafeína Os estimulantes merecem atenção especial quando diferentes produtos são consumidos ao longo do dia. Café, bebidas energéticas, termogênicos e pré-treinos, por exemplo, podem contribuir para a ingestão total de cafeína. "Às vezes o problema não está em um único produto, mas na soma. A pessoa toma café, depois utiliza um pré-treino e ainda acrescenta um energético. O excesso de estimulantes pode provocar palpitações, ansiedade, tremores, desconfortos gastrointestinais e alterações no sono. E prejudicar o sono também prejudica recuperação e performance", alerta a farmacêutica. 'Supplement stacking': nova tendência fitness cria 'coquetéis' de suplementos para o treino Magnific Eletrólitos e carboidratos entram na rotina Bebidas com eletrólitos e carboidratos também ganharam espaço nos conteúdos voltados ao exercício. A indicação, porém, depende do tipo de atividade e das condições em que ela é realizada. "Carboidratos e eletrólitos podem ter aplicações importantes, principalmente dependendo da modalidade, duração, intensidade do exercício, temperatura e perda de líquidos. Mas isso não significa que toda pessoa que faz uma hora de academia precise transformar a água em uma mistura de suplementos", pondera. Mais produtos não significam mais resultado Um dos riscos de transformar a suplementação em um protocolo cada vez mais extenso é criar a percepção de que a quantidade de produtos está diretamente ligada aos resultados físicos. Na prática, pessoas que praticam a mesma modalidade podem ter necessidades diferentes, de acordo com alimentação, composição corporal, intensidade dos exercícios, objetivos e rotina. "O suplemento pode complementar aquilo que a alimentação e a estratégia esportiva precisam entregar, mas não substitui treino, alimentação, hidratação e descanso. O corpo não responde melhor simplesmente porque colocamos mais produtos na rotina", destaca Dra. Unna. Antes de incorporar um novo item, a farmacêutica sugere avaliar qual é a finalidade daquele produto e se ele realmente faz sentido dentro do conjunto. A análise também ajuda a identificar possíveis sobreposições entre fórmulas e evitar o consumo desnecessário de determinadas substâncias. "Se a pessoa não consegue explicar por que aquele suplemento está na rotina, talvez seja hora de reavaliar. Uma estratégia bem planejada não é aquela que tem mais potes. É aquela em que cada escolha possui uma finalidade", conclui.
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'Supplement stacking': nova tendência fitness transforma suplementos em 'coquetéis' para o treino
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O Globo
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