Sucessor de Paes na prefeitura do Rio garante que sua gestão será de continuidade: 'Não penso em eleição, só no dia de amanhã'

 

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Após o prefeito mais longevo da história do Rio, Eduardo Paes (PSD), deixar o cargo na sexta-feira para disputar o governo do estado, Eduardo Cavaliere (PSD) assumiu como o mais jovem que a cidade já teve. Aos 31 anos, o xará e pupilo do antecessor garante que a nova gestão é de continuidade, com as mesmas metas a serem cumpridas até 2028 e definidas no Plano Estratégico do município, mas com novidades no ordenamento urbano. Os agentes da Guarda Municipal (GM) que não forem para a Força Municipal, tropa de elite armada, reforçarão as ações da Secretaria de Ordem Pública (Seop), como a fiscalização do comércio ambulante e o combate ao estacionamento irregular, maior reclamação dos cariocas por meio do serviço 1746. Para inibir os flanelinhas, a ideia é digitalizar o Rio Rotativo, que hoje é pago em dinheiro.

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Uma crítica ao seu antecessor é que houve falhas na ordem urbana. O que vai mudar?

É óbvio que não está tudo perfeito. A gente tem que continuar avançando. A Secretaria de Ordem Pública (Seop) terá mais foco no ordenamento da cidade, com apoio dos agentes da GM que não forem selecionados para a Força Municipal, que vai absorver 70% do pessoal. Vamos ter cerca de 600 guardas vinculados à Seop. E o outro efetivo vai se concentrar na operação de trânsito. Estamos concluindo essa reformulação.

A Força Municipal tem 600 agentes. A meta é chegar a 4,2 mil até 2028, com impacto de R$ 600 milhões na folha de pagamento por ano. Há dinheiro?

Vamos selecionar mais 600 agentes treinados e focados no combate a roubos e furtos, para chegarmos a 1,2 mil agentes até o fim deste ano. Com boa gestão, teremos recursos. É um compromisso e vamos entregar.

Como combater flanelinhas?

Vamos digitalizar o Rio Rotativo, usando a plataforma do Jaé, da mesma forma que o sistema é usado nos ônibus. O valor do tíquete permaneceria em R$ 2 sendo pago por meio da geração de um token. O carioca vai saber que não precisa pagar a ninguém, acabando com a extorsão. Isso facilitará a fiscalização contra os flanelinhas. Guardadores legalizados, vinculados a sindicatos, fiscalizarão (se os motoristas pagaram pela vaga) pelo aplicativo.

A principal queixa da população no 1746 é o estacionamento irregular. Há poucos reboques em operação. O que pretende fazer a respeito disso?

Com a reorganização da Seop e da GM, a gente vai ter uma divisão voltada exclusivamente para isso. Pelo perfil da Seop, o uso de informações do 1746 é muito mais eficaz. Vamos em breve detalhar esse plano, mas antecipo que teremos mais agentes e reboques com esse foco.

A previsão é demolir o Elevado Trinta e Um de Março como parte do projeto Praça Onze Maravilha. Vai acontecer?

O Reviver Centro terá mudanças?Enviamos para a Câmara do Rio o projeto. Ele prevê mudanças nas regras para construção no projeto Reviver Centro. A ideia é oferecer em contrapartida a quem investir no Centro incentivos urbanísticos para projetos na Zona Norte. Há propostas nesse sentido a serem analisadas, e vamos aprimorar o projeto de lei. Depois de votado, vamos discutir a questão do elevado.

Os serviços do BRT melhoraram, mas o que esperar das linhas tradicionais?

A principal reclamação da população em 2024 era a qualidade do serviço prestado pelos ônibus. O primeiro passo para fazer essas mudanças foi ter o controle da bilhetagem eletrônica (a troca do Riocard, controlado pelas empresas, pelo Jaé). (Com as novas licitações) já teremos este ano 500 ônibus novos chegando à Zona Oeste. E vamos chegar a 2028 com a frota renovada ou, pelo menos, com os contratos assinados.

