Spielberg quer concluir sonho inacabado de Kubrick com série épica sobre Napoleão
Poucos filmes carregam tanto peso na história do cinema quanto Napoleão, o projeto monumental de Stanley Kubrick (1928-1999) que nunca chegou às telas. Conhecido como "o maior filme nunca feito", o longa se destacou pela ambição e pelo nível obsessivo de pesquisa do diretor.
Mais de cinquenta anos após ser engavetado, o projeto pode ser desenvolvido. Steven Spielberg anunciou durante o Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 2023, que cria uma minissérie de sete episódios para a HBO.
A produção é baseada nos materiais deixados por Kubrick e conta com o apoio de Christiane Kubrick e Jan Harlan. O formato de minissérie permite explorar a dimensão política, militar e emocional da trajetória de Napoleão com mais profundidade.
A obsessão de Kubrick por Napoleão
Após finalizar "2001: Uma Odisseia no Espaço", Kubrick decidiu que seu próximo trabalho seria uma cinebiografia grandiosa sobre Napoleão Bonaparte. O cineasta o enxergava como uma figura psicológica complexa, um estrategista brilhante e um homem movido por paixões intensas.
Kubrick descrevia a vida do imperador como "um poema épico de ação". Ele acreditava que a relação de Napoleão com Josefina representava "uma das maiores paixões obsessivas de todos os tempos".
Para construir essa visão, Kubrick mergulhou em uma pesquisa sem precedentes. Ele leu centenas de livros sobre o líder francês, estudou campanhas militares e reuniu especialistas.
O diretor organizou um gigantesco arquivo histórico. Segundo o livro "Stanley Kubricks Napoleon: The Greatest Movie Never Made", Kubrick reuniu cerca de 15 mil fotografias de locações e 17 mil imagens da Era Napoleônica.
Kubrick também organizou mapas, cartas, estudos militares, referências de figurino e extensas anotações. O objetivo era reconstruir o universo de Napoleão com rigor obsessivo, característica marcante de sua carreira. Ele queria filmar em locações reais na Europa e usar milhares de figurantes.
O elenco imaginado por Kubrick
O projeto avançou na pré-produção. Kubrick considerou nomes importantes do cinema para os protagonistas. Ele imaginava David Hemmings no papel de Napoleão.
Audrey Hepburn foi pensada para interpretar Josefina. Outros nomes como Alec Guinness e Laurence Olivier também foram considerados para o elenco coadjuvante da obra.
Por que o filme nunca foi feito?
Os estúdios viam o projeto como um risco financeiro. O orçamento necessário seria grande, principalmente pela insistência do diretor em locações reais e sequências de guerra monumentais.
O fracasso comercial de "Waterloo", lançado no mesmo período e contexto, aumentou o receio. A MGM e a United Artists consideraram o filme economicamente inviável. Com isso, a produção foi abandonada.
Parte do material pesquisado por Kubrick influenciou "Barry Lyndon" (1975). Essa obra do diretor herdou elementos visuais, figurinos e referências históricas planejadas para o épico napoleônico. Kubrick morreu em 1999.
