Sucesso de bilheteria, ‘Pânico 7’ teve produção repleta de polêmicas; entenda
No universo dos filmes "Pânico", assassinos mascarados vêm aterrorizando adolescentes e jovens adultos há 30 anos. Mas, com o lançamento de "Pânico 7" pela Paramount, o mais recente filme da franquia, o drama nos bastidores foi ainda maior do que os gritos na tela. O longa faturou US$ 63 milhões em seu final de semana de estreia nos Estados Unidos. No Brasil, o filme vendeu 460 mil ingressos e arrecadou R$ 10,5 milhões, registrando a maior abertura do ano no país.
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Para entender as controvérsias, é útil conhecer a história da franquia, começando com o "Pânico" original (1996), dirigido por Wes Craven. Ele deu início à tendência de filmes de terror com temática adolescente e humor ácido. Duas sequências sobre as desventuras da protagonista, Sidney Prescott (Neve Campbell), vieram logo em seguida, ambas com Courteney Cox como a repórter Gale Weathers e David Arquette como o policial Dewey Riley. Em 2011, "Pânico 4" reiniciou a premissa com uma geração mais jovem de estrelas.
Mais de uma década depois, em 2022, a Paramount decidiu tentar novamente. O quinto filme, intitulado de forma confusa como “Pânico”, contou com a volta de Campbell, Arquette e Cox, mas focou nas irmãs interpretadas por Melissa Barrera e Jenna Ortega. Craven faleceu em 2015, então Tyler Gillett e Matt Bettinelli-Olpin assumiram a direção. O filme recebeu críticas positivas e foi um sucesso de bilheteria, o que levou a uma sequência lançada rapidamente, “Pânico VI”, em 2023. Mas os planos para uma continuação logo deram errado. Com “Pânico 7” chegando aos cinemas nesta sexta-feira, aqui está o que aconteceu.
Melissa Barrera, Courteney Cox e Neve Campbell no longa que reúne o elenco original, de 1996 Divulgação
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Idas e vindas de Neve Campbell
“Pânico VI” não foi tão controverso, mas também não escapou de críticas negativas, depois que Campbell anunciou que não retornaria devido a uma disputa salarial. “Como mulher, tive que trabalhar muito duro na minha carreira para estabelecer meu valor, especialmente quando se trata de ‘Pânico’”, disse ela em um comunicado à Variety em 2022. “Senti que a oferta que me foi apresentada não correspondia ao valor que agreguei à franquia.”
Neve Campbell em "Pânico" (1996)
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Assim, o filme seguiu em frente sem Campbell e transferiu a ação para Nova York, onde membros da nova geração de alvos do Ghostface estavam cursando a faculdade. Bettinelli-Olpin afirmou que eles “nunca desistiriam” de Campbell. “Adoraríamos poder fazer outro filme com ela”, disse ele ao The Hollywood Reporter.
A demissão de Melissa Barrera
Alguns meses após o lançamento de “Pânico VI” em março de 2023, com a melhor bilheteria de estreia da história da franquia, foi anunciado que o sétimo “Pânico” teria um novo diretor. Gillett e Bettinelli-Olpin cederam seus lugares para Christopher Landon, cujo trabalho deve muito ao tom metalinguístico e exagerado de “Pânico”.
Melissa Barrera em cena de "Pânico VI"
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Na época, parecia que os atores principais, incluindo Barrera e Ortega, retornariam. Mas oito meses depois, a Variety noticiou que a produtora Spyglass havia demitido Barrera por causa de suas postagens nas redes sociais em apoio à causa palestina após o ataque do Hamas em Israel, em 7 de outubro. A Spyglass alegou que as postagens eram antissemitas.
Um porta-voz da empresa disse à Variety: “Temos tolerância zero para antissemitismo ou incitação ao ódio de qualquer forma, incluindo falsas referências a genocídio, limpeza étnica, distorção do Holocausto ou qualquer coisa que ultrapasse flagrantemente a linha do discurso de ódio”.
Barrera respondeu posteriormente no Instagram, escrevendo: “Condeno o antissemitismo e a islamofobia. Condeno o ódio e o preconceito de qualquer tipo contra qualquer grupo de pessoas”. Ela acrescentou: “Como latina, uma mexicana orgulhosa, sinto a responsabilidade de ter uma plataforma que me permite o privilégio de ser ouvida e, portanto, tenho tentado usá-la para conscientizar sobre questões que me importam e para dar voz a quem precisa”.
Efeito Dominó
Um dia após a demissão de Barrera virar notícia, Ortega também desistiu. Em uma entrevista ao The Cut no ano passado, Ortega disse que sua decisão “não teve nada a ver com salário ou agenda”. Em vez disso, ela disse: “A questão da Melissa estava acontecendo e tudo estava desmoronando”. Ela acrescentou que, se o filme não fosse com as pessoas por quem ela se apaixonou, então não parecia a decisão certa para sua carreira naquele momento.
Jenna Ortega em cena de "Pânico"
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Em dezembro de 2023, Landon anunciou na rede social X que também havia deixado o projeto. "Era um trabalho dos sonhos que se transformou em um pesadelo. E meu coração se partiu por todos os envolvidos", escreveu ele. Em vez disso, ele fez o thriller romântico "Drop: Ameaça Anônima".
Um reboot de um reboot
Assim como é difícil matar o Ghostface, também é difícil matar "Pânico". Campbell anunciou em março de 2024 que retornaria para interpretar Sidney mais uma vez, e desta vez seria dirigida por Kevin Williamson, que escreveu três dos quatro primeiros filmes. "Estou muito feliz e orgulhosa em dizer que fui convidada, da maneira mais respeitosa possível, para trazer Sidney de volta às telas e não poderia estar mais animada", escreveu Campbell no Instagram.
Agora, “Pânico 7” chega às telas como uma espécie de reboot de um reboot. O novo filme coloca o foco novamente na eterna sobrevivente, Sidney, que agora vive com um marido policial (Joel McHale) e uma filha adolescente, Tatum (Isabel May). Tatum tem 17 anos, a mesma idade que Sidney tinha no primeiro “Pânico”, e, como era de se esperar, fantasmas começam a aparecer com ameaças. A presença de Tatum significa que Williamson e seu corroteirista, Guy Busick, que também trabalhou nos filmes de 2022 e 2023, estão depositando grandes esperanças em que os fãs acreditem na vida que imaginaram para sua heroína. Afinal, não parecia que Sidney tivesse uma filha de dois anos durante os eventos de "Pânico 4" em 2011.
Neve Campbell em cena de "Pânico 7"
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Manifestações
Há dois atores remanescentes da era Barrera e Ortega: Jasmin Savoy Brown e Mason Gooding, que interpretam os gêmeos Mindy e Chad Meeks-Martin, sobrinha e sobrinho de Randy Meeks (Jamie Kennedy), o adolescente obcecado por filmes de terror do filme original de 1996. A presença deles se explica pelo fato de agora trabalharem para Gale, que está retomando sua carreira no jornalismo televisivo. Cox também reprisa seu papel como a repórter que esteve presente em todas as cenas de assassinato do Ghostface desde o início.
Courtney Cox atuando em Pânico (1996)
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Então, será que o público vai correr para ver mais esfaqueamentos? As projeções de bilheteria são otimistas, mas os apelos para boicotar o filme devido à forma como Barrera foi tratada continuam. Na noite da última quarta-feira (25), cerca de 25 manifestantes protestaram perto do local da estreia do filme, nos estúdios da Paramount, em Los Angeles, de acordo com uma reportagem da Variety.
