Socorrista fotografou cena após estranhar posição da arma na mão de PM encontrada morta
Imagens e áudios divulgados pelo programa Fantástico, da TV Globo, mostram os momentos após a soldado da Polícia Militar Gisele Alves ser baleada no apartamento onde morava com o marido, na região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro.
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O primeiro pedido de socorro feito pelo tenente-coronel da PM Geraldo Neto aconteceu às 7h57 da manhã:
"Polícia Militar, emergência. É o Tenente-Coronel Neto. A minha esposa é policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, por favor."
Pouco depois, às 8h02, ele aparece ao celular no corredor do andar do prédio, sem camisa. Três minutos depois, ele aciona os Bombeiros, que chegam ao local às 8h13.
Em depoimento, um dos socorristas envolvido na ocorrência afirmou que decidiu fotografar a cena após ver que a arma estava encaixada na mão de Gisele de uma forma que nunca tinha visto em casos de suicídio.
Ele também destacou que o sangue já estava coagulado e o cartucho da bala não foi encontrado.
O socorrista ainda disse que o tenente-coronel estava seco e não havia água no chão do apartamento, apesar de o homem alegar que estava no banho no momento do disparo.
Gisele chegou a ser reanimada no local, mas os socorristas informaram que o marido não demonstrava desespero e permaneceu ao telefone com superiores durante o atendimento.
Ela foi retirada do prédio ainda com vida às 8h55, enquanto o tenente-coronel aparece sentado no corredor.
O Fantástico ainda revelou que Geraldo entrou em contato com o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, naquela manhã. Ele chegou ao local às 9h07 e foi ao apartamento.
O advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Junior, cobra explicações:
"Pelo que nós temos conhecimento, o desembargador foi a primeira pessoa a ser acionada após o disparo."
Marco Antônio aparece no corredor minutos depois e, às 9h29, o tenente-coronel surge com outra roupa. Testemunhas informaram que ele tomou banho nesse intervalo e os policiais militares que participaram da ocorrência afirmaram que o tenente-coronel voltou com cheiro forte de produto químico.
Laudos da Polícia Técnico-Científica indicam que a cena do crime não foi preservada corretamente, o que impediu os peritos de determinar com precisão a dinâmica do disparo e quem atirou.
Outro ponto levantado pelos investigadores aparece no depoimento de uma vizinha. Ela disse que acordou às sete e 28 com um estampido forte, mas a primeira ligação de socorro do tenente-coronel foi feita 29 minutos depois.
Em nota, a defesa de Geraldo Neto informou que, até agora, ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo e que tem colaborado com as autoridades.
Já a defesa do desembargador disse que ele foi chamado ao apartamento como amigo do tenente-coronel e que eventuais esclarecimentos serão dados à polícia judiciária.
