Soltura de Ramagem reduz tensão no entorno de Eduardo, mas aliados veem risco no julgamento do asilo

 

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A soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) após dois dias sob custódia de autoridades migratórias dos Estados Unidos foi recebida como um alívio no entorno do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O temor de interlocutores do filho do ex-presidente era que uma eventual deportação do ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) poderia fragilizar o discurso de proximidade com o governo de Donald Trump.

Eduardo viajou aos EUA no ano passado, quando disse que faria um trabalho de aproximação da direita brasileira com a americana.

A soltura, nesse contexto, é vista como um alívio imediato, mas insuficiente para encerrar o caso.

Publicamente, aliados adotam tom de confiança e buscam capitalizar o episódio com elogios à atuação de Eduardo junto a autoridades americanas. Nos bastidores, porém, prevalece a cautela, diante da incerteza sobre o desfecho do processo migratório.

O influenciador Paulo Figueiredo teve atuação direta no episódio. Sócio da empresa de assessoria migratória Immigrex, ele afirma ter auxiliado Ramagem nos trâmites junto às autoridades americanas, além de ter sido um dos principais porta-vozes da versão de que a detenção se deu por questões exclusivamente migratórias. Segundo ele, a defesa confia no desfecho:

— Vai ser feito na forma da lei americana. É um caso muito robusto e estamos confiantes.

A soltura também foi explorada politicamente por aliados. O senador Jorge Seif atribuiu o desfecho à articulação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e destacou o acesso do deputado a autoridades americanas:

— O Eduardo Bolsonaro se esforçou, com o prestígio que tem junto ao governo americano, para ajudar esse refugiado político. Não é para qualquer um ter acesso a quem concentra poder político, econômico e bélico nos Estados Unidos.

Apesar do alívio inicial, o tema segue sendo tratado com cautela no entorno do deputado. A leitura predominante é de que há pouco espaço para explorar o episódio enquanto o processo migratório não for concluído e que novos desdobramentos ainda podem recolocar o caso no centro do debate.

Próximos passos

Antes de ser detido, Ramagem havia apresentado um pedido de asilo nos Estados Unidos, em novembro. Esse ponto é central porque, com o pedido em análise, ele passa a ter um status migratório provisório que permite sua permanência no país até a decisão final, o que ajuda a explicar por que não foi deportado após a detenção.

Com a soltura, o processo segue agora seu curso na Justiça migratória americana. Na prática, o caso passa por etapas:

análise inicial do pedido pelas autoridades de imigração;

eventual envio a um juiz de imigração;

possibilidade de audiência, com apresentação de provas e argumentos.

Não há prazo definido para esse desfecho, e o processo pode se estender por meses. Até lá, aliados consideram que o caso permanece em aberto.