Stepan Nercessian se despede de 'Coração acelerado' com o fim de Eliomar: 'Morri, mas não fui ao enterro'

 

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O coração de Eliomar vai desacelerar, até parar de vez, na noite desta segunda-feira (23). A morte do personagem, que promete ser emocionante, marca a despedida de Stepan Nercessian no capítulo 37 de “Coração acelerado”. O pai de Janete (Leticia Spiller) e Zilá (Leandra Leal) pede que as duas se reconciliem e logo depois “apaga” na beira do rio, onde revê a falecida Maria Cecília (Paula Fernandes). No velório, o sucesso sertanejo “Não aprendi a dizer adeus” dá o tom. “Morri, mas não fui ao enterro. Quando gravaram, meu contrato já tinha acabado”, conta o bem-humorado ator, de 72 anos, em entrevista ao EXTRA.

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Você é goiano. Sentiu-se em casa numa novela ambientada no Centro-Oeste do país?

Seria um absurdo ter uma novela sobre Goiás e eu não participar... Nasci em Cristalina e fui criado em Goiânia. Ainda tenho parentes lá, meu melhor amigo é de lá, falo com ele todos os dias. Ainda jovem, já morando no Rio, quando eu ficava triste, queria voltar para recarregar as energias. Goiás é um lugar telúrico, de natureza forte. Nunca tive terra lá, a não ser debaixo das unhas, quando criança (risos). Mas os goianos são muito amáveis comigo, dizem que fui o primeiro artista que assumiu ser do estado. Quando fiz a novela “Bandeira 2” (1971), ainda não existia essa onda do sertanejo...

Gosta de música sertaneja?

Eu gosto dos clássicos, como “Evidências”, “É o amor...”. E sou fã da música caipira, de raiz, com viola. Hoje em dia esses gêneros se diversificaram tanto! Eu sou das antigas. E me deixa triste ver artista sendo a favor de censurar artista. Escrevem músicas tão lindas, como pode? Queria que esses meninos nunca se esquecessem que tudo o que eles juntaram de dinheiro, fazenda, gado, avião, foi por meio da música, da arte.

Stepan Nercessian e Paula Fernandes gravam a cena da morte de Eliomar em "Coração acelerado"

Manoella Mello/Rede Globo/Divulgação

E Paula Fernandes, que interpreta a falecida esposa de Eliomar, você já conhecia?

Ah, ela é uma gracinha! Falei pra ela: "Pena que eu já te conheci sendo viúvo. Queria ter ficado casado mais tempo (risos)". Paula se posicionou e conquistou de maneira sensível seu espaço num universo muito masculino, machista. Ana Castela eu também conheci numa gravação. Mas minha cantora sertaneja preferida é a Agrado (Isadora Cruz).

Alguns atores de “Coração acelerado” têm cantado em cena. Não foi o seu caso... Mas cantaria, se precisasse?

Você não sabe que eu sou um fenômeno? Estou no meu terceiro musical e não cantei nem dancei em nenhum deles. Tenho o dom de iludir (risos). Não sou cantor nem de banheiro, só de mesa de bar. Daqueles que tomam umas cinco, disparam a cantar e se acham o melhor do mundo.

Eliomar é um homem conservador, não queria que a esposa se tornasse cantora. Você, ao contrário, incentiva a sua parceira a realizar os sonhos dela?

Totalmente. A primeira coisa que falei para a Desiree (estilista, de 64 anos, com quem é casado desde 1984) foi: “Não deixe o seu trabalho por homem nenhum neste mundo, incluindo eu, nem abandone suas amizades. Porque, se um dia as coisas não derem certo no casamento, você vai ter salvado as outras partes”. Acho impossível você seguir numa profissão se não tiver apoio dentro de casa, vira tortura. Eu gostei que antes de morrer meu personagem se arrependeu da estupidez do passado. Teve uma fala muito bonita dele pra Janete: “Isso não é amor, é egoísmo”.

