Sobe para 70 o número de mortos na Zona da Mata mineira

 

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O corpo de mais uma vítima da chuva foi encontrado pelos bombeiros na manhã deste sábado (28), em Juiz de Fora. É um homem de 48 anos, que estava desaparecido no bairro Linhares. Agora são 64 mortos na tragédia na cidade. Além dessas, seis pessoas morreram em Ubá, elevando o total de óbitos para 70. Todos os corpos já foram identificados. Somente quatro ainda não foram retirados pelas famílias, conforme a Polícia Civil.

Com o registro das mortes na zona da mata, 80 mineiros já perderam a vida por causa da chuva desde outubro do ano passado. Assim, Minas Gerais tem o período chuvoso mais letal em duas décadas. O recorde anterior foi de 74 óbitos ocorridos entre outubro de 2019 e março de 2020.

Em Juiz de Fora, um menino de 9 anos continua sendo procurado no bairro Paineiras. Segundo o comandante da operação, coronel dos bombeiros, Joselito Oliveira de Paula, duas rochas dificultam a chegada ao local exato onde a corporação acredita que o menino está. O comandante explica como o trabalho está sendo realizado.

"É um local íngreme, muito instável, com muitas rochas. Foi verificada a necessidade de trabalhar com a maquinaria, mas não havia acesso para a maquinaria. Então, parte da frente trabalhava diretamente nas buscas e parte abria esse acesso, que agora conseguimos, o que agiliza muito o processo das nossas buscas. Estamos aqui e vamos tatear todo o terreno, a cada momento estabelecendo novas táticas e novos pontos de busca que acreditamos ser viáveis. Enquanto não verificarmos todo o terreno, a ocorrência não encerra."

Drones são utilizados para monitorar as rochas e avaliar o risco de deslizamento. Especialistas em desmanche de rocha com produtos químicos também atuam na região.

A mudança no tempo também pode implicar em riscos. Segundo o coordenador estadual adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, tenente-coronel Wenderson Duarte, a chuva na zona da mata está diminuindo, mas o sol também pode movimentar a terra. Por isso, a população não deve voltar para as casas que estão em áreas de risco.

"O solo ainda continua encharcado, saturado, e o excesso de sol pode ajudar, inclusive, a secar demais parte disso e a movimentar o terreno. Por isso, reitero para que não retornem às áreas de risco. A Defesa Civil, principalmente a municipal, mantém fluxo constante de vistorias por toda a cidade. É um volume muito grande de áreas de risco, então, até que a gente consiga alcançar todo o espaço, não vai ser tão simples. Mas chegaremos a todos os lugares. É importante que todos tenham consciência de que permanecemos em áreas de risco."

O solo ainda continua encharcado, saturado e o excesso de sol pode ajudar inclusive a secar demais parte disso e ajudar a movimentar. Por isso, reitero, para que não retornem para as áreas de risco. A Defesa Civil, principalmente municipal, mantém o fluxo constante de vistorias por toda a cidade. É um volume muito grande de áreas de risco, então até que a gente consiga alcançar todo o espaço não vai ser tão simples, mas nós chegaremos a todos os lugares. Então é importante que todos tenham a consciência de que permanecemos em área de risco.

Ainda segundo ele, técnicos da Defesa Civil fazem vistoria nos imóveis e mesmo os que permaneceram intactos podem ser demolidos para impedir que os antigos moradores retornem para áreas de risco. 4.200 pessoas estão fora de casa em Juiz de Fora.

A previsão é que a cidade tenha uma estiagem de uma semana. A chuva deve voltar no fim da semana que vem, porém em menor intensidade.

Em Ubá, permanece o número de 6 mortos e dois desaparecidos, que foram levados pelas águas do rio Ubá, que voltou a inundar a cidade nessa sexta-feira (27), depois outra pancada de chuva que caiu. Os bombeiros utilizam drones e cães na procura.