Socialista António Seguro derrota candidato da extrema direita e vence eleição presidencial em Portugal

 

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O candidato socialista moderado António José Seguro venceu o segundo turno da eleição presidencial em Portugal, realizado neste domingo, de maneira contundente, com 95% das urnas apuradas. Segundo os números, Seguro recebeu entre 66% votos válidos, contra 34% de André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega, hoje a segunda força política do país.

— O povo português é excelente, que demonstrou um apego enorme à nossa democracia — afirmou Seguro a jornalistas na saída de sua casa, e dizendo que seu objetivo "é servir ao país".

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Os números confirmam o favoritismo de Seguro, que no primeiro turno terminou com 31,1% dos votos e que teve sucesso ao angariar apoios desde a esquerda até partes da direita moderada — o primeiro-ministro, Luis Montenegro, que no mês passado afirmou que seu governo é de centro, e que não apoiaria candidatos que “representam o espaço político da direita e o espaço da esquerda”. Na pesquisa mais recente, ele aparecia com 67% das intenções de voto, número similar ao que as urnas devem confirmar. Com 95% das seções contabilizadas, Seguro aparece com 66,3% dos votos e Ventura com 33,7%.

— Esta vitória é de todos os democratas, dos direitos constitucionais. Dois terços do país quiseram que não fosse alguém que não prezasse a constituição a ser presidente — afirmou o secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, destacando que "a vitória vai da esquerda do PS, ao centro e à direita democrática".

Apoiadores de António José Seguro, candidato socialista à Presidência de Portugal, comemoram vitória nas urnas

PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP

Líder da Juventude Socialista nos anos 1990, quando se aproximou do ex-premier e hoje secretário-geral da ONU, António Guterres, Seguro se elegeu deputado nacional e posteriormente eurodeputado na lista encabeçada por Mário Soares, no final do século passado. No Partido Socialista, chegou a disputar a liderança da sigla, na década de 2010, mas foi derrotado por António Costa (que se tornaria premier) nas primárias e abandonou temporariamente a vida pública.

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Em 2024, começou a ventilar uma candidatura à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa, confirmada meses depois, e agora consagrada com a vitória no segundo turno. Caso se confirmem as projeções, será o melhor resultado de um candidato à Presidência desde 1991, quando Mário Soares foi eleito para seu segundo mandato com 70,35%.

Embora o papel do chefe de Estado português seja principalmente simbólico, ele atua como árbitro em momentos de crise e tem o poder de dissolver o Parlamento para convocar eleições legislativas antecipadas.

— A intensidade com que as funções e os seus poderes vão ser utilizados pode ser calibrada em função, por um lado, das circunstâncias concretas, designadamente do contexto político, e, por outro, em função da própria personalidade e do entendimento que o titular do cargo faz relativamente aos seus poderes — afirmou a constitucionalista Teresa Violante, em entrevista à CNN Portugal.

André Ventura, candidato do Chega, atacou minorias, imigrantes e pediu três Salazares em Portugal

Patrícia de Melo Moreira/AFP

Do outro lado estava André Ventura, líder do Chega, que confirmou a força da extrema direita em Portugal, também presente nas últimas eleições legislativas, com 34% dos votos válidos. Na campanha, o discurso anti-imigração foi sua principal bandeira, e rendeu o apoio até de comunidades de estrangeiros, como parte dos brasileiros que vivem no país.

— Temos de continuar a trabalhar para convencer o país de que é preciso esta mudança — disse Ventura, nas primeiras declarações após a derrota. — Quando o povo fala, o povo é soberano. Se o povo escolheu António José Seguro, é ele que será presidente. E eu espero que ele seja um bom presidente, porque o país precisa.

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Apesar do resultado, o líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, disse que seu partido foi o "grande vencedor da direita", criticando os "50 anos de sistema que se uniu e se juntou contra nós".

— Esta noite não vai ter grande história — afirmou o parlamentar, citado pelo Diário de Notícias logo após a divulgação das pesquisas. — Achamos que a candidatura de André Ventura merecia mais, mas os resultados são o que são. Cabe-nos aceitá-los e dizer apenas que se perdeu uma oportunidade de mudança.

A votação foi impactada pelas fortes tempestades que atingiram o país nas últimas duas semanas, e que levaram ao adiamento de votações em várias localidades. Ventura defendia que a eleição fosse adiada nacionalmente, embra a lei não preveja essa possibilidade. Na campanha, Seguro pedia a seus eleitores que fossem às urnas apesar das dificuldades, apontando a abstenção como um rival tão poderoso quanto Ventura. Com 87% das urnas apuradas, a abstenção era de 41,81%.