Smith College: Governo Trump investiga faculdade feminina por admitir pessoas trans
O governo do presidente Donald Trump abriu uma investigação de direitos civis contra o Smith College para apurar se a admissão de estudantes transgênero viola leis federais antidiscriminação. A apuração foi anunciada pelo Departamento de Educação e marca a primeira vez que a política de admissões de uma faculdade feminina entra na mira da atual gestão.
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A investigação é conduzida pelo Escritório de Direitos Civis do Departamento e questiona se permitir a matrícula de mulheres trans — bem como o acesso a espaços exclusivos, como dormitórios, banheiros e vestiários — fere proteções legais destinadas a mulheres. Até então, as ações do governo vinham se concentrando principalmente em políticas ligadas à participação de atletas trans em esportes femininos e ao uso de banheiros.
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Em nota, a secretária assistente interina para direitos civis, Kimberly Richey, afirmou que “uma faculdade exclusivamente feminina perde seu significado se admitir homens biológicos” e que a presença dessas pessoas em espaços destinados a mulheres levanta preocupações sobre privacidade, equidade e conformidade com a legislação federal. “O governo Trump continuará a aplicar a lei e a restaurar o bom senso”, disse.
O Smith College, localizado em Northampton, Massachusetts, declarou que está ciente da investigação e reiterou seu compromisso com seus valores institucionais e com o cumprimento das leis de direitos civis.
A apuração foi aberta após uma denúncia apresentada pela Defending Education, grupo fundado em 2021 e ligado ao movimento de “direitos dos pais”, que tem pressionado por maior controle sobre políticas educacionais. Nos últimos meses, outras queixas da organização também motivaram investigações federais.
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Com cerca de 2.500 estudantes, o Smith College aceita estudantes transgênero desde 2015, assim como outras faculdades femininas de prestígio. A mudança ocorreu após um caso de 2013, quando uma candidata trans foi rejeitada porque sua identidade de gênero não correspondia aos documentos financeiros apresentados.
Desde então, a maioria das instituições desse tipo atualizou suas políticas para incluir pessoas trans. Uma exceção é o Sweet Briar College, que não admite estudantes trans e orienta transferências durante processos de transição.
Segundo dados da Society for Evidence-Based Gender Medicine, cerca de 4,7% dos estudantes universitários se identificam como transgênero.
A investigação faz parte de uma ofensiva mais ampla do governo Trump contra políticas de proteção a estudantes trans. Em 2025, a atual administração resolveu 30% menos denúncias de direitos civis em escolas em comparação com o ano anterior, durante o governo Joe Biden — a maior queda anual em pelo menos três décadas. Ao mesmo tempo, abriu mais de 40 investigações contra instituições educacionais que adotam medidas inclusivas.
O Departamento de Educação também tem revertido acordos firmados por gestões anteriores para proteger estudantes trans e moveu ações judiciais contra estados como Califórnia e Minnesota por permitirem a participação de atletas trans em competições escolares.
