Sucesso nas redes, dona do perfil Aquela Miranda se debruça sobre a crise dos millennials em livro
A certa altura do livro âBug dos millennialsâ, a autora Aquela Miranda, nascida Viviane, reconhece: âA ironia autodepreciativa se tornou a nossa tĂĄbua de salvaçãoâ. Se restam dĂșvidas quanto a isso, basta um passeio pelo perfil da atriz, de 33 anos, no Instagram (@aquela.miranda), seguido por quase 200 mil fĂŁs. Ă por lĂĄ que ela descarrega vĂdeos engraçados com tĂłpicos que atormentam a geração nascida entre 1981 e 1996, como relaçÔes nĂŁo-monogĂąmicas e precarização profissional. âSĂŁo debates mundiais, mas sentia falta de falarmos sobre as nuances brasileirasâ, ela diz.
Com o livro que lança no dia 18 de maio pela Editora Record, Miranda vai ainda mais fundo na temĂĄtica, entre dores e delĂcias. Tudo amarrado com uma dose de nostalgia, em que relembra os âselvagensâ anos 2000, quando o bullying era praticado com a conivĂȘncia dos professores e o quadro âBanheira do Guguâ servia como entretenimento corriqueiro. A internet, enquanto isso, começava a dar as caras, por meio da conexĂŁo discada. âFomos a Ășltima geração a viver infĂąncia e adolescĂȘncia analĂłgicasâ, comenta.
Publicação chega às livrarias no próximo dia 18
Emanuel Orengo
Era esse o cenĂĄrio habitado por uma turma regida, acima de tudo, pela mĂĄxima de que bastava trabalhar bastante â e por amor â para que todo o esforço fosse recompensado. A conta, porĂ©m, chegou na vida adulta em forma de frustração e baixas na saĂșde mental. A prĂłpria autora relata ter sido acometida por um burnout ao comentar suas angĂșstias no livro. âUm dos meus pensamentos obsessivos Ă© que vou perder tudo e voltar a morar na casa da minha mĂŁeâ, diz, reconhecendo tratar-se de um drama recorrente, sobretudo, entre millennials da classe mĂ©dia.
A maneira descontraĂda como Miranda aborda o tema jĂĄ fez com que ela produzisse vĂdeos em parceria com outro perfil humorĂstico de sucesso, o @malhassaum, da dupla de atores Fernanda Fuchs e Dig Verardi. âUm ponto em comum entre nĂłs Ă© a nostalgiaâ, diz Fernanda. âSentimos saudade de quando Ă©ramos adolescentes e nĂŁo imaginĂĄvamos tudo o que ia acontecer. Compartilhamos uma frustração diante do que nos foi prometido.â
Mas nem sĂł de humor e saudosismo vive essa geração. Ao lançar o livro, Miranda quer mobilizar a base de fĂŁs na busca por um futuro menos catastrĂłfico. âPrecisamos promover debates e sair desse lugar paralisante, que nos faz assumir uma postura rabugenta e pessimistaâ, ela diz. âChegou a hora de propormos mudanças. Afinal, nĂŁo se trata de uma crise da nossa geração, mas do capitalismo e do neoliberalismo.â