Eliomar (Stepan Nercessian) pede que Janete (Leticia Spiller) e Zilá (Leandra Leal) se reconciliem, em "Coração acelerado"

Manoella Mello/Rede Globo/Divulgação

O maior desgosto de Eliomar é o antigo desentendimento entre Janete e Zilá. Você tem quatro filhos jovens... Também se preocupa com a união entre eles?

Eu também considero a Rafaela e o Rodrigo como filhos. Eles vieram do meu casamento anterior, com a Camila Amado (atriz e diretora teatral que morreu em 2021). Ela era viúva e trouxe os dois ainda crianças pra minha vida. Hoje, eles já passaram da faixa dos 50 anos, mas continuam muito próximos a mim. Com a Desiree, adotei o Diogo Matheus, que está com 21 anos, a Samanta Cristina, de 18 anos; a Fabiana, de 16 anos, e a Desireezinha, que fez 11 agora em janeiro. Os quatro têm a mesma mãe biológica. Apesar das brigas de irmãos, eu sempre digo que têm que ser solidários, unidos. Sou a favor da família amorosa, conheço muita gente que vive um inferno dentro de casa. Minha mulher fala que eu estrago os quatro, por mim eles só fariam o que quisessem.

Como lida com o assunto morte?

Eu mais quero ficar vivo por causa dos outros do que por mim mesmo. Penso nas crianças, na minha mulher... Quem fica é que sofre. Quando a morte me vem à cabeça, falo: “Que saudade vai me dar das pessoas e das coisas que eu amo!”. Por outro lado, a gente chega a um determinado momento da vida em que começa a travar uma batalha com a saúde para se manter por aqui...

Tem cuidado mais da sua saúde?

Há pouco mais de dois anos, parei de fumar. Fumei muito, desde os 11 anos de idade. Eu era um militante do cigarro, fumava e defendia. Achava um absurdo proibirem de fumar nos lugares, falta de educação não ter cinzeiro disponível... Até que entendi que o cigarro é um falso amigo: dá prazer, mas tira tempo de vida. Fui diagnosticado com enfisema pulmonar, minha pressão era alta. Agora, tenho me dedicado a perder peso. Estou usando a caneta emagrecedora e fazendo academia. Minhas taxas nunca estiveram tão boas!

O ator Stepan Nercessian me família: a partir da esquerda, a esposa Desiree e os filhos Fabiana, Samanta, "Desireezinha" e Matheus

Arquivo pessoal

Aos 72 anos, você continua superprodutivo. Fez a novela, vai gravar as novas temporadas das séries “Arcanjo renegado” e “Os donos do jogo”, volta ao teatro em abril com o musical “Chatô”...

Eu trabalho por alegria, por prazer. E por necessidade também. Sou aposentado pelo INSS, mas não dá pra viver com esse pouco dinheiro. Eu não acumulei ao longo dos anos, sempre fui da filosofia de ir vivendo e gastando. Então, não posso parar de trabalhar.

E ainda preside o Retiro dos Artistas, há duas décadas...

Eu tive essa felicidade de ter sido requisitado para cuidar desse espaço numa fase em que ele estava agonizante. A gente está sempre precisando de ajuda, porque não é barato manter. Há pessoas que sempre apoiaram, como o Boni, e outras que chegaram mais recentemente, como a Marieta. Espero que sempre haja renovação, que novas gerações se interessem. Há que se ter um olhar generoso para o Retiro, é fundamental a existência dessa instituição. Brinco que me tornei presidente dali só para mudar o estatuto e falar: “Todo ex-presidente tem direito a morar no Retiro”. Tenho família grande, acho que não vou ficar desamparado. Mas sei da importância que é chegar num momento da vida e saber que se tem para onde ir e com quem ficar.

O último desejo de Eliomar é que as filhas façam as pazes. Hoje, qual seria o seu?

Podem ser três? Justiça social no mundo, estar cercado por quem eu amo (nos últimos momentos) e ver meu Botafogo campeão novamente. Do Carioca, do Brasileiro, da Libertadores e do Mundial (risos).

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