Silvia Pfeifer fala sobre sexo na maturidade: 'Muito mais interessante'
A elegância tão peculiar de Silvia Pfeifer enche os olhos assim que a entrevista se inicia. Ela se mostra vibrante diante das novidades, profissionais e pessoais. Aos 68 anos, está a mil. É protagonista, ao lado de Adriana Garambone e Helena Fernandes, da comédia “Uma vida de amizade”, assinada por Gustavo Pinheiro e com direção artística de Fernando Philbert. No palco do Teatro FashionMall até o dia 31, as três atrizes fazem um balanço bem-humorado da estrada percorrida. “Sentimos necessidade de falar sobre o universo feminino de quem tem mais de 50 anos. Abordamos vida amorosa, carreira, etarismo, maternidade, menopausa”, enumera. “Nós, mulheres, já avançamos muito e conquistamos espaços. O texto aborda essas questões. Queremos nos igualar aos homens e trazê-los para esse debate e para a plateia”, explica a atriz, que brilhou como modelo nas décadas de 1980 e 1990, tendo desfilado para grifes icônicas, como Chanel e Dior.
Em paralelo ao teatro, Silvia vive o frescor de uma nova relação. Em 2020, separou-se do empresário Nelson Chamma Júnior, depois de 38 anos de casamento e cinco de namoro. Os dois são pais de Emanuella, de 41, e Nicholas, de 32. Em 2025, ela começou a namorar o advogado Edson Pinto.
Na entrevista a seguir, fala sobre moda, recomeços e envelhecimento. A seguir, os melhores momentos da conversa:
Você, adriana e helena já eram amigas?
Da Helena, sim. Adriana, eu conhecia, mas não tinha intimidade. O universo conspirou ao nosso favor: a gente tem química no palco. As mulheres precisam, cada vez mais, apoiar umas as outras. Graças a Deus, tenho muitas amigas mulheres. Da moda, inclusive. Na Rio Fashion Week, fiz questão de assistir ao desfile da Blueman. Conheci Lídia, mãe do Thomaz Azulay (diretor artístico da marca), antes de ele nascer.
O que achou das críticas ao desfile referentes à presença de influencers na passarela?
Amei o desfile. A Blueman é muito Rio de Janeiro. Tinha a Helô (Pinheiro), de 82 anos, linda de morrer, a neta dela e influenciadores, que fazem parte do universo de hoje. Isso é diversidade. O novo sempre vem. Fica quem é bom.
A atriz Silvia Pfeifer
Danilo Freidl
Quais são as principais diferenças entre as modelos da sua geração e as de hoje?
Ouço muita gente falar que antigamente as mulheres eram mais leves e sedutoras na passarela e que agora andam com a cara sisuda. Fiz dois testes para desfiles, na Itália, três anos atrás. Sabe por que não passei? Por ter caminhado sorrindo e ter dado pivô (risos). É a mudança dos tempos. Não sou saudosista nem quero ficar agarrada ao passado. Na minha época, era cruel: não existia diversidade.
Como foi terminar um casamento de décadas?
Desfazer uma união depois de tanto tempo — comecei a namorar meu ex-marido aos 18 anos — não é fácil. Não fui eu que escolhi me separar naquele momento. Esse rompimento aconteceu dois meses antes da pandemia. Naquela fase, perdi o contato com outras pessoas, sentia medo de ser contaminada e meu trabalho foi interrompido. Foi bem assustador. Não deprimi, mas tive muita dificuldade para dormir. Passou.
E voltar a namorar com mais de 60 anos?
Foi difícil me entender solteira. Não tinha essa coisa da procura, do namoro. Precisei me colocar disponível, não só física, mas internamente. Levei um tempo. Hoje, tenho uma relação madura com o Edson. Nosso foco combina.
E o sexo?
Acho ótimo o sexo na maturidade, muito mais interessante, a gente já sabe o que quer. É muito fácil o sexo na juventude. O exercício nesse período é um grande trunfo. Alimentar essa vontade agora é um grande barato.
Como se relaciona com a passagem do tempo?
Dá um frio na barriga. Mas acho que estou envelhecendo muito bem. O problema é a gente se apegar à cobranças externas que não são as nossas. Acho legal uma ruguinha, uma marquinha. Daqui a pouco estarei com 70 anos. Quero levar a vida com reconhecimento, alegria, trabalhando e podendo ajudar o próximo. São essas coisas que valem a vida.
