Sucessão no Rio: STF decidirá forma de escolha de governador tampão até 2026
O Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir, na segunda semana de abril, de que forma vai ser escolhido o próximo governador do Rio, que vai ficar no cargo até dezembro de 2026. A dúvida é se essa escolha vai ser por eleição direta, com voto da população, ou indireta, feita pelos deputados estaduais.
Na sexta-feira (27), o ministro do STF Cristiano Zanin suspendeu a eleição indireta até que o plenário analise o caso. Ele também determinou que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, continue como governador interino até a decisão final.
Se o Supremo optar por uma eleição direta, os eleitores do estado vão precisar ir às urnas pelo menos duas vezes em 2026.
O impasse começou quando o ex-governador Cláudio Castro renunciou um dia antes de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que poderia cassar o mandato dele. Para parte dos ministros, essa saída pode ter sido uma manobra para evitar a eleição direta.
Disputa política na Alerj
Ao mesmo tempo, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) também vive um momento de disputa. Na terça-feira (31), vai acontecer a retotalização dos votos do ex-presidente da Casa, Rodrigo Bacellar. Ele voltou a ser preso na sexta-feira, suspeito de vazar informações sobre operações contra o Comando Vermelho. Bacellar já tinha sido detido em dezembro, mas foi solto dias depois. Agora, com o mandato cassado, ele perdeu a proteção do cargo.
A retotalização acontece quando a Justiça Eleitoral refaz toda a conta da eleição, retirando os votos de um candidato que perdeu o mandato. Com isso, há uma mudança no chamado quociente eleitoral -- a divisão do total de votos válidos pelo número de vagas a serem preenchidas --,definindo quantas vagas cada partido tem. E isso pode alterar quem entra e quem sai da Assembleia.
Articulações e possíveis candidatos ao governo
A nova divisão de cadeiras aumenta a disputa pelo comando da Alerj e também pelo governo do estado nesse período. Os deputados estaduais já estão refazendo as contas e intensificando as articulações nos bastidores.
Os dois nomes mais cotados pra a eleição de outubro, Eduardo Paes, do PSD, e Douglas Ruas, do PL, já disseram que têm interesse em disputar o cargo de governador-tampão, caso uma eleição direta seja de fato convocada.
