Sob vaias na ONU, Netanyahu defende ações de Israel e ataca prefeito de NY

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Fonte da notícia: Valor Valor

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi recebido com vaias e com a saída de dezenas de delegações, entre elas a do Brasil, ao subir ao púlpito da Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira (24), pouco antes de realizar um discurso no qual atacou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, a quem chamou de antissemita e apoiador do Hamas, e defendeu as ações de Israel em Gaza e contra o Irã. Leia também: Visita relâmpago de Netanyahu a Nova York reflete relações tensas com os EUA Conselho da Paz de Trump propõe plano de US$ 2,45 bi para reconstrução de Gaza Na ONU, Macron denuncia diplomacia de Trump em Gaza como ‘espetáculo de vergonha’

Netanyahu ironizou a saída dos diplomatas e demais representantes e afirmou que, se houvesse “mais algum covarde moral que ainda não tivesse deixado o plenário”, poderia fazê-lo antes que ele começasse a falar.

Ao atacar Mamdani, primeiro muçulmano eleito prefeito de Nova York, Netanyahu afirmou que o democrata tentou impedir sua ida à cidade. “Você tentou me silenciar. Bem, você não pode me silenciar, não pode silenciar a verdade. E esta é a verdade simples: Israel não cometeu genocídio. Israel impediu um genocídio”, disse.

O premiê israelense afirmou ainda que, desde a eleição de Mamdani, “muitos judeus já não se sentem seguros em Nova York”. Dirigindo-se diretamente ao prefeito, acrescentou: “As mentiras que você e outros antissemitas espalham sobre os judeus e o Estado judeu têm consequências reais.”

Poucos minutos antes do discurso do primeiro-ministro de Israel, o prefeito democrata publicou um vídeo sem falas em que aparece plantando uma oliveira na Gracie Mansion, residência oficial do prefeito, e jantando com famílias palestinas de Gaza. “Que a paz seja o nosso futuro”, escreveu Mamdani na legenda da publicação na rede social X.

Ao mencionar a guerra contra o Irã, o premiê lançou mão de um tom duro e argumentou que, ao defender Israel e “eliminar as armas nucleares do Irã”, o país também defendeu muitas das nações cujos delegados deixaram o plenário antes de sua fala.

EUA e Israel lançaram os primeiros ataques da guerra contra a República Islâmica em 28 de fevereiro. Antes, em junho de 2025, as forças israelenses já haviam bombardeado o regime teocrático no que ficou conhecido como a “Guerra dos 12 Dias”.

“Devastar as instalações nucleares do Irã foi difícil. Foi muito difícil. Mas, para mim, foi uma das decisões mais fáceis que já tive de tomar como primeiro-ministro, porque, se não tivéssemos feito isso, estaríamos todos mortos”, acrescentou Netanyahu.

Na mesma esteira, ele declarou que seu país “não teve parceiro maior do que o presidente Trump”. Os dois líderes não têm nenhum encontro marcado durante a passagem de Netanyahu pelos EUA. Até o momento, o chefe da Casa Branca não declarou apoio ao premiê para as eleições israelenses previstas para 27 de outubro.

Netanyahu, além disso, procurou apresentar Israel como um país que respondeu com força ao ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas em Israel. Segundo ele, o grupo esperava provocar o colapso do país, mas “nós nos levantamos e lutamos como leões”. O premiê classificou o episódio como “o pior massacre de judeus desde o Holocausto”.

Netanyahu ainda atacou a imprensa internacional, que acusou de fazer uma “cobertura distorcida” da violência de colonos contra palestinos na Cisjordânia ocupada. Segundo ele, os episódios são protagonizados por um pequeno número de “jovens delinquentes”. O premiê afirmou ser contrário a atos de vigilantismo e descreveu os colonos israelenses, de modo geral, como “pacíficos, pessoas honestas e cumpridoras da lei”. Moradores observam os danos depois que máquinas pesadas israelenses demoliram casas na aldeia de Jinba, em Masafer Yatta, perto de Hebron, na Cisjordânia ocupada por Israel REUTERS/Mussa Qawasma

Horas antes, no mesmo plenário, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, havia apresentado uma visão oposta do conflito, acusando Israel de conduzir “uma guerra genocida que criou uma catástrofe humanitária sem precedentes” e de pôr em prática “um esquema colonial malicioso destinado a tornar mais difícil a vida dos palestinos em sua terra natal e forçá-los a deixá-la”.

“O povo palestino não aceitará o reassentamento”, afirmou Abbas, já perto do fim de seu discurso. Segundo ele, os palestinos jamais deixarão suas terras, e Israel não tem o direito de decidir seu destino.

No início deste mês, antigos aliados firmes de Israel, incluindo Reino Unido, França e Canadá, anunciaram sanções contra os assentamentos israelenses na Cisjordânia.

Antes do discurso nas Nações Unidas, o governo de Netanyahu pagou pela instalação de 500 outdoors pró-Israel e contra o Irã, além de dezenas de caminhões com mensagens de apoio a Israel espalhados por Manhattan, informou o gabinete do primeiro-ministro em comunicado.

“A liberdade não se defende sozinha. Estados Unidos e Israel permanecem unidos contra o terror”, diz um dos outdoors. Abaixo, aparece a indicação: “Pago pelo Estado de Israel”.

Em contrapartida, centenas de manifestantes contrários a Israel se reuniram perto das Nações Unidas, e dezenas bloquearam o trânsito enquanto gritavam: “Parem de armar Israel, deixem Gaza viver” e “Parem de armar Israel, deixem o Irã viver”.

Manifestantes protestam antes do discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, Estados Unidos, em 24 de setembro de 2026 REUTERS/Bing Guan

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