Submarino nazista com carga de mercúrio volta a preocupar autoridades na Noruega; entenda
Naufragado a cerca de 150 metros de profundidade no Atlântico Norte, um submarino nazista voltou ao centro do debate internacional não por razões históricas, mas por representar um risco ambiental crescente. Afundado pela Marinha britânica nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial, o U-864 transportava dezenas de toneladas de mercúrio e hoje é apontado como uma ameaça potencial ao ecossistema marinho na costa da Noruega. As informações foram divulgadas pela Deutsche Welle.
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O submarino integrava uma missão secreta do regime nazista, conhecida como Operação César. Em fevereiro de 1945, partiu de Bergen com destino ao Japão, aliado da Alemanha, levando a bordo cerca de 65 toneladas de mercúrio armazenadas em mais de 1,8 mil contêineres de aço, além de componentes tecnológicos e especialistas. A viagem, no entanto, foi interrompida após problemas mecânicos que facilitaram sua detecção. Em 9 de fevereiro daquele ano, próximo à Ilha de Fedje, o U-864 foi atingido por torpedos disparados pelo submarino britânico HMS Venturer. O episódio entrou para a história como o único caso confirmado de um submarino afundando outro enquanto ambos estavam submersos. Todos os 73 tripulantes morreram.
Dilema sobre o futuro do naufrágio
Durante décadas, a localização exata do naufrágio permaneceu desconhecida, até que os destroços foram encontrados em 2003. Desde então, autoridades norueguesas discutem como lidar com o local, que reúne restos humanos, munições ainda ativas e uma carga altamente tóxica. Entre as alternativas avaliadas estão o soterramento do submarino com areia e concreto, formando uma espécie de cápsula de contenção, ou a remoção completa da estrutura e dos materiais perigosos.
As duas opções envolvem riscos. A movimentação da estrutura pode provocar explosões devido à presença de torpedos ainda intactos. Por outro lado, cobrir o submarino também não elimina totalmente o perigo, já que uma eventual detonação poderia dispersar o mercúrio no mar. Além disso, o local é considerado um túmulo de guerra, o que adiciona uma dimensão ética à decisão.
Em janeiro de 2026, o Parlamento norueguês determinou a reavaliação da possibilidade de remoção completa do submarino, alternativa antes considerada inviável. Relatórios técnicos mais recentes indicam que o soterramento pode aumentar o risco de instabilidade no fundo do mar e favorecer a liberação descontrolada do material tóxico. Estudos já identificaram a presença de mercúrio em sedimentos e em organismos marinhos próximos ao local do naufrágio.
O metal, altamente tóxico, pode se transformar em metilmercúrio no ambiente marinho, uma substância que se acumula nos organismos vivos e se espalha pela cadeia alimentar, alcançando peixes consumidos por humanos. Casos históricos, como o desastre de Minamata, no Japão, demonstram o potencial devastador dessa contaminação, com impactos graves no sistema nervoso e no desenvolvimento fetal.
Embora grande parte da carga ainda esteja contida nos recipientes originais, especialistas alertam que a corrosão é inevitável com o passar do tempo. A deterioração dessas estruturas pode desencadear um vazamento progressivo, ampliando os riscos ambientais na região. O caso segue em debate no paÃs e é acompanhado por autoridades e pesquisadores, segundo a Deutsche Welle.
