As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul custaram R$ 88,9 bilhões, segundo a avaliação de danos e perdas feita por BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Cepal e Banco Mundial. Do total, 69%, ou R$ 61 bilhões, recaíram sobre o setor produtivo. A conta ajuda a explicar por que um projeto nascido da análise daquela tragédia mira, além de governos e forças de defesa, também o comando de empresas. O projeto é uma plataforma autônoma de superioridade decisória, liderada pela Teltex, integradora de tecnologia com mais de três décadas de mercado e credenciada pelo Ministério da Defesa como EED (Empresa Estratégica de Defesa). No vocabulário militar, superioridade decisória é a vantagem de decidir com informação melhor e agir mais rápido do que o problema, ou o adversário, consegue evoluir. A origem está na trajetória do Capitão Roberto Farina, porta-voz da Defesa Civil do Estado de São Paulo durante a atuação paulista no Rio Grande do Sul. Farina transformou o que viu em campo na dissertação "O papel da informação na gestão do conhecimento em desastres naturais: o caso da Defesa Civil de São Paulo na tragédia do Rio Grande do Sul", defendida e aprovada em 2026 no Mestrado em Administração da ESPM. A conclusão é que, sem uma forma estruturada de organizar a informação, a organização decide pior durante a crise e desperdiça o conhecimento que a tragédia gera. "Crise não pede só gestão, pede liderança. E liderar sob pressão não pode depender apenas da intuição de quem está no comando nem da memória de quem estava lá", afirma Farina. Com o diagnóstico em mãos, o Grupo NEOeX fez um benchmark com o mercado de defesa e chegou a Bruno Rosa, CTO da Teltex. A base científica vem de duas ICTs (Instituições Científicas e Tecnológicas). Do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) vem a coordenação do Comandante Marcos dos Santos, oficial da Marinha do Brasil com mais de 30 anos dedicados à Pesquisa Operacional e à tomada de decisão em Defesa, com participação do professor Miguel Lellis, do ITA Fortaleza. A UFCG (Universidade Federal de Campina Grande), quarta colocada nacional em depósitos de patentes de invenção no Anuário 2025 do INPI, com 84 pedidos, completa o grupo. O arranjo segue o desenho que o Ministério da Defesa estimula para a Base Industrial de Defesa, setor que a pasta estima em 3,58% do PIB. A Pesquisa Operacional entra pelos métodos de apoio multicritério à decisão, que comparam alternativas quando os critérios puxam para lados opostos, como velocidade, custo, risco e alcance. O modelo torna o peso de cada critério explícito e auditável, o que facilita explicar a escolha depois a conselhos, órgãos de controle ou à própria equipe. "A Pesquisa Operacional não tira a decisão do líder. Ela organiza as alternativas, deixa claro o peso de cada critério e reduz o espaço para o viés na hora em que todo mundo está cansado e com medo de errar", diz. A tecnologia é uma ponta da estratégia de Farina. A outra é gente. Com a experiência acumulada na segurança de shopping centers, o Grupo NEOeX oferece treinamento para que profissionais de segurança privada assumam cargos de liderança e chefia, com conteúdos de liderança, gerenciamento de crise, gestão de KPIs, negociação, análise de risco e tomada de decisão. O momento do setor favorece a aposta. O Decreto nº 13.012, de junho de 2026, regulamentou o Estatuto da Segurança Privada e colocou a formação de profissionais entre os serviços controlados pela Polícia Federal. Na assinatura, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, estimou que as empresas autorizadas podem passar de cerca de 7 mil para mais de 17 mil nos próximos anos, com aproximadamente 1 milhão de empregos. "Em segurança privada, muita gente chega à chefia porque era o melhor vigilante do posto, e ninguém ensinou a essa pessoa como liderar uma equipe, negociar ou decidir numa emergência. É essa lacuna que a gente quer fechar", afirma. Para Farina, plataforma e formação respondem ao mesmo problema: organizações que enfrentam crises com informação espalhada e líderes que nunca foram preparados para decidir sob pressão. "A plataforma nasce para que a próxima crise encontre líderes mais preparados, com a informação organizada em tempo real e o conhecimento da última operação disponível para a seguinte", diz.
Superioridade decisória: lições do RS viram plataforma com Teltex, ITA e UFCG
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