Super El Niño leva espécies tropicais exóticas à beira das praias

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Praia na California, nos Estados UnidosUnsplash A chegada de um El Niño excepcionalmente forte, neste ano, trouxe aparições incomuns para o litoral da Califórnia, nos Estados Unidos; entre as novidades, estão peixes que nunca haviam sido vistos na região, uma serpente-marinha altamente venenosa e ninhos de tartarugas. As informações são da agência Reuters.As aparições se dão devido às águas aquecidas do oceano, que são empurradas para a costa mais ao norte por conta do El Niño, fenômeno natural que se repete a cada poucos anos; juntamente com as águas, também são levadas espécies tropicais.O efeito vêm atraindo a atenção de cientistas, pescadores e frequentadores das praias locais, após os registros feitos por drones. De acordo com Nate Jaros, vice-presidente de cuidados com os animais do Aquarium of the Pacific, em Long Beach, o fenômeno está causando uma comoção da população: "Há uma grande agitação. Os pescadores, com certeza, estão adorando".Primeiros registrosNo mês passado, um exemplar de peixe-cacique (Priacanthus arenatus), conhecido em inglês como longfin bigeye, foi avistado pela primeira vez na Califórnia. Segundo William Ludt, curador que cuida do estudo de peixes no Museu de História Natural do Condado de Los Angeles, um pescador capturou o peixe no píer de Venice.Em setembro, dois ninhos de tartaruga-oliva foram encontrados em praias do Condado de Orange. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos, foi o primeiro registro de ninho de qualquer espécie de tartaruga-marinha na costa oeste do país. O primeiro foi achado por um frequentador de Seal Beach, em 16 de setembro, e o segundo, três dias depois, por um salva-vidas de Huntington Beach.Também apareceram tubarões-baleia, tubarões-martelo, peixes-voadores e raias-manta. Chris Lowe, diretor do laboratório de estudo de tubarões da Universidade Estadual da Califórnia em Long Beach, afirmou que uma área de reprodução de tubarões-brancos reapareceu na Baía de Santa Mônica pela primeira vez desde 2011.Em setembro, uma serpente-marinha-de-barriga-amarela (Hydrophis platurus), aparentemente doente, chegou à costa do Condado de Orange. Uma pessoa que estava na praia usou uma folha de palmeira para tirá-la da areia e devolvê-la ao mar enquanto outras filmaram a ação.Serpente-marinha-de-barriga-amarelaReprodução A espécie é conhecida por sua presença nos oceanos Pacífico e Índico e seu tamanho, que pode chegar a até 90 centímetros de comprimento. Por mais que a serpente seja uma predadora veloz, quando está fora da água ela tende a ficar imóvel muito vulnerável.Ludt informou que há apenas seis ou sete registros confirmados do animal no estado, com o último tendo sido feito durante o El Niño de 2015-2016. A serpente é extremamente venenosa, e seu veneno afeta o sistema nervoso e muscular.Por mais que seja perigosa, quase não existem registros de acidentes com seres humanos e a espécie é considerada dócil, pois não ataca pessoas sem um motivo aparente.Pesca e alerta no litoralPara o setor pesqueiro, o fenômeno trouxe resultados expressivos. Donna Kalez, co-proprietário da Dana Wharf Sportfishing & Whale Watching, em Dana Point, contou que os pescadores capturaram cerca de 5 mil atuns-amarelos neste ano, três mil a mais do que no ano passado.Por mais que o cenário seja positivo para a pesca, a Califórnia já enfrentava uma onda de calor marinho atípica antes mesmo da chegada do El Niño, e o evento coincidiu com uma sequência de furacões no Pacífico oriental. Com a combinação, o nível do mar ficou elevado e grandes ondas foram formadas, invadindo casas e removendo areia de praias no sul do estado.Diante da previsão de mais impactos neste inverno, o governo estadual declarou estado de emergência.Especialistas preveem que as condições voltem ao normal quando o El Niño terminar, no próximo ano. A principal preocupação de curto prazo são as algas, que prosperam em águas mais frias e servem de habitat para diversas espécies.Para Lowe, o impacto varia conforme o animal: pode ser positivo para alguns tubarões e negativo para outros. Ele observou que organismos sem mobilidade sofrem mais, enquanto a maioria dos tubarões simplesmente pode se deslocar. Ludt, por sua vez, avalia que novas espécies ainda podem aparecer. "O processo ainda está em pleno andamento", disse.

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