SpaceX, que fará novo lançamento do Starship hoje, teve perda de US$ 4,3 bi no 1º trimestre

SpaceX, que fará novo lançamento do Starship hoje, teve perda de US$ 4,3 bi no 1º trimestre

 

Fonte: Bandeira



A SpaceX protocolou publicamente o que pode se tornar o maior IPO da história, revelando um forte crescimento de receita, mas com prejuízos ainda maiores. A empresa registrou perda líquida de US$ 4,28 bilhões sobre receita de US$ 4,69 bilhões no primeiro trimestre, o que pode dar munição aos céticos dos planos de Elon Musk.

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A oferta de ações pode avaliar a empresa em até US$ 2 trilhões e conceder ao bilionário poder para superar qualquer outro acionista em votações e vetos, além de prometer recompensas extraordinárias — incluindo até 1 bilhão de ações — caso ele consiga atingir as metas estabelecidas, segundo documento enviado nesta quarta-feira à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC).

No entanto, para investidores, a questão é se o conjunto das ambições de Musk para a SpaceX justifica uma avaliação de até US$ 2 trilhões, diante de demonstrações financeiras que parecem pequenas em comparação. A perda líquida aumentou em relação ao pimeiro trimestre do ano passado, quando foi de US$ 528 milhões, em uma receita de cerca de US$ 4 bilhões.

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As metas que Musk, de 54 anos, precisaria alcançar incluem uma colônia humana permanente em Marte com pelo menos 1 milhão de habitantes, mostra o documento. Antes disso, a SpaceX terá a missão de transformar em realidade o sonho de centros de dados no espaço, parte do que a empresa descreve como o maior mercado endereçável da história, estimado em US$ 28,5 trilhões.

Outro ponto essencial para que os planos de Musk deem certo é o lançamento do Starship, foguete que terá voo de teste nesta quinta-feira. Isso porque o Starlink, braço de conectividade por satélite da empresa e principal sustentáculo do valor da companhia, só terá o esse crescimento esperado caso o teste dê certo, já que a nova geração de satélites, os V3, foi projetada especificamente para ser lançada pelo Starship.

Sem o foguete operacional em cadência, a expansão do Starlink simplesmente não acontece no ritmo que o IPO exige.

Para embarcar no sonho de Musk, investidores precisarão acreditar que a SpaceX pode capturar uma fatia relevante da oportunidade de mercado estimada pela companhia — e aceitar que não poderão removê-lo do comando caso algo dê errado.

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Céticos de Musk

Detalhes do documento, como a estrutura acionária, os dados financeiros e até o tom grandioso do discurso, podem fornecer mais argumentos aos críticos de Musk.

Grandes fundos de pensão criticaram relatos sobre a estrutura de ações com duas classes da SpaceX, que dá ao bilionário poder efetivo de veto até sobre sua própria demissão. Gestores dos fundos do estado e da cidade de Nova York e do sistema de aposentadoria dos funcionários públicos da Califórnia pediram que a empresa revisasse a estrutura, enquanto o grupo SOC Investment Group solicitou que a SEC analisasse as demonstrações financeiras da companhia.

Outros podem questionar se os números apresentados justificam uma empresa potencialmente entre as maiores do mundo em bolsa. Com avaliação de US$ 2 trilhões, a SpaceX valeria mais do que quase todas as empresas do índice S&P 500 e superaria até a Tesla, também comandada por Musk.

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Alguns analistas já haviam considerado difícil justificar avaliações acima de US$ 1,25 trilhão, com base em informações financeiras anteriores que mostravam receitas concentradas no Starlink e elevado consumo de caixa da xAI, que antes da aquisição queimava cerca de US$ 1 bilhão por mês.

Outro fator decisivo para o sucesso da operação será se empresas responsáveis por índices, como S&P Dow Jones e FTSE Russell, decidirão seguir o Nasdaq e flexibilizar regras sobre a velocidade com que grandes empresas recém-listadas podem entrar nos principais índices. Fundos que replicam o S&P 500 precisam comprar ações incluídas no índice — e cerca de US$ 24 trilhões estão ligados apenas a esse indicador, segundo a Bloomberg Intelligence.

Compras por fundos de índice poderiam compensar vendas de investidores internos. Embora o documento preveja um período de bloqueio de 180 dias para acionistas atuais, com liberações antecipadas automáticas para parte das ações, os papéis não poderão ser vendidos todos de uma vez. As liberações ocorrerão a partir do segundo dia completo de negociações no Nasdaq e serão escalonadas ao longo dos seis primeiros meses. Musk não faz parte do acordo de bloqueio.

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Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America, Citigroup e JPMorgan Chase lideram a operação, junto com outros 18 bancos. A empresa, formalmente chamada Space Exploration Technologies Corp., escolheu Nasdaq e Nasdaq Texas para estrear sob o código SPCX.

O início formal da oferta, quando a SpaceX divulgará os termos propostos para a venda das ações, deve começar já em 4 de junho, antes da precificação prevista para 11 de junho, informou a Bloomberg News.