Skincare em transformação: entenda a tendência da 'beleza hormonal'
A ideia de que uma rotina de skincare bem estruturada seria suficiente para resolver problemas de pele começa a ser questionada por especialistas. A chamada "beleza hormonal" surge como uma abordagem diferente, ao considerar fatores internos, como estresse, ciclo menstrual e alterações hormonais, na hora de cuidar da pele.
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A tendência ganhou força internacional após a divulgação de rotinas personalizadas adotadas por integrantes da realeza britânica, mas também abre espaço para refletir sobre o modelo tradicional de skincare, baseado em protocolos fixos e no uso crescente de produtos.
Para Denise Ozores, médica da clínica Alphaville Star, em São Paulo, o principal erro está em tratar a pele como algo isolado. "Durante anos, o mercado reforçou a ideia de que bastava escolher os produtos certos, quando, na prática, a pele responde diretamente ao que acontece dentro do corpo", explica.
Segundo a dermatologista, muitos pacientes chegam ao consultório após testar diferentes rotinas sem sucesso. Em muitos casos, a origem do problema não está nos cosméticos, mas em questões hormonais não consideradas. Acne adulta, sensibilidade e perda de viço estão entre as manifestações mais comuns.
A especialista também chama atenção para o impacto das redes sociais na construção dessas rotinas. Ela observa que a lógica de múltiplas etapas, frequentemente associada a um ideal de autocuidado, pode levar ao uso excessivo de produtos sem uma real compreensão das necessidades da pele.
Apesar do nome, o chamado "skincare hormonal" não envolve necessariamente o uso de hormônios, mas sim uma leitura mais estratégica do organismo. Denise afirma que a pele não é estática e que insistir em rotinas rígidas pode comprometer os resultados ao longo do tempo.
Na prática, a proposta é ajustar os cuidados conforme as variações do corpo. Há momentos em que a pele exige mais hidratação, enquanto em outros o controle da oleosidade se torna prioridade. Esse acompanhamento, segundo a médica, tende a ser mais eficaz do que seguir uma rotina fixa.
Ainda assim, ela alerta para o risco de a tendência ser absorvida pelo mercado apenas como uma oportunidade de consumo. Para Denise, o excesso de produtos e protocolos continua sendo um dos principais desafios, mesmo diante de novas abordagens.
