Melhor desempenho entre as regiões do Estado do Rio de Janeiro no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), que avalia as áreas de Saúde, Educação, Emprego e Renda (veja quadro abaixo), o Sul Fluminense reúne 18 cidades com características econômicas distintas.
Volta Redonda e Barra Mansa concentram atividades siderúrgicas, metalúrgicas e metalmecânicas associadas à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
Com montadoras de veículos e produção de peças, Resende, Porto Real, Itatiaia e Quatis integram o principal eixo automotivo do estado.
Angra dos Reis, Paraty e Mangaratiba combinam turismo, atividades marítimas e infraestrutura energética, enquanto o Vale do Café reúne cidades com patrimônio histórico e forte potencial turístico.
Estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan) de abril deste ano aponta que a indústria representa 41,2% da economia regional e 25% dos empregos.
Mas o desenvolvimento local não afasta da região problemas crônicos do estado.
Violência, falta de infraestrutura e prevenção a desastres naturais, além de transporte público caótico, são apontados pela população como demandas para o próximo governo.
A força econômica do Sul Fluminense ainda contrasta com desafios em áreas essenciais como serviços públicos, mobilidade e redução de desigualdades.
Na segurança pública, Volta Redonda destaca-se ao investir em monitoramento tecnológico das vias da cidade, alcançando diminuição de índices de criminalidade entre janeiro e julho, em relação ao mesmo período do ano passado, com queda em roubos ao comércio, de 13 para quatro ocorrências, e de rua, de 34 para 15, além de zerar o número de latrocínios.
Em contrapartida a esses avanços, a violência ainda impõe restrições: o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) precisou alterar 66 locais de votação em 20 municípios em função do risco de interferência de facções criminosas, impactando 188 mil eleitores no estado.
Especificamente no Sul Fluminense, cerca de 11,5 mil pessoas foram afetadas por seis remanejamentos em Volta Redonda, Pinheiral e Resende.
Em paralelo à violência, os gargalos de infraestrutura seguem em pauta, levando o município de Barra do Piraí a cobrar na Câmara dos Deputados melhorias urgentes para um trecho de 50 quilômetros da rodovia BR-393, alvo de constantes queixas sobre falta de manutenção e alto índice de acidentes.
Uma pressão do governo do estado reforçaria o pedido.
Preocupação postada nas redes
A partir de uma análise de publicações dos principais perfis de notícias locais nas redes sociais, é notável o destaque de relatos sobre temas ligados à segurança.
São citadas apreensões de drogas e armas de grosso calibre em áreas de mata, prisões por porte ilegal em terminais e rodovias, mortes por armas de fogo em bairros residenciais e roubos a embarcações na Costa Verde.
Também aparecem investigações contra agentes de segurança e denúncias feitas pelos próprios moradores em grupos de mensagens mantidos pelas prefeituras.
O plano de governo do candidato ao Palácio Guanabara Eduardo Paes (PSD) para a região prevê incentivos à abertura de vagas de emprego formais para jovens, qualificação profissional, apoio para novas empresas e combate à violência.
Já Douglas Ruas (PL) pretende recuperar estradas para melhorar o turismo e o escoamento da produção do campo, além da retomada de territórios dominados pelo crime.
Anthony Garotinho (Republicanos) promete melhorar a logística da região com foco na indústria, abertura de vagas de emprego e combate à violência.
Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM)
Editoria de Arte
Entenda as alianças políticas: articulações passam por prefeitos
A dinâmica política do Sul Fluminense tem como ponto central Volta Redonda, onde o prefeito Antônio Francisco Neto (PP) se consolida como a principal liderança municipal.
Reeleito em 2024 para seu sexto mandato, ele é peça-chave para os candidatos a governador conquistarem votos na região.
Ainda sem anunciar seu candidato, Neto já recebeu Eduardo Paes, Douglas Ruas e Anthony Garotinho.
O prefeito é ligado ao deputado federal Dr.
Luizinho, presidente estadual do PP.
O parlamentar apoia Paes.
Irmão de Neto e deputado estadual, Munir Neto deixou o PSD e se filiou ao Solidariedade.
É próximo de Ruas, assim como o prefeito de Rio das Flores, Rodrigo de Almeida (MDB).
Ruas encontra barreiras para fechar apoios com prefeitos do Sul.
Garotinho, sem palanques, também.
Durante a pré-campanha, Paes e seus emissários visitaram a região em busca de articulações.
E deu resultado.
Pelo menos 13 prefeitos estão engajados em sua campanha.
Entre os caciques que declararam apoio está o ex-governador do Rio e prefeito de Piraí, Luiz Fernando Pezão (MDB), que recentemente reuniu vários prefeitos para um encontro com Paes.
Seu filho, Betão Pezão (PDT), é candidato a deputado estadual e apoia Paes.
Também lideranças no Sul, os deputados estadual André Corrêa (PSD) e federal Áureo Ribeiro (SDD) intermediaram articulações.
As alianças e discursos, porém, não seguem a lógica ideológica ou a polarização.
Neto e o prefeito de Barra Mansa, Luiz Antônio Furlani (PL), associados ao campo conservador, agradecem publicamente a nomes da esquerda, como o deputado federal Lindbergh Farias (PT), e ao governo federal por recursos e obras para suas cidades.
O que a população quer para a região
Anna Carolina Carota
Arquivo pessoal
Moradora de Volta Redonda, Anna Carolina Carota, de 23 anos, desempregada, aponta a segurança pública como uma das áreas que precisam de investimentos, assim como meio ambiente e transporte:
— Gostaria que o governador eleito focasse muito na segurança.
A gente anda na rua e é assaltado, sem contar que a população tem que lidar com facções, com milícias cobrando coisas que não deveriam ser cobradas por elas, como água e internet — disse.
— Meio ambiente é um segundo ponto a focar.
Volta Redonda é uma cidade poluída — acrescenta.
Já a moradora de Mangaratiba Creuza Ferreira, de 68 anos, costureira, chama a atenção para o estado ruim das estradas, em especial a RJ-014 (Ibicuí-Mangaratiba), a saúde e a violência:
— Precisamos de atendimento médico de excelência para que a gente não tenha de ir a outro lugar, e contenção do avanço de milícias na região.
* Esther Barros e Vítor Medeiros: graduanda em Administração (UFRJ) e graduando em Ciências Sociais (UFRJ), sob a supervisão de Marcelo Remigio
PROJETO TAMO JUNTO: É uma parceria do EXTRA com o Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (Lappcom) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em que jornalistas e pesquisadores focalizam o processo eleitoral deste ano em sete regiões do Estado do Rio de Janeiro, abordando problemas, apontando soluções e apresentando propostas dos planos de governo dos principais candidatos.
Sul Fluminense: potência econômica, região tem problemas em comum com outras regiões do estado
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