Sony enfrenta a Justiça britânica por suposto abuso em preços de videogames do PlayStation
Um julgamento de quase 2 bilhões de libras (R$ 13,8 bilhões) começou na terça-feira em Londres contra a gigante japonesa Sony, acusada de ter abusado de sua posição dominante durante quase dez anos para cobrar a mais dos jogadores britânicos de PlayStation em compras online.
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— Uma vez que alguém compra um PlayStation, não tem outra opção para adquirir um jogo digital a não ser fazê-lo por meio da Sony. E a empresa abusou dessa posição ao cobrar preços excessivamente altos dos consumidores — resumiu à AFP a especialista em direitos do consumidor Alex Neill, que iniciou a ação.
A PlayStation Store é a loja digital oficial onde os jogadores podem comprar tanto os títulos da própria Sony quanto produções de outras empresas.
— A Sony implementou uma estratégia destinada a excluir qualquer concorrência real ou potencial dos mercados de distribuição digital — afirmou um dos advogados dos autores da ação, Robert Palmer, na abertura do julgamento.
Os demandantes apontaram na terça-feira que o jogo Assassin’s Creed Shadows para PS5 é vendido na plataforma por quase 70 libras (R$ 485), o dobro do preço da versão física do jogo na varejista britânica de tecnologia Curry’s. Os autores da ação denunciam ainda uma comissão de 30% sobre as compras, que também incide sobre conteúdos adicionais dentro dos jogos, e dizem ter observado taxas menores em outras plataformas online, especialmente no PC.
O processo foi apresentado em nome de cerca de 12,2 milhões de pessoas. Esse tipo de procedimento inclui automaticamente todos os clientes potencialmente afetados, a menos que decidam se retirar voluntariamente da ação.
A Sony, por sua vez, argumenta que, ao considerar o sistema como um todo — ou seja, o preço do console e dos jogos —, “fica claro que a rentabilidade do sistema PlayStation está longe de ser excessiva”, segundo sua defesa jurídica enviada à AFP.
— Seus conteúdos digitais são oferecidos em níveis semelhantes aos praticados em outras plataformas. Se não fosse assim, consumidores e editoras buscariam outras opções — acrescentou a empresa.
Os autores do processo afirmam ainda que “outros casos estão em andamento” em Portugal, Países Baixos e Austrália.
— Trata-se de uma estratégia mundial adotada pelo gigante tecnológico — disse à AFP uma das advogadas dos demandantes, Natasha Pearman.
Em um caso semelhante em Londres, a gigante americana Apple perdeu em outubro um processo também relacionado a comissões consideradas excessivas, o que pode obrigar a empresa a reembolsar milhões de usuários, embora o grupo tenha informado que pretende recorrer da decisão.
