Sucessão de Ratinho racha PSD no Paraná, com insatisfação de aliado e risco de debandada
Apesar de manter indefinido publicamente o nome que indicará à sucessão, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), caminha para escolher o secretário estadual das Cidades, Guto Silva (PSD), para o comando do Palácio do Iguaçu na eleição deste ano. O movimento tende a escantear outros aliados dentro do partido e pode provocar uma debandada da sigla.
Cotado pela direção do PSD para concorrer ao Palácio do Planalto, Ratinho tende a dar preferência à indicação de Guto, que, no comando da Secretaria das Cidades, tem capilaridade junto a prefeitos dos municípios paranaenses. A pasta equivale à antiga Secretaria do Desenvolvimento Urbano, ocupada pelo próprio Ratinho durante a gestão de Beto Richa (PSDB) e pelo ex-governador Roberto Requião (PDT) na administração de seu antecessor, Álvaro Dias (MDB). Próximo a Ratinho, Guto esteve antes à frente das secretarias de Infraestrutura e Casa Civil no estado.
Em resposta, o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, que também tem a intenção de concorrer ao governo, passou a sinalizar a interlocutores que deverá formalizar a decisão de deixar o PSD em breve, caso o governador não se decida até o fim do mês.
O prazo foi estipulado, relatam aliados, para evitar que o deputado fique preso durante a janela partidária — período de 30 dias entre os meses de março e abril em que parlamentares podem trocar de sigla sem o risco de perder o atual mandato.
— Eu tenho conversado com o governador, antes mesmo de qualquer movimento que será feito. Nos falamos antes da viagem dele para o exterior (Ratinho passou o período de carnaval na Disney, nos Estados Unidos) e teremos uma conversa definitiva nesta semana — afirma Curi.
No Republicanos, o parlamentar tem o aval para lançar uma candidatura própria ao Palácio do Iguaçu e o apoio do irmão Rodrigo Curi, que é vice-presidente do diretório estadual. Ele atua lado a lado com o deputado federal Pedro Lupion, que deixou o PP no ano passado e assumiu o comando do novo partido no Paraná.
Além de Curi, o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que comanda a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável da gestão Ratinho, é outro cotado para disputar o governo. Ele tem manifestado publicamente a intenção de permanecer na sigla do governador, mas recebeu uma oferta para sair candidato pelo PP.
O convite para a migração foi feito pelo deputado federal Ricardo Barros, que comanda o diretório do partido. Em paralelo, o parlamentar tem negado a possibilidade de o partido apoiar a candidatura do senador Sergio Moro (União-PR), apesar de ele pontuar acima dos adversários nas pesquisas de intenção de voto. Nacionalmente, as duas siglas ensaiam uma federação, o que as obrigaria a marchar juntas nas eleições.
A rejeição do PP ao ex-juiz da Lava-Jato está em discussão desde o ano passado e chegou a ser reiterada pelo senador Ciro Nogueira (PI), que comanda o partido nacionalmente.
— Há um interesse, obviamente, na filiação de Rafael Greca. É uma grande liderança, e ele é um dos candidatos que o governador Ratinho está disposto a apoiar. Então, a vinda dele para o Progressistas não é um gesto de se tornar oposição. É apenas uma maneira de poder conciliar o prazo que o governador precisa para anunciar a sua escolha — afirma Barros.
Composição com Flávio
Nas últimas semanas, no entanto, Moro também passou a ser cotado para ter o apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Escolhido como sucessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas urnas para este ano, ele tem buscado construir palanques fortes nos estados e considera ter Moro como um nome competitivo contra os indicados de Ratinho e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Paraná.
Já a esquerda se organiza em torno do deputado estadual Requião Filho (PDT), em uma chapa com o PT. No ano passado, a sigla de Lula considerou lançar como cabeça de chapa o presidente da Itaipu Binacional, Enio Verri, mas decidiu, por uma composição com Requião e pela indicação de Verri para o Senado.
O petista, no entanto, precisou abrir mão da vaga para acomodar a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que decidiu atender a um pedido direto de Lula para fortalecer a bancada do partido no Senado, em resposta à articulação dos bolsonaristas para fazer o mesmo.
