Skin fasting: o que é a tendência do TikTok e por que ela exige cuidado no verão

 

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Reduzir a rotina de cuidados com a pele ou até suspender temporariamente o uso de cosméticos voltou ao centro das conversas sobre beleza nas redes sociais. Batizada de skin fasting, a prática reapareceu com força no TikTok e já figura entre as tendências de skincare que devem seguir em evidência em 2026.

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A promessa é simples: dar um "respiro" à pele diante do excesso de produtos e ativos. Na prática, porém, o conceito exige cautela, especialmente em países de clima quente como o Brasil, onde fatores como sol intenso, umidade e poluição tornam os cuidados básicos ainda mais indispensáveis.

Embora a ideia de simplificar não seja nova na dermatologia, o termo ganhou interpretações radicais no ambiente digital. Vídeos que defendem a interrupção total do uso de cosméticos, incluindo hidratantes e protetor solar, se multiplicam e acabam distorcendo o objetivo original da proposta.

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Reprodução Instagram

Especialistas alertam que, longe de beneficiar, esse tipo de abordagem pode comprometer a função da barreira cutânea, aumentar a sensibilidade da pele e favorecer o surgimento de manchas, inflamações e até crises de acne.

O equívoco mais comum é confundir excesso de produtos com abandono completo da rotina. A dermatologia contemporânea reforça que menos pode, sim, ser mais, desde que o básico esteja garantido. Limpeza adequada, hidratação e fotoproteção continuam sendo pilares inegociáveis, sobretudo durante o verão, quando o organismo sofre maior estresse térmico e a exposição solar se intensifica.

Para a dermatologista Marcella Alves, da Onne Clinic (RJ), o skin fasting precisa ser entendido como um convite à racionalização, e não à negligência.

"Do ponto de vista dermatológico, o skin fasting não significa abandonar completamente os cuidados com a pele, mas sim reduzir excessos. A proposta original é simplificar a rotina para evitar sobrecarga de ativos, irritação e sensibilização da pele. Nas redes sociais, porém, o conceito ganhou interpretações extremas, como suspender totalmente o uso de cosméticos, o que não é recomendado, especialmente em países de clima tropical. A pele precisa de cuidados básicos contínuos para manter sua função de barreira e proteção", explica.

Segundo a especialista, a redução estratégica pode ser benéfica em contextos específicos, principalmente quando há sinais de que a pele está sobrecarregada.

"Reduzir produtos pode ser benéfico quando a pele apresenta sinais de sensibilização, como ardor, vermelhidão, descamação ou aumento da acne inflamatória. Isso costuma acontecer quando há uso excessivo ou sobreposição inadequada de ativos, como ácidos, retinoides e esfoliantes. Nesses casos, uma rotina mais enxuta ajuda a pele a se reorganizar, recuperar a barreira cutânea e reduzir processos inflamatórios. A simplificação deve ser estratégica, mantendo apenas o essencial e, idealmente, com orientação dermatológica", destaca.

No verão, no entanto, não há margem para abrir mão de certos cuidados. "No verão, três etapas nunca devem ser suspensas: limpeza adequada, hidratação e fotoproteção. A limpeza remove suor, oleosidade e poluentes; a hidratação mantém a integridade da barreira cutânea, mesmo em peles oleosas; e o uso diário de filtro solar é indispensável para prevenir manchas, envelhecimento precoce e câncer de pele. Suspender esses cuidados, especialmente em períodos de maior exposição solar, pode causar danos cumulativos à pele", acrescenta.

A popularização acelerada de tendências nas redes sociais também acende um alerta sobre os riscos da automedicação estética. Para Marcella, copiar rotinas virais sem avaliação profissional é uma das principais armadilhas contemporâneas do skincare.

"Sou completamente contra seguir qualquer tendência sem antes consultar um dermatologista. Tendências das redes sociais precisam ser adaptadas ao tipo de pele, à genética, ao histórico de alergias e até à realidade climática do local, especialmente quando há muita exposição solar. Só um Dermatologista tem capacitação para ajustar tudo isso de forma segura", afirma.

Ela completa: "Por isso, seguir modas sem avaliação adequada é uma das principais causas de complicações como acne inflamatória, alergias e piora geral da qualidade da pele."