Dados do Sisreg mostram que ainda há filas para exames e atendimentos na rede. A promessa lá de 2020 era zerar. O que fazer?

A gente acaba de inaugurar na Zona Oeste o segundo Super Centro Carioca de Saúde (polo de referência para exames e consultas), em Campo Grande, que era compromisso da campanha. Vamos construir outro na Zona Norte. Além disso, voltamos a ampliar a rede de atenção básica e municipalizamos dois hospitais federais (Andaraí e Cardoso Fontes) que estão sendo reformados com vários serviços já tendo sido reabertos.

O Plano Estratégico prevê que 70% da população que sofre de obesidade mórbida, 90 mil pessoas, terá tratamento com canetas emagrecedoras até 2028. Como será?

As primeiras doses de Ozempic foram aplicadas dentro de uma versão ainda em forma de projeto de pesquisa. A gente tem uma licitação para acontecer para dar escala ao programa.

A prefeitura fechou acordo que trocou dívidas do Jockey Club pela antiga sede social na Avenida Almirante Barroso. O que será feito do prédio?

Nossa visão é que ele pode ser uma âncora para revitalizar o Centro do Rio. Ainda faremos um estudo. Mas pode ser hospital, faculdade, shopping. A ideia é fazer uma operação semelhante à que fizemos com o edifício A Noite, na Praça Mauá, que nós adquirimos e revendemos ao setor privado.

Com quais marcas pretende chegar à eleição de 2028?

Não penso na eleição, só no dia de amanhã. A mensagem é clara: represento o projeto apresentado nas urnas em 2024.

Haverá a saída de diversos secretários para disputar eleição, nomes do núcleo duro de Paes. O que pretende fazer?

Todos deixarão seus sucessores na prefeitura. É uma sucessão natural, com continuidade. As políticas vão continuar. Já a sucessão estadual, diferente da nossa, está incerta.

Mas pretende, em algum momento, deixar a gestão mais com a sua cara?

A minha cara é a cara do governo Paes, que já era o governo Cavaliere. Fomos eleitos como Paes-Cavaliere, assumo como Paes-Cavaliere e vou chegar a 2028 como Paes-Cavaliere.

O histórico de rompimentos e traições entre aliados no Rio não assusta? Tivemos diversos parceiros de Cesar Maia virando dissidentes, o mesmo com Leonel Brizola…

Tenho certeza da confiança do prefeito Eduardo Paes em mim. Aqui da cidade do Rio, faremos de tudo para o projeto estadual dele. Com Eduardo Paes governador, tenho certeza de que não haverá terceirização da responsabilidade na segurança pública para os prefeitos e o presidente da República, como há hoje.

O PSD entrou no STJ pedindo até o afastamento de Cláudio Castro por causa do suposto uso da Polícia Civil no caso da prisão do vereador Salvino. Concorda que cabe punição?

Sem dúvida. A cada dia que passa fica mais comprovada a ausência de provas para se justificar uma prisão arbitrária, violenta contra um vereador eleito. Já vimos isso em outros momentos no Brasil e sabemos que não dá para aceitar nada que flerte com esse autoritarismo.

O senhor fez críticas duras ao presidente Lula na última entrevista ao EXTRA. Depois, fez vários acenos. Qual é, afinal, sua visão sobre Lula e o PT?

Não fiz críticas duras. Só disse que sou do PSD, como Eduardo Paes é, e ele é do PT. Não pensamos tudo igual. O que posso garantir é que a prefeitura continua aliada do governo federal e do presidente Lula para os projetos que são fundamentais para o Rio. Isso vai ter continuidade. O presidente defende o Rio, e o que sempre cobramos do governo federal é que o governo como um todo precisa fazer mais defesas do Rio, como conseguimos no caso do Galeão.