Sob pressão eleitoral, Trump quer que empresas de IA banquem custo de energia de data centers
Em resposta à insatisfação dos eleitores com o aumento das tarifas de energia, o presidente Donald Trump afirmou que está negociando compromissos com grandes empresas de tecnologia para que elas paguem uma parcela maior dos custos de energia associados a novos data centers.
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O Vale do Silício está investindo centenas de bilhões de dólares na construção de data centers com alto consumo de energia para inteligência artificial, enquanto a demanda por eletricidade cresce nos Estados Unidos. Isso tem gerado temores de que o boom da IA provoque aumentos nas contas de luz das famílias.
O anúncio de Trump durante seu discurso sobre o Estado da União trouxe poucos detalhes, e especialistas disseram que quaisquer promessas das empresas de pagar mais por sua eletricidade podem ser difíceis de verificar ou aplicar na prática. Ainda assim, o movimento destacou o quanto a Casa Branca e os republicanos estão preocupados com o impacto político do aumento das tarifas nas eleições de meio de mandato deste ano.
“Estamos dizendo às grandes empresas de tecnologia que elas têm a obrigação de suprir suas próprias necessidades de energia e podem construir suas próprias usinas para que os preços de ninguém aumentem”, disse Trump. Ele chamou a iniciativa de “compromisso de proteção ao consumidor de energia”.
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Taylor Rogers, porta-voz da Casa Branca, afirmou na quarta-feira que empresas de tecnologia estarão na Casa Branca na próxima semana para assinar formalmente o compromisso.
Consumo elevado de energia
Os data centers em construção atualmente podem consumir tanta energia quanto uma cidade de pequeno porte e frequentemente exigem novas linhas de transmissão, usinas e outras atualizações caras antes de serem conectados à rede elétrica local. Historicamente, as concessionárias diluíram esses custos — que podem chegar a bilhões de dólares — entre todos os consumidores da região.
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Mas políticos têm pressionado cada vez mais para que as gigantes de tecnologia arquem com a maior parte ou a totalidade dessas despesas. Nas últimas semanas, Microsoft e Anthropic prometeram publicamente pagar tarifas mais altas para cobrir seus custos. Muitas empresas também estão construindo suas próprias usinas, em geral movidas a gás natural, como a Meta faz com um data center em El Paso, no Texas.
“Queremos absolutamente pagar nossa parte justa de todos os custos associados ao nosso atendimento”, disse Briana Kobor, responsável por inovação em mercados de energia do Google, em um encontro recente de reguladores do setor elétrico em Washington.
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Especialistas afirmam que esses compromissos podem ajudar a conter os custos de eletricidade para os demais consumidores, mas os efeitos dependerão dos detalhes do plano. “Se fosse possível, com uma varinha mágica, fazer com que as empresas de tecnologia pagassem cada centavo investido em infraestrutura, isso teria um impacto significativo”, disse Ari Peskoe, diretor da Electricity Law Initiative na Universidade Harvard.
“Mas, na prática, isso é complicado”, acrescentou. “Há muitas questões em aberto.”
Quem paga a conta?
Pode ser difícil determinar quais despesas devem ser atribuídas aos novos data centers, como os custos de modernização das linhas de transmissão. Os contratos firmados entre data centers e concessionárias costumam ser confidenciais, o que dificulta a verificação pública de que as empresas estejam pagando todos os custos relacionados.
Em algumas regiões, operadores da rede elétrica e reguladores podem precisar rever regras complexas de rateio de despesas.
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Também não está claro se os compromissos das grandes empresas se aplicariam aos desenvolvedores terceirizados de menor porte que frequentemente constroem os data centers e negociam os contratos de energia.
Em teleconferência com jornalistas na quarta-feira, o secretário de Energia, Chris Wright, afirmou: “Todos os nomes que você conhece que estão desenvolvendo data centers têm dialogado conosco.”
As empresas esperadas para aparecer ao lado de Trump na próxima semana incluem Amazon, Google, Meta, Microsoft, xAI, Oracle e OpenAI, segundo um funcionário da Casa Branca. A Fox News foi a primeira a divulgar a lista.
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Josh Levi, presidente da Data Center Coalition, associação do setor, afirmou que as empresas planejam “trabalhar de perto” com o governo sobre o tema.
“Agradecemos o foco do presidente Trump em vencer a corrida global da IA e compartilhamos seu compromisso com o desenvolvimento responsável do setor de data centers, juntamente com uma rede elétrica mais acessível e confiável que atenda a todos os consumidores”, disse.
Alguns grupos ambientalistas e parlamentares democratas criticaram os compromissos como em grande parte simbólicos e observaram que outras ações do governo Trump para restringir a energia eólica e solar poderiam elevar os custos de energia.
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“Um acordo de aperto de mãos com as grandes empresas de tecnologia sobre os custos dos data centers não é suficiente”, escreveu o senador Mark Kelly, democrata do Arizona, na rede social X. “Os americanos precisam de uma garantia de que os preços da energia não vão disparar e de que as comunidades terão voz.”
O Departamento de Energia também anunciou na manhã de quarta-feira que concederá empréstimos de US$ 26,5 bilhões a duas concessionárias, Georgia Power e Alabama Power, para ajudar na construção de novas usinas a gás e baterias, além da modernização de usinas nucleares e linhas de transmissão.
Segundo autoridades, o financiamento permitirá que as empresas reduzam seus custos de captação em cerca de US$ 300 milhões por ano e possibilitará à Georgia Power congelar tarifas por três anos, em um momento em que os data centers se expandem rapidamente na região.
