Sistema de coletores impede despejo de 20 milhões de litros de esgoto por dia em rio de Jacarepaguá
Abril marcou a entrada em operação definitiva do novo sistema de Coletores de Tempo Seco (CTS) no entorno do Arroio Fundo, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio. Após um período de operação assistida iniciado em janeiro, a estrutura, implantada pela Iguá, empresa responsável pelos serviços de água e esgoto na região, passou a funcionar plenamente no mês passado. Segundo a concessionária, somente no período de acertos da operação, cerca de 20 milhões de litros de esgoto por dia deixaram de ser despejados no sistema lagunar. De acordo com a concessionária, os próximos coletores serão instalados às margens dos rios Anil e Guerenguê e nas comunidades da Muzema, no Itanhangá, e de Rio das Pedras, em Jacarepaguá.
Vídeo: Rocinha entra no clima da Copa do Mundo e transforma Via Ápia em galeria a céu aberto
'Queremos ou não ambulantes no calçadão de Copacabana?': Secretário de Ordem Pública e vereadores discutem políticas para a categoria em reunião na Câmara
O Arroio Fundo corta bairros como Cidade de Deus e Gardênia Azul antes de desaguar na Lagoa da Tijuca. Agora, com 21 pontos de coleta instalados, o sistema passa a interceptar o esgoto que antes era lançado irregularmente nas galerias pluviais e direcioná-lo para tratamento adequado.
— O Coletor de Tempo Seco é uma solução de engenharia difundida mundialmente, especialmente indiccada para áreas com adensamento urbano elevado e ocupação desordenada, onde é difícil implantar redes convencionais — explica Lucas Arrosti, diretor de operações da Iguá.
Como funciona
Na prática, o sistema funciona como uma barreira: intercepta o esgoto antes que ele chegue a rios e lagoas. Em períodos sem chuva, a estrutura consegue captar grande parte do volume despejado irregularmente. Já durante temporais, quando a rede pluvial fica sobrecarregada, parte desse fluxo segue seu curso natural.
Veja como funciona um Coletor de Tempo Seco
Segundo o executivo, a escolha pela tecnologia está diretamente ligada ao perfil urbano da região. Em áreas com crescimento não planejado e construções irregulares, há dificuldade na instalação de redes tradicionais de esgoto.
— Esse sistema é uma alternativa mais rápida de implementar e com resultado imediato. Ele atua como uma ferramenta fundamental para evitar que o esgoto chegue aos corpos hídricos — diz Arrosti.
Investimento
O projeto do Arroio Fundo faz parte de um pacote de investimentos de R$ 126 milhões destinados exclusivamente à implantação de Coletores de Tempo Seco na área de atuação da Iguá. Desse total, R$ 37,2 milhões foram aplicados nessa intervenção. Ao todo, serão 54 pontos distribuídos em diferentes bacias da Baixada de Jacarepaguá até os próximos três anos.
Com a operação do Arroio Fundo e os CTS do Canal das Taxas, no Recreio dos Bandeirantes, a Iguá afirma que combate cerca de 40% do volume total de esgoto que o projeto pretende retirar do ambiente. A estimativa de volume segue uma metodologia técnica que considera o tamanho da população atendida, padrões de consumo de água e a parcela que retorna como esgoto, além de variáveis operacionais do sistema.
Ao fim de todas as etapas, a Iguá espera evitar o despejo de cerca de 5.892 piscinas olímpicas de esgoto por ano no complexo lagunar de Jacarepaguá. A inciativa também visa a reduzir odores e riscos à saúde pública.
Initial plugin text
