A atenção aos detalhes, dentro e fora de campo, é um dos motes reforçados por vários personagens de “Vai, Brasil”, documentário que acompanha os bastidores da seleção neste período de um ano antes da disputa da Copa do Mundo — a era Ancelotti. E são os detalhes íntimos desse convívio e da rotina de datas Fifa, treinos e jogos, que chamam atenção numa obra quase viva assinada pelo diretor Bruno Maia, em produção da Feel the Match e da CBF.
Em três episódios no Globoplay, a partir de segunda-feira, a série vai da chegada de Ancelotti, em maio de 2025, à convocação para a Copa, no último dia 18, num trabalho de produção em velocidade recorde. A equipe segue gravando material nos treinos e acompanhará o amistoso entre Brasil e Panamá, no domingo, no Maracanã.
— Estamos pós-produzindo desde janeiro. Nesse momento, estamos pós-produzindo, finalizando, pré-produzindo filmagens, filmando... estamos com todas as etapas do processo de filme acontecendo simultaneamente, de maneira cíclica, retroalimentada. É algo muito louco enquanto produção. Tudo isso tem uma contemporaneidade, é possível porque as ferramentas hoje permitem que coisas assim aconteçam — conta Bruno Maia sobre a complexa logística.
A série alterna entre imagens e depoimentos. Raphinha, Bruno Guimarães, Casemiro, Vini Jr., Estêvão e Rodrygo — os dois últimos acabaram fora da Copa por lesões —, entre outros atletas, além do próprio Ancelotti, analisam o dia a dia da seleção de forma bastante aberta. Há espaço até para momentos sem filtro de Endrick e Igor Thiago, que cravaram a vaga no Mundial na última data Fifa.
O documentário passa pela insegurança do grupo com a quantidade de gols sofridos antes da chegada de Ancelotti, pelas mudanças promovidas pelo treinador no dia a dia e no trato com seus convocados, pela relação quase familiar entre atletas que sonham com a ida à Copa, além de acompanhar rotinas e rituais pessoais.
Tudo isso é permeado pela rotina particular de uma seleção: as logísticas de viagem, o jet lag e os curtos espaços de preparação antecipam momentos como os duros jogos das Eliminatórias Sul-Americanas. As cenas vão da euforia pela classificação em vitória sobre o Paraguai à frustração com as condições de altitude em derrota para a Bolívia em El Alto, na despedida do torneio qualificatório. O encantamento com o Maracanã — vitória sobre o Chile — também se alterna com o impactante revés em amistoso com o Japão, na rodada de amistosos na Ásia.
Raphinha em cena de "Vai Brasil"
Pedro Salado/Divulgação
O projeto vinha sendo negociado desde o fim da Copa de 2022 e ganhou sinal verde com a atual diretoria da CBF. Envolveu também o trabalho de delimitações com a nova comissão técnica. Maia cita, por exemplo, o cuidado da produção, da CBF e da comitiva de Ancelotti em não revelar detalhes esportivos e táticos. O diretor valoriza essa linha e reforça o aspecto narrativo da obra:
— Ele (Ancelotti) tinha limites, ele tem um processo importante. Em nenhum momento, isso derrubou a série. Nunca fiquei muito pilhado com a ideia de acesso total. Eu queria poder ter acesso e, se o acesso tivesse limitação, me interessava tanto quanto. A limitação é a informação da nossa série.
Rodrygo em "Vai, Brasil"
Ricardo Nogueira/Divulgação
O diretor também relembra as não convocações de Rodrygo e Estêvão, alguns dos protagonistas da série (e da reta final de ciclo):
— Não escolhemos Estêvão e Rodrygo para serem protagonistas. Eles foram os protagonistas, cravaram esse protagonismo. [...] Todos nós tivemos um momento de lamentação, mas ao mesmo tempo, pensamos que isso faz o filme dizer mais coisas, mostrar mais dificuldades e sublinhar mais a busca por soluções. Estavam começando a encontrar um caminho e faltando uma convocação, o Ancelotti tem que dar vários passos para trás e buscar novos jogadores.
“Vai, Brasil” também será exibida como longa na TV Globo, dia 10, e em episódios, dia 11, no Sportv (a partir das 10h).
