Sinais econômicos têm levado agentes do setor elétrico a tomar decisões irracionais, alerta diretor do ONS - QTU Questões do Universo

Sinais econômicos têm levado agentes do setor elétrico a tomar decisões irracionais, alerta diretor do ONS

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O diretor de planejamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Alexandre Zucarato, afirmou que os sinais econômicos que têm sido dados no setor elétrico têm levado empresas a tomarem decisões consideradas “irracionais” quando considerada a realidade do sistema.
“Planejar a gente sabe, o problema é que a implementação descarrilha por uma série de razões.
Para 2030, precisamos tomar decisão enquanto país: se queremos viver planejamento centralizado ou de mercado no qual os agentes tomam suas próprias decisões.
Estamos parados no meio do caminho”, avaliou Zucarato, durante o XV Fórum Acende Brasil: Setor Elétrico Carbono Zero, realizado pelo Instituto Acende Brasil, em São Paulo capital.
Ele destacou que o ONS – órgão que coordena a geração de grandes usinas de eletricidade e sua transmissão pelo país - tem alertado que, no momento, não há espaço para adição de mais energia ao longo do dia já que, atualmente, 89% das horas diurnas têm apresentado algum corte de geração renovável (curtailment) por falta de demanda, mas, ainda assim, os agentes continuam a investir estimulados por incentivos econômicos.
“Os agentes econômicos precisam entender a responsabilidade que eles têm de ajudar na coordenação do planejamento.
O planejamento centralizado não vai pegar na mão de ninguém e fazer uma execução monolítica desse plano, ele é um guia”, afirmou.
Ele apontou, por exemplo, que o impacto do aumento da geração fotovoltaica - com um pico de oferta no meio do dia e saída ao anoitecer e expressada pelo que se cunhou de chamar “curva do pato” - já é conhecido há 10 anos diante do comportamento do sistema elétrico na Califórnia, nos Estados Unidos.
O diretor defendeu ainda que os preços deveriam refletir essa realidade, chegando, inclusive, a valores negativos ao longo do dia, refletindo a realidade da operação, como já ocorre em outros países.
Ele afirmou também ser necessário que as políticas públicas ocorram de forma coordenada.
“O setor público precisa estar atento porque o lobby vem com uma conversa ‘mancinha’, coloca algo que parece inofensivo, mas que gera uma enorme transferência de renda e, na verdade, piora a situação no setor elétrico e da sociedade como um todo”, completou.
Zucarato fez referência à discussão para incentivos fiscais para data centers, o Redata, que foi proposto com a exigência de que comprassem energia de novas usinas renováveis, o que é chamado formalmente de “critério de adicionalidade”.
A proposta, no entanto, levaria a ainda mais cortes de geração renovável por razões sistêmicas (curtailment), afirmou.
A iniciativa foi proposta em medida provisória que caducou, mas segue em análise no Congresso em forma de projeto de lei.
Diretor de planejamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Alexandre Zucarato
Leo Pinheiro/Valor