Site falso e nome limpo em 5 dias; como é o novo golpe do Desenrola 2.0
Um site falso, que imita páginas oficiais do Ministério da Fazenda, está sendo usado para aplicar golpes em consumidores interessados em renegociar dívidas por meio do Novo Desenrola Brasil. O alerta é da pasta, que informou que criminosos prometem “limpar o nome” em até cinco dias e cobram falsas taxas administrativas via Pix para liberar a suposta renegociação dos débitos.
Segundo o ministério, o site também solicita a consulta de CPF para verificar uma suposta elegibilidade ao programa e utiliza um chat para coletar informações sobre o tipo de dívida, como cartão de crédito.
Além disso, os golpistas condicionam a renegociação ao pagamento de uma taxa e solicitam transferências via Pix sob a justificativa de “taxas administrativas” e “processamento eletrônico”.
'O Ministério da Fazenda alerta que não existe cobrança de taxa para participar do Novo Desenrola Brasil. Os interessados devem procurar diretamente os bancos e instituições financeiras com as quais possuem dívidas para verificar as condições de renegociação", diz trecho do alerta da pasta.
Como é o golpe
Segundo a Kaspersky, empresa de cibersegurança, o golpe começa com uma página que imita uma notícia do Ministério da Fazenda e promete descontos de até 96% para quitar dívidas — no verdadeiro Desenrola, os descontos vão de 30% a 90%. O usuário é orientado a informar o CPF para verificar uma suposta elegibilidade ao programa.
Na sequência, o site apresenta informações sobre a renegociação com o suposto desconto e, para dívidas de até R$ 5 mil, até 100% de desconto em juros e multas. Além disso, para atrair a vítima é destacada uma promessa de "Limpeza do Nome" em até cinco dias úteis, com recuperação do acesso ao crédito.
Durante o falso cadastro, os criminosos informam que "para validar sua participação no programa, o Ministério da Fazenda cobra uma taxa administrativa de adesão" — cobrança que não existe no Desenrola Brasil. Após a inserção dos dados pessoais, o sistema simula uma "verificação de dívidas em aberto" e "consulta de elegibilidade". Em seguida, a vítima recebe uma mensagem de aprovação e é induzida a escolher o banco e o tipo de dívida que deseja renegociar.
Falsas taxas administrativas
O golpe termina com a cobrança das supostas taxas administrativas e de processamento eletrônico, no valor aproximado de R$ 92,80, pagas via Pix — um QR Code e um código "copia e cola" são apresentados para facilitar a transação. Segundo a Kaspersky, o dinheiro é transferido para contas de "laranjas", sem qualquer regularização das dívidas da vítima.
Vale lembrar que, diferentemente do primeiro Desenrola, em 2023, neste ano as negociações são feitas diretamente entre o inadimplente e o banco onde ele contratou o crédito. Não há intermediação de uma plataforma do governo.
— O modus operandi desse golpe explora a urgência e a promessa de soluções fáceis para problemas complexos. A principal linha de defesa do cidadão é a desconfiança ativa. Qualquer oferta que pareça 'boa demais para ser verdade' ou a exigência de 'taxas administrativas' inesperadas para liberar benefícios são sinais de alerta — explica Fabio Assolini, lead security researcher da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina.
'Fraude digital explora a urgência'
Como mostrou o GLOBO, nas semanas seguintes ao lançamento de programas de renegociação, esse tipo de golpe costuma crescer, especialmente com o aumento da divulgação e da procura pelos serviços.
Segundo Rafael Garcia, especialista em prevenção a fraudes da Fico, o cenário segue um padrão recorrente em grandes campanhas nacionais relacionadas a crédito, renegociação de dívidas ou benefícios financeiros. Por isso, a recomendação do Ministério da Fazenda é para que as pessoas procurem diretamente as instituições financeiras e evitem responder contatos telefônicos ou mensagens.
— Os golpistas costumam agir rapidamente em programas de grande alcance social e financeiro, principalmente quando envolvem renegociação de dívidas e promessa de facilidades. O consumidor precisa entender que hoje a fraude digital explora muito mais a confiança e a urgência emocional das pessoas do que vulnerabilidades técnicas — diz Garcia.
Como escapar de armadilhas
Para evitar armadilhas neste período, valem cuidados já conhecidos: acessar exclusivamente canais oficiais, evitar clicar em links recebidos por mensagens e nunca compartilhar senhas, tokens ou códigos de autenticação. Garcia reforça que bancos e instituições financeiras não solicitam esse tipo de informação por telefone, e-mail ou aplicativos de mensagens, como o WhatsApp.
Além disso, lembre de:
Verificar sempre o endereço do site (URL): O programa Novo Desenrola Brasil está hospedado exclusivamente no domínio gov.br. Qualquer endereço diferente disso é falso. O site oficial do programa é: gov.br/fazenda/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/novo-desenrola-brasil.
O Governo Federal não cobra taxas para adesão: O Novo Desenrola Brasil é um programa gratuito para o cidadão. Não há nenhuma cobrança de "taxas administrativas", "taxas de análise" ou qualquer outro valor para se cadastrar ou ter acesso aos benefícios de renegociação.
Utilizar apenas os canais oficiais: Em caso de dúvidas, procure sempre as fontes oficiais de informação do Governo Federal e os canais de comunicação diretos dos bancos credores envolvidos no programa. Desconfie de e-mails, SMS ou mensagens de WhatsApp que direcionem para sites desconhecidos.
Denunciar a fraude: Se você se deparar com este golpe, denuncie o site e as contas PIX para as autoridades competentes (Polícia Federal, bancos envolvidos, ou através dos canais de denúncia on-line).
Alertar seus contatos: A engenharia social por trás deste golpe é muito bem elaborada, e a informação é a melhor forma de proteção.
Atenção ao senso de urgência: Desconfie de mensagens que criam senso de urgência, como “última chance”, “regularize agora” ou “evite bloqueio imediato”;
Pagamentos: Nunca realize pagamentos antecipados para suposta liberação de acordos;
Cuidado com seus dados: Evitar fornecer dados pessoais, selfies, senhas ou códigos recebidos por SMS.
