O SoftBank Group (SBG) planeja emitir cerca de 1 trilhão de ienes (US$ 6,26 bilhões) em títulos corporativos voltados para investidores de varejo no Japão, apurou o “Nikkei Asia” nesta terça-feira.
Espera-se que a venda desses títulos seja a maior emissão para o varejo já realizada por uma empresa japonesa.
À medida que a competição por investimentos em inteligência artificial se intensifica globalmente, o conglomerado de tecnologia japonês busca captar recursos junto à reserva de riqueza pessoal do Japão.
Esta será a terceira oferta de títulos para o varejo do SBG neste ano, após emissões anteriores em abril e junho.
A dívida será composta por títulos com prazo de sete anos.
As condições, incluindo a taxa de juros, serão definidas no início de setembro.
Analistas estimam que a taxa ficará na faixa superior a 4%.
A oferta planejada superará o recorde anterior de uma única emissão de títulos corporativos para investidores de varejo, que foi de 600 bilhões de ienes, também realizada pelo SBG.
Considerando também títulos voltados a investidores institucionais, como fundos de pensão e fundos de investimento, a maior emissão de títulos corporativos da história foi de 1 trilhão de ienes, realizada pela NTT Finance — subsidiária do grupo de telecomunicações NTT — em dezembro de 2020.
A nova emissão do SBG igualaria a escala dessa oferta.
Espera-se que o SBG utilize os recursos captados para o resgate de títulos e para investimentos em inteligência artificial física, incluindo aquisições corporativas.
A empresa anunciou planos de comprar a divisão de robótica da companhia de engenharia suíça ABB por US$ 5,4 bilhões.
Os recursos também poderão ser usados para quitar empréstimos-ponte obtidos junto a instituições financeiras japonesas e americanas, destinados a financiar investimentos adicionais na organização americana de pesquisa em inteligência artificial OpenAI.
O SBG planeja alocar um total de 10 trilhões de ienes até outubro.
A empresa busca expandir seus investimentos aumentando sua dívida remunerada por juros.
Por ser uma empresa de investimentos, o perfil de crédito do SBG é frequentemente avaliado com base no índice “loan-to-value” (LTV), que mede a dívida líquida em relação ao valor das ações que a empresa detém.
A valorização das ações da Arm Holdings, empresa britânica de design de chips, contribuiu para reduzir o índice LTV do SBG em 4 pontos percentuais entre o final de março e o final de junho, situando-o em 13%.
Com a nova emissão de títulos, a empresa conseguirá obter capital de crescimento a longo prazo, mas o endividamento adicional aumentará o peso dos juros sobre as finanças da companhia.
As taxas de juros dos títulos corporativos são definidas adicionando-se um prêmio à taxa oferecida pelos títulos do governo japonês (JGBs).
Os rendimentos dos JGBs têm subido, o que elevará a taxa de cupom da SBG.
O cupom dos títulos de sete anos da SBG voltados para o varejo, emitidos em 2025, foi de 3,98%, em comparação com 3,15% para os títulos emitidos em dezembro de 2024.
Com a aceleração global dos investimentos em inteligência artificial, as “hyperscalers” — grandes empresas de computação em nuvem — têm emitido títulos corporativos de forma agressiva.
A concorrência por capital no mercado de títulos está se intensificando, uma vez que também cresce a demanda por emissões de títulos soberanos para financiar gastos com defesa e cortes de impostos.
No Japão, a inflação e as taxas de juros mais altas incentivaram as famílias a investir de forma mais ativa, levando as empresas a buscar atrair investidores de varejo.
As emissões de títulos para o varejo atingirão 2,8 trilhões de ienes, incluindo a terceira emissão da SBG, superando o recorde registrado em 2025.
"Há um limite para o volume de dívida que pode ser vendido ao varejo, e os emissores estão aguardando sua vez", afirmou um executivo de uma grande corretora de valores.
A disputa pelo capital das famílias também se intensifica à medida que os principais bancos japoneses elevam as taxas de depósitos a prazo fixo e o governo aumenta a emissão de títulos voltados para investidores de varejo.